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Advogado de Nuzman nega irregularidades e critica "espetáculo midiático"

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

05/09/2017 09h19

Horas após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão na casa de Carlos Arthur Nuzman, nesta terça-feira (5), Sergio Mazzillo, advogado do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, afirmou que o dirigente é inocente da acusação de compra de votos na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Ele ainda classificou a operação, batizada de Unfair Play, como “espetáculo midiático”.

"É difícil dizer qualquer coisa porque não tivemos acesso ao processo. Desde já, afirmo que ele não cometeu nenhuma irregularidade. Infelizmente, já se criou esse espetáculo midiático", disse Mazzillo.

Questionado pelos repórteres presentes no local sobre os indícios de compra de votos, o advogado voltou a afirmar que Nuzman é inocente.

"Não existem fortes indícios. Ele não fez nada. Está tranquilo e sereno", declarou.

Mazzillo ainda informou que não se trata de condução coercitiva. Nuzman foi intimado para depor sobre a operação. O presidente do COB teve de entregar seu passaporte para as autoridades responsáveis durante a operação.

Suspeito de intermediar a compra de votos de integrantes africanos do Comitê Olímpico Internacional para a escolha do Rio de Janeiro, Nuzman vai depor ainda nesta terça-feira na sede da Polícia Federal. A investigação também tem como alvo o empresário Arthur César de Menezes Soares, conhecido como "Rei Arthur", investigado por fazer parte do suposto esquema de corrupção na escolha do Rio como sede olímpica. As autoridades cumprem mandados de prisão preventiva para ele e sua sócia Eliane Cavalcante.

Entenda o caso

Em março deste ano uma reportagem do jornal francês Le Monde exibiu que investigação francesa descobriu pagamentos indiretos de Arthur Soares para dois então membros do COI (Lamine Diack e Franck Fredericks) poucos dias antes da eleição em outubro de 2009. Por isso, há uma apuração na Justiça francesa e no Comitê Olímpico internacional (COI) para saber se foram propinas pagas para ajudar o Rio a vencer a eleição olímpica.

Na apuração, foram investigados Franck Fredericks, membro do COI, e Lamine Diack, ex-presidente da IAAF e ex-membro do COI. Segundo o ''Le Monde'', uma offshore de propriedade de Arthur Soares no Caribe enviou um pagamento de US$ 1,5 milhão para uma empresa de Papa Diack, filho de Lamine, a três dias da eleição do Rio. A família Diack já era investigada por envolvimento no escândalo de doping da Rússia.

Posteriormente, Fredericks recebeu um pagamento de Papa Diack de parte do valor. Ele afirmou que prestou serviços esportivos relacionados a eventos na África e apresentou o contrato ao COI.

Arthur Cézar de Menezes Soares já era investigado pelo Ministério Público Federal na ''Operação Calicute'' por suas ligações com o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral. Suas empresas tinham contratos bilionários com o governo do Estado. Sua proximidade com Cabral, que era o governador na eleição do Rio, era responsável pelo apelido de ''Rei Arthur''.

Conforme noticiou o UOL Esporte, o grupo empresarial ligado a Arthur Soares assinou seis contratos com o Comitê Rio-2016 para serviços de mão de obra, limpeza e alimentação, entre outros itens. Segundo o comitê, o valor total foi de R$ 80 milhões. 

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