Esporte

Rafaela Silva troca futebol por judô e supera drama familiar com ouro

Marcio Rodrigues / MPIX
A judoca brasileira Rafaela Silva sagrou-se campeã mundial ao bater a americana Marti Malloy Imagem: Marcio Rodrigues / MPIX

Rodrigo Paradella

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/08/2013 06h00

Antes de chegar ao ouro inédito no Mundial do Rio de Janeiro, a judoca Rafaela Silva teve uma juventude difícil na Cidade de Deus, favela da zona oeste da cidade carioca. Além das dificuldades financeiras, a atleta enfrentou um drama familiar quando ainda estava nos primeiros passos no tatame após abandonar o seu tão querido futebol.

A paixão pelo futebol surgiu num campo de terra próximo a sua casa, em Jacarepaguá. Com 7 anos, Rafaela conciliava as peladas com os meninos do bairro e os treinos de judô no Instituto Reação, recém-montado na Cidade de Deus pelo ex-atleta Flávio Canto. O talento da menina nos tatames era tão grande que o técnico Geraldo Bernardes teve de interceder por seu futuro no esporte.

“Um dia, após um treino, o técnico dela veio conversar comigo para pedir que ela continuasse no judô, que ela e a irmã [Raquel SIlva, também judoca] iriam chegar à seleção brasileira. E isso aconteceu. No começo ela não quis muito largar o futebol, mas depois acabou aceitando e deu no que deu”, contou o pai de Rafaela, Luiz Carlos.

A ideia dos pais de levar a menina para o judô surgiu justamente da preocupação com o tempo que ela gastava com brincadeiras nas rua. Ainda assim, Rafaela manteve o hábito de jogar bola entre os meninos, até que a rotina ficou pesada demais para ela.

“Um dia ela chegou a desmaiar jogando futebol, tomamos um susto. Ela não tinha comido direito e não aguentou. Depois disso, aos poucos, ela foi desistindo do futebol, que era o sonho dela de menina”, recordou Luiz.

Gravidez precoce da irmã foi parte difícil da infância

Hoje uma dupla de judocas de seleção brasileira, as irmãs Rafaela e Raquel Silva tiveram uma juventude tumultuada. Três anos mais jovem, a campeã mundial da categoria até 57kg teve de guardar segredo da gravidez da irmã, que na época tinha apenas 15 anos e não queria perde a chance de defender a seleção brasileira, para qual tinha sido convocada pela primeira vez na época. A pressão fez com que o comportamento da heroína brasileira mudasse por seis meses, tempo em que guardou a informação.

“A Rafaela ficou muito triste por estar segurando esse segredo, passou até a matar algumas aulas na escola. Foi um momento muito complicado, até que ela não aguentou e acabou explodindo, nos contando que a Raquel estava grávida. A irmã escondeu a gravidez no começo e continuava até mesmo a treinar judô enquanto isso para ir à seleção”, recordou a mãe das judocas, Zenilda.

“Precisamos da ajuda de uma psicóloga para superar esse momento. O curioso é que, apesar de tudo, ela nunca largou o judô. Ela gosta muito do esporte”, disse. “Hoje estamos realizados com essa vitória pessoal dela. É uma conquista para todos nós”, completou Zenilda.

Assim como a mãe e os avós, a sobrinha de Rafaela esteve presente ao Maracanãzinho para assistir às lutas da tia pelo Mundial. Aos oito anos, Ana Carolina deu um caloroso abraço na judoca ao reencontrá-la nos bastidores do ginásio.

“Me orgulho muito dela. Quero ser tão boa quanto ela quando crescer”, disse a menina, que, no entanto, quer seguir outra profissão. “Meu sonho é ser bailarina”, contou Ana Carolina.

  • Rodrigo Paradella/UOL

    Da esquerda para a direita, a família de Rafaela: a sobrinha, o pai, a mãe e a irmã judoca

Ouro de Rafaela tem festa adiada e quimono perdido na véspera

Apesar da euforia da judoca pela medalha inédita em mundiais, Rafaela ainda esperará alguns dias para comemorar o primeiro ouro de mulheres brasileiras na história da competição. Como ela irá competir na disputa por equipes no domingo, a festa terá que acontecer depois disso.

“Temos que esperar a disputa por equipes, só depois disso faremos a comemoração que ela merece. Deve ser lá mesmo no Instituto Reação, onde tudo começou”, revelou a irmã Raquel, que é reserva da seleção brasileira na categoria até 52kg, de Érika Miranda, prata neste Mundial

A campeã mundial contou com um problema de última hora para a competição. O quimono azul que Rafaela usaria no torneio sumiu na última terça-feira. Às pressas, um outro da mesma coir foi levado para uma costureira que prendeu a identificação da atleta nas costas do uniforme por módicos R$ 35. 

RAFAELA SILVA DÁ GUINADA NA CARREIRA E LEVA OURO NO MUNDIAL DE JUDÔ

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