Esporte

Lava Jato mira escolha do Rio-2016; PF faz busca no COB e em casa de Nuzman

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

05/09/2017 06h43

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (05) mandado de busca e apreensão na casa do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, e na própria sede da entidade. A operação, batizada de Unfair Play, é um desdobramento da Lava Jato e investiga compra de votos e pagamento de propinas na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

O presidente do COB é apontado como suspeito de intermediar a compra de votos de integrantes africanos do Comitê Olímpico Internacional para a escolha da cidade do Rio de Janeiro. Nuzman deixou sua residência levado pelos oficiais para depor na sede de Polícia Federal. Como há suspeitas que o presidente do COB tenha nacionalidade russa, ele foi proibido de deixar do país e entregou todos seus passaportes.

Na casa do dirigente foram apreendidos documentos e um computador. Além da residência e da sede do COB, a empresa de palestras de Nuzman também passou por busca da Polícia Federal.

A investigação também tem como alvo o empresário Arthur César de Menezes Soares, conhecido como "Rei Arthur", investigado por fazer parte do suposto esquema de corrupção na escolha do Rio como sede olímpica. Ele e sua sócia, Eliane Cavalcante, ainda são investigados por suspeita de desvio de recursos e lavagem de dinheiro de contratos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral. 

As autoridades cumprem mandados de prisão preventiva contra "Rei Arthur" e Eliane Cavalcante, além de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na cidade do Rio de Janeiro (Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré), no município de Nova Iguaçu/RJ e em Paris/França. Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Arthur César Soares reside em Miami, nos Estados Unidos, e deve entrar na lista de procurados da Interpool.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que, através de Arthur Soares, Cabral pagou um total de US$ 2 milhões em propina na compra de voto do presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack.

“Ele nada mais fez do que repassar a propina que pagaria a Sérgio Cabral diretamente para o senegalês, em troca dos votos pela escolha da cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Somadas as investigações realizadas pelos Ministérios Públicos Brasileiro e Francês, temos o ciclo completo de como ocorreu a venda de voto para escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que teve como vencedora a cidade do Rio de Janeiro”, disseram os procuradores da força-tarefa do MPF.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente, com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros. 

A investigação contou com a colaboração do MP francês. Inicialmente, os procuradores franceses apuravam caso de doping no atletismo. Com o desdobramento da investigação, o MP da França descobriu existência de um esquema de compra de votos para Olimpíadas do Rio. A Justiça francesa acionou a Polícia Federal brasileira para cooperação na investigação.

Advogado de Nuzman, Sergio Mazillo negou que o presidente do COB esteja envolvido em qualquer irregularidade. "Desde já afirmo que ele não cometeu nenhuma ilegalidade. Infelizmente é esse espetáculo midiático. Não existem fortes indícios, ele não fez nada", afirmou.

Entenda o caso

Em março deste ano uma reportagem do jornal francês Le Monde exibiu que investigação francesa descobriu pagamentos indiretos de Arthur Soares para dois então membros do COI (Lamine Diack e Franck Fredericks) poucos dias antes da eleição em outubro de 2009. Por isso, há uma apuração na Justiça francesa e no Comitê Olímpico internacional (COI) para saber se foram propinas pagas para ajudar o Rio a vencer a eleição olímpica.

Na apuração, foram investigados Franck Fredericks, membro do COI, e Lamine Diack, ex-presidente da IAAF e ex-membro do COI. Segundo o ''Le Monde'', uma offshore de propriedade de Arthur Soares no Caribe enviou um pagamento de US$ 1,5 milhão para uma empresa de Papa Diack, filho de Lamine, a três dias da eleição do Rio. A família Diack já era investigada por envolvimento no escândalo de doping da Rússia.

Posteriormente, Fredericks recebeu um pagamento de Papa Diack de parte do valor. Ele afirmou que prestou serviços esportivos relacionados a eventos na África e apresentou o contrato ao COI.

Arthur Cézar de Menezes Soares já era investigado pelo Ministério Público Federal na ''Operação Calicute'' por suas ligações com o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral. Suas empresas tinham contratos bilionários com o governo do Estado. Sua proximidade com Cabral, que era o governador na eleição do Rio, era responsável pelo apelido de ''Rei Arthur''.

Conforme noticiou o blog do Rodrigo Mattos, o grupo empresarial ligado a Arthur Soares assinou seis contratos com o Comitê Rio-2016 para serviços de mão de obra, limpeza e alimentação, entre outros itens. Segundo o comitê, o valor total foi de R$ 80 milhões. 

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