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Trans fazem caravana em apoio a Tifanny. "Só tenho a agradecer", diz atleta

Felipe Pereira/UOL Esporte
Caravanas de trans comparecem a jogo entre Bauru x Osasco para apoio a Tifanny Imagem: Felipe Pereira/UOL Esporte

Felipe Pereira

Do UOL, em Osasco

05/02/2018 04h00

Ser a primeira atleta transexual a jogar uma liga profissional transformou Tifanny em um símbolo. Ela teve o nome gritado no ginásio do adversário por torcedores trans que foram a Osasco ver a partida contra o Vôlei Nestlé na sexta-feira, pela Superliga feminina. Acabada a partida, atendeu aos chamados e colou na grade para tirar selfies com dezenas de pessoas. Tanto interesse ocorre porque a jogadora encarna a luta por direitos e oportunidades para a comunidade trans.

Como forma de reconhecimento apoio, estas pessoas organizaram uma caravana para assistir ao Bauru. As cortadas de Tifanny foram incentivadas por gente como Duda Leão, 33 anos, que segurava um cartaz em apoio a jogadora. Ela nunca havia pisado em um ginásio de vôlei, mas estava na área delimitada por uma bandeira do arco-íris porque enxerga na atleta um avanço que precisa ser defendido. “Desde sempre somos excluídas de vários espaços. A Tifanny representa uma mudança e estou aqui por uma causa”.

As 42 pessoas que estavam na torcida usavam palavras como “guerreira, inspiradora e pioneira” para definir a jogadora. Organizadora da caravana, Amara Moira, 32 anos, explicou que quase todos os participantes moram em São Paulo e combinaram pelo Facebook de se encontrarem no metrô e seguirem juntos para a partida. A maioria era de trans, mas também haviam gays e pessoas cis (pessoa que se identifica com o próprio gênero).

Muitos não estavam acostumados com o ambiente esportivo e achavam lindos os gritos da torcida, a música nos intervalos e a vibe do ginásio. Mas as mulheres trans reclamaram que a segurança feminina se recusou a fazer a revista. O Vôlei Nestlé informou que vai apurar o caso.

Tanta atenção sensibilizou Tifanny que comentou a caravana. “Você vê que coisa linda. As pessoas precisam entender que ser transexual não é motivo de ser marginalizada. A gente tem direito de viver na sociedade com amor e carinho como todo mundo. Só tenho a agradecer as meninas por virem e dar apoio.”

Samir Chervencov, 26 anos, não é trans e estava na torcida que se intitulava #TeamTifanny. Gay, ele elogiava o ineditismo e a coragem da jogadora. “É um símbolo de representatividade e conquista de espaço. Ela está quebrando barreiras e fazendo algo que a gente nunca viu”.

Felipe Pereira/UOL Esporte
Imagem: Felipe Pereira/UOL Esporte

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