Tá todo mundo 'miltando'

Para celebrar a volta ao UOL, Milton Neves relembra as polêmicas e causos engraçados dos mais de 20 anos de TV

Gabriel Carneiro e Luiza Oliveira do UOL, em São Paulo
Fernando Moraes/UOL

Quem entra no escritório de Milton Neves, que ocupa quase um andar na avenida Paulista, não consegue tirar os olhos das centenas de fotos e pôsters que ocupam a parede de fora a fora. Tem participações em programas de televisão, premiações, muitos anúncios e até um totem de Milton em tamanho real. Logo dá para entender porque ele é um sucesso comercial e se tornou o rei dos "merchans" da televisão brasileira.

O apresentador que há 20 anos comanda as principais mesas redondas de domingo à noite é um dos nomes mais conhecidos do jornalismo esportivo brasileiro. E ganhou dinheiro. Muito dinheiro. Graças às propagandas que ele se orgulha de fazer e que já o renderam até R$ 800 mil por mês. Mas que também o tornaram alvo de inveja e de muitas críticas de jornalistas tradicionais que acreditam que credibilidade e propaganda não podem andar juntas.

Milton nem se importa. Defende que todo mundo tem mais é que "miltar". E se diverte ao ver que até a TV Globo está mudando sua política e permitindo que os jornalistas mais renomados da casa virem garotos-propaganda de marcas famosas.

E se "quem não milta, se trumbica", o UOL Esporte também não fica fora. O comunicador voltará a ter um blog hospedado no portal. Para celebrar o retorno de Milton, ele relembra seus causos engraçados, polêmicas e também se emociona (e muito) com as lembranças da infância e do primeiro dia que Pelé o viu.

Fernando Moraes/UOL Fernando Moraes/UOL

Quem não "milta", se trumbica

Milton Neves ficou conhecido por fazer muitas propagandas em seus programas. Ele se orgulha de ser um sucesso comercial com um modelo que é copiado por muitos, os famosos "merchans". Milton diz que agora até a Rede Globo que sempre teve uma postura crítica essa forma de propaganda entrou na onda. E hoje suas maiores estrelas estão aderindo.

"A Globo 'miltou' também, os colegas lá vão fazer 'merchan'. Minha frase é 'quem não 'milta' se trumbica'. Então está todo mundo 'miltando'. Aliás, o Cléber Machado leu os slogans dos anunciantes fortes da Globo. Olha o Tiago Leifert. Maravilhoso, está aí um sucesso e faz merchandising para tudo quanto é lado também".

A Globo tem a política de proibir os profissionais da área do Jornalismo de fazerem propaganda, mas libera os comunicadores que pertencem ao núcleo Entretenimento. Muitos jornalistas consagrados da emissora migraram de editoria e passaram a ser liberados para estrelar propagandas que não da casa. Milton considera a prática hipocrisia.

"A Globo tem essa hipocrisia. Quando a Fátima Bernardes era do jornalismo, não. Aí agora ela é do Entretenimento (e pode). Entretenimento é conversa mole. Pedro Bial faz Fiat, Bradesco e é um dos maiores jornalistas do mundo. Então você acha que o cara vai momentaneamente para o tal Entretenimento e se ele amanhã volta a ser jornalista não pode porque fez merchandising lá atrás? Isso é uma bobagem muito grande".

Milton agora acredita que a emissora melhorou essa política já que, aos poucos, está liberado os comunicadores do Esporte de fazerem propaganda. O apresentador cogita até que se a concorrente tivesse outra mentalidade poderia ter evitado vários problemas financeiros.

"A Globo é trilionária, mas o custo operacional é muito grande. Ela sacou o tanto de dinheiro que ela perdeu ao longo desses anos. Com 'merchan', eu ganhei dinheiro, mas a Record ganhou muito mais, a Bandeirantes muito mais. A Globo deixou de ganhar. Talvez ela não estivesse devendo tudo que falam que ela está devendo se ela tivesse liberado o 'merchan' para sua turma desde os anos 60", diz.

A 'Veja' publicou que eu ganhava R$ 800 mil por mês e gerou uma inveja... E eu falei 'isso de R$ 800 mil é café pequeno'. Só de merchan já dava mais que isso. E isso gera inveja. Inveja é o mau-hálito da alma. Agora, os vagabundos, invejosos, não falam nada.

Milton Neves, sobre os ganhos com propaganda

"Merchan" na Globo

Arquivo pessoal Arquivo pessoal

Sasha não alugou apartamento "caro" de Milton Neves

Há 3 anos, Sasha Meneghel se mudou para os Estados Unidos para estudar moda na conceituada Parsons. A apresentadora Xuxa, sua mãe, ajudou na busca por apartamento em Nova York, e um dos imóveis de que mais gostou ficava no 41º andar de um prédio no bairro Upper East Side, região nobre de Manhattan. Xuxa, então, foi visitar o apartamento ao lado do corretor. E lá se deparou com um quadro enorme pendurado ao lado do bar. Era uma pintura de Milton Neves, que ela foi descobrir ser proprietário do imóvel.

Xuxa ligou na hora para o jornalista e chegou a divulgar uma foto da coincidência na internet. Mas desistiu de alugar o apartamento, porque com 200 m² e aluguel de US$ 30 mil (R$ 96 mil na época) era caro e grande demais para os interesses de Sasha e uma amiga. "O meu outro apartamento, em Tribecca, estava ficando pronto e eu decidi alugar o outro, né? Por que ia ficar com dois? Você está louco. Aí quando ela entrou, viu o quadro e falou: 'eu conheço esse cara.' Ela pegou e tirou a selfie", explica o apresentador.

Era um apartamento com quatro suítes, a Sasha não precisava de um latifúndio desses em Manhattan

Sasha acabou alugando um apartamento de 80 m² junto com a amiga e ainda hoje vive entre Nova York e o Rio de Janeiro.

Outros causos do Miltão

Vinícius Mendes/Rádio Bandeirantes Vinícius Mendes/Rádio Bandeirantes

Pega onde?

Milton ficou até 5h30 num casamento e tinha que estar no ar às 9h. Estava sonolento quando abriu os trabalhos na Rádio Bandeirantes. Entrevistava Conceição, torcedora símbolo da Ponte Preta, e lia interações. "Agora o ouvinte Sérgio pega no meu pau aqui... pega no meu pé, pô", disse, no ar. Ao telefone, Conceição gargalhou diante do constrangimento: "Desculpem. Escapou."

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Fora, Silvio!

Em 2002, a Record colocou no ar o game show Roleta Russa, gincana de perguntas e respostas que fazia participantes caírem num alçapão. Com o apresentador esportivo à frente, o programa quase dobrou a audiência da Record. "Nós ganhamos cinco quintas-feiras do Show do Milhão. O Silvio Santos tirou o Show do Milhão do ar e até hoje não voltou. Foi um sucesso."

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Bispo de olho

O sucesso fez a Record apostar em Milton em outros gêneros. Assim, em março de 2003, assumiu o Cidade Alerta para substituir Datena. Durou até julho: "Era o auge da patrulha da imprensa de que funcionário da Record tinha que ser da Igreja Universal. Eu, para puxar o saco, falei: 'sou católico e nunca ninguém falou nada, parem de encher o saco do bispo aqui, pô'. No outro dia estava fora do Cidade Alerta."

Reprodução/Facebook Reprodução/Facebook

Selinho e gafe

Milton Neves coleciona histórias e encontros com Hebe Camargo: "Eu estava lá no restaurante com uns amigos meus. A gente já tinha tomado uns vinhão lá. Aí ela chega com aquela alegria toda e diz que eu estava bonito no ar. Eu peguei e falei 'ô, Hebe Camargo, obrigado, eu fico feliz. Posso te dar um selinho? Você é o faraó da televisão brasileira'. Falei muito alto, todo mundo caiu na risada."

Carro de Osmar Santos levou Milton ao jornalismo esportivo

Milton Neves descobriu o jornalismo nos classificados do jornal: "Vi um anúncio: 'Torne-se jornalista'. Aí fiz o vestibular e passei." Até então ele levava uma vida mansa em Muzambinho, cidade do sul de Minas Gerais: "À tarde eu jogava sinuca, de noite eu jogava baralho e no intervalo namorava um pouquinho. Não tinha futuro." Mas aos 17 anos Milton conheceu Lenice e fez planos de se casar. "Eu só não tinha condição. Então comecei a fazer concurso de tudo, vestibular de tudo. Queria trabalhar no Banco do Brasil, casar e ter um Fuscão."

Só um desses planos deu certo. Milton e Lenice estão juntos desde 1968, casados dez anos depois. Durante este período, ele veio para São Paulo tentar a vida como jornalista, formou-se no que hoje é a Unip às custas da tia, começou trabalhando na rádio universitária e foi indicado pelo dono da faculdade à direção da Jovem Pan. "Vim para São Paulo com as duas mãos na frente e as duas mãos atrás também."

A entrada na Jovem Pan foi em 1972 como repórter de trânsito. A mudança para o esporte aconteceu no ano seguinte por culpa do carro do Osmar Santos. Não entendeu nada? Milton explica.

Em 1973, eu estava na sala de imprensa do Detran numa tarde modorrenta e chega um cara chamado Osmar Santos. Ele era uma espécie de Messi do futebol naquela época. Ele tinha comprado um Corcel vinho e foi ao Detran para pedir a placa OS-1974, porque ele cobriria a Copa do Mundo do ano seguinte. Enquanto um sargento fazia o serviço, e isso durou umas três horas, eu fiquei conversando com o Osmar. E eu sempre tive tudo na cabeça de rádio, televisão e jornal esportivo, todos os jogadores

Milton Neves

Milton Neves, Sobre o papo com Osmar Santos

O Osmar só ouvia e eu falava, falava, falava. Aí um colega falou assim: 'pô, você encheu tanto o saco do cara que ele foi embora e não falou nada.' Quando dá 17h30 toca meu telefone e era Fernando Vieira de Mello (diretor de jornalismo da Jovem Pan). Falei 'pronto, tô suspenso de novo'. Aí ele me chamou para fazer futebol porque ele queria tirar uma dúvida: 'quero saber se você mentiu para o Osmar ou o Osmar mentiu para mim'. Me botaram no plantão e eu provei ao Fernando que eu era gênio mesmo

E a entrada na cobertura esportiva

Felipão na seleção

Acervo pessoal Acervo pessoal

"O Faustão vai para o céu"

Milton Neves estreou no plantão esportivo da rádio Jovem Pan em 1973 como substituto de Fausto Silva.

Sim, é ele mesmo: o apresentador do Domingão do Faustão das tardes da TV Globo há 30 anos. Antes de brilhar na TV, mas ainda no inconfundível estilo "quem sabe faz ao vivo", Faustão trabalhou na cobertura de esportes e foi companheiro de emissora de Milton Neves. O encantamento foi imediato. "Teve um jogo Itália x Brasil em Roma que ele [Faustão] foi como repórter de campo. Aí voltaram e tudo bem. Um dia estava na minha salinha, que era dele, e ele chegou para apanhar algumas coisas numa gavetinha. Ele estava com um agasalho maravilhoso, italiano, eu falei: 'ô, Fausto, que beleza essa tua japona'. Ele disse que comprou em Roma e tal. Isso foi no sábado."

"Aí no domingo ia ter um São Paulo x Palmeiras. Eu já estava na rádio fazendo plantão de estradas para depois fazer o plantão esportivo quando chega o Fausto com um embrulho na mão. Ele passou lá antes de ir para o Morumbi e falou assim:

- Ó, mineiro, está aqui um presente pra você.

- Pô, é a japona, é a jaqueta!

- Sim, e é de pele de antílope.

- Mas por que você está me dando?

- Porque você gostou. Eu só usei 3 vezes. Gostei também, mas você precisa mais. Pode ficar."

"Aquilo ali foi como se ele tivesse me dado um apartamento. Ele tem um coração de ouro e eu tenho essa jaqueta até hoje. Fui no aniversário de seis ou sete anos do meu filho com ela. Hoje ele tem 38 anos. O Fausto me emociona. Ele vai para o céu direto e merece. É um sujeito bom", diz Milton Neves, que ainda relembra uma campanha feita para arrecadar fundos em prol de um jornalista esportivo das antigas que estava na pior: "O Fausto pegou R$ 50 mil em dinheiro e mandou entregar."

De criatura a criador

Figuras como Osmar Santos, Fernando Vieira de Mello e Fausto Silva participaram do começo da carreira de Milton Neves. E, ao longo de quase 50 anos, alguns nomes foram também "revelados" pelo apresentador. Alguns dos mais simbólicos são Neto, hoje comentarista da Band e apresentador dos programas "Os Donos da Bola" e "Baita Amigos", e Renata Fan, que conduz o "Jogo Aberto" na mesma emissora.

"O Neto estava em uma situação complicada lá em Campinas. Desempregado, gordo, carreira encerrada. A Record dava R$ 2 mil a quem participava do Terceiro Tempo, depois a Band dava US$ 2 mil. Então eu chegava a tirar o Robinho, no auge, para levar o Neto no programa. Tirei o Kaká uma vez também. Aí no ar ele já fazia 10% do barulho que faz hoje e eu falava: 'contrata o Neto, contrata o Neto'. Aí contratou. Ele me agradece até hoje, é um sujeito bom", conta Milton Neves.

Quanto a Renata Fan, Milton diz que fez por ela "muito mais profissionalmente do que fiz pelos meus filhos. Agora se ela é grata ou não, tem que perguntar a ela". A ponta de mágoa do veterano jornalista se explica pelo fato de a apresentadora ter citado Elisabetta Zenatti, então diretora artística da Band, como responsável pelo convite para que ela trabalhasse na emissora. "Renata, eu que botei você na Bandeirantes. Falei: 'você vai que depois eu vou'. E hoje você está muito bem e eu estou muito orgulhoso, viu? Muito orgulhoso."

De 2003 a 2006, Renata Fan foi assistente de palco do Terceiro Tempo, na Record, com Milton Neves. Ela assumiu o Jogo Aberto em janeiro de 2007 e o apresentador chegou à Band em abril do ano seguinte.

O Rei é um homem triste

Milton Neves diz que a dona Celeste, mãe de Pelé, não gosta do filho mais do que ele. Diz também que ninguém falou "Pelé" mais vezes do que ele. É por isso que machuca muito o apresentador quando o Rei do Futebol é hostilizado nas redes sociais. Ele até sabe o tipo de comentário que aparece em qualquer notícia envolvendo o nome do ex-jogador: "Na hora falam da Sandra."

Sandra Regina é filha de Pelé. Fruto de um relacionamento extraconjugal, teve a paternidade reconhecida só aos 32 anos, após uma batalha judicial, mas não houve relação pessoal entre eles. Ela morreu dez anos depois, de câncer, e Pelé não participou do funeral. Ela se definia como "a filha que o Rei não quis". Deu o que falar e até hoje é motivo de reações negativas, para contrariedade de Milton Neves: "O Brasil só vai ver o tamanho do Pelé no dia em que ele morrer. Ele aparece na televisão, no rádio, na internet, no jornal e metade fala 'abandonou a filha, matou a filha'. Vai tomar banho. Ele está doente, coitado do negão, tem filho preso. Ele é um homem triste."

O jornalista já conversou com Pelé sobre este assunto delicado. E conta o que ouviu.

Folha Imagem Folha Imagem

"Pouca gente sabe essa história, mas ele me contou: o Pelé estava levando a vida dele e como sempre sendo procurado por muita gente. Por ser de interesse pessoal ele atendeu, junto com o advogado dele, a Sandra e o marido dela, que contaram para ele da paternidade. O Pelé teve relação sexual com uma moça na época, sei lá, 30 anos antes, olhou para a filha dela, viu aquele olho na nuca igual ao dele, e falou 'ó, então tudo bem'. O Pelé não queria que divulgassem isso: 'o que vocês querem, afinal?' Aí o cara falou: 'nós queremos ajuda' e deu um valor. O Pelé pagou.

Dali dois anos voltaram e queriam que aumentasse. Aumentou. Um ano e meio depois eles voltaram e não claramente disseram: 'se não der nós vamos para a imprensa dizer que você abandonou a filha', que é o que está na cabeça de metade do povo do Brasil. Mas o Pelé aumentou. Seis meses depois voltaram e isso continuou. O Pelé está vivo aí e pode confirmar. Ele concordou com tudo, mas não tinha limite. Ele se sentiu extorquido, entendeu? Esse marido da Sandra, o pastor, ele não gostava, não gosta e nunca vai gostar.

Até que depois que a Sandra morreu esse homem me pediu um favor, que era fazer os netos encontrarem o Pelé. Pô, eu achei que estava fazendo uma coisa maravilhosa. Aí fiquei no saguão do hotel onde estava fazendo um evento com o Pelé e quando ele desceu eu falo: 'Pelé, adivinha quem tá aqui, Pelé, teus netos'. O Pelé fechou a cara por causa da surpresa. Deu uma olhada no marido da Sandra e queria até sair. Mas eu dei uma jogada de beque e falei que pegava mal. Ele tirou foto com os moleques, acho que foi o único encontro."

"O dia em que Pelé me viu": a história que daria um filme

Reprodução/YouTube Reprodução/YouTube

Baixaria ao vivo na televisão: "Cala a boca que é minha vez, sua anta"

Imagine a seguinte situação: dois jornalistas esportivos conceituados e experientes, de veículos diferentes, são reunidos em um programa de TV no domingo à noite com o único e grande objetivo de discutir e trocar acusações. Isso aconteceu em 1997, ao vivo no Mesa Redonda, entre Roberto Avallone e Milton Neves.

O apresentador da TV Gazeta criticou no ar o fato de o apresentador da Rádio Bandeirantes ter sido pago para ser mestre de cerimônias da festa de aniversário do Corinthians. Segundo Avallone, o colega havia "perdido o direito de opinar". Milton Neves pediu direito de resposta e a ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) concordou em fazê-lo na TV, na semana seguinte. O resultado do encontro rendeu ótima audiência na época e hoje tem milhões de visualizações na internet.

Só o nível que foi baixo: "Você é um ignorante", "Cala a boca que é minha vez, sua anta", "Você é medíocre", "Eu vou processá-lo", "Perdoai esta anta que não para de falar" e "Você é um mentiroso" foram algumas das frases ditas. Além de uma discussão sem qualquer fundamento sobre homossexualidade no jornalismo esportivo: "Depois do intervalo, Milton Neves vai dizer se tem algum homossexual nesta mesa", disse Avallone, antes de a câmera dar close em um dos debatedores.

Mais de 20 anos depois, Milton Neves se arrepende do episódio: "Eu não devia ter pedido direito de resposta nenhum. O negócio foi ruim para os dois, foi uma pena. Eu não me vanglorio disso, gostaria muito que não tivesse acontecido. Eu saí como vencedor, mas vitória de Pirro. Isso fez muito mal." O caso rendeu processo, vencido por Milton. Avallone morreu em fevereiro deste ano e não havia mais inimizade com Milton Neves: "Ele foi um dos grandes jornalistas do Brasil."

Mais uma: o chute na bunda de Silvio Luiz

Fernando Moraes/UOL Fernando Moraes/UOL

Pensou em sair ao senado de Minas para vencer Dilma

Milton Neves já flertou com a política. Ao longo de sua carreira de comunicador, recebeu convites para ser candidato a vereador, deputado estadual, federal e senador. Nunca foi seduzido. Mas ele brinca que teve mesmo vontade de sair para senador por um motivo inusitado: evitar que Dilma Rousseff fosse eleita em Minas Gerais nas eleições de 2018.

"Eu estava com medo da Dilma ganhar lá em Minas Gerais e eu comecei a falar [que ia me candidatar]. Se eu me candidatar para qualquer coisa em Minas Gerais, a turma vota em mim, viu. Porque Minas Gerais tem 841 municípios e no Sul de Minas nós temos uns 300 e tanto. Ali eu garanto 'procê'".

Milton, então, decidiu apoiar Rodrigo Pacheco (DEM) no senado mineiro. O candidato acabou vencendo a eleição, enquanto Dilma não passou do quarto lugar. Milton faz duras críticas à ex-presidente e considera sua gestão trágica. Mas, por outro lado, enaltece a honestidade dela.

"Ela foi a pior presidenta, foi trágica, pior política de todos os tempos, além de ridícula, das bobagens que ela falou, entendeu? Mas olha, o [Ricardo] Boechat me lembrava que quando ela entrou na política como presidenta, ela tinha um apartamento em Porto Alegre meia-boca. Ficou sete anos mandando lá e sabe o que ela tem? O mesmo apartamento. Isso aí tem que ser dito".

O "merchan" da Reforma da Previdência

Milton Neves apoia publicamente o governo Bolsonaro e foi sondado para fazer propaganda em favor da Reforma da Previdência. O apresentador diz que faria com gosto por considerar o projeto importante e pediu R$ 500 mil pelo trabalho. Mas as conversas ainda não avançaram.

"Eu fui consultado. O Fábio Wajngarten, que é meu amigo, pegou e falou 'nós escolhemos aqui por consulta algumas pessoas para fazerem, você aceita?'. 'Pô, se aceito, porque eu faço com convicção e com honra, porque se não aprovarem essa bagaça, aí nós vamos acabar de quebrar'. 'Sim, mas quanto você vai cobrar?'. 'Eu quero 500 pau'. 'Tem gente que já pediu mais'. 'Não faz mal, eu só quero 500'".

Milton Neves não quer o dinheiro para fins pessoais. Ele irá destinar metade da quantia ao asilo São Vicente de Paulo e os outros R$ 250 mil à Santa Casa de Misericórdia de Muzambinho. O hospital é o local onde ele, a esposa e os três filhos nasceram.

"Não custa ajudar. Só que não responderam ainda, não. Agora, se não sair o negócio, aí a minha terra lá [vai reclamar]... porque tem uns do contra lá também. 'Tá vendo, mentiroso, deu cano na gente, agora tem que dar do 'borso'. Mas eu não tenho 500 mil do 'borso'", brinca. "Só que o problema é que arrumei sarna, porque eu sou cidadão de umas 70 cidades e todo mundo falou: 'tá bão, você vai dar para a sua cidade e tal, mas, pô, dá um pedacinho pra mim'. Se eu der um pouquinho para cada cidade, sabe o que acontece? Não vai sobrar nada".

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