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Léo Moura e Neymar tornaram o corte moicano um símbolo da boleiragem

Léo Moura e Neymar tornaram o corte moicano um símbolo da boleiragem

09/01/2012 - 06h02

Léo Moura brinca com Neymar, reivindica autoria do moicano e não descarta saída do Flamengo

Pedro Ivo Almeida
Do UOL, em Londrina (PR)

No elenco do Flamengo, Léo Moura é o "último dos moicanos", com sete anos de casa e representante de uma geração que ganhou os principais títulos do clube nos últimos tempos. Mas no mundo do futebol, o lateral-direito "briga" para ser reconhecido como o primeiro entre os jogadores que adotaram o penteado que se tornou sinônimo da boleiragem e provoca Neymar, dono das madeixas mais famosas atualmente.

ÍDOLO, CAMPEÃO E HOMEM DE CONFIANÇA

  • Alexandre Vidal/ Fla Imagem

    Jogador mais antigo do elenco, Léo Moura também é um dos homens de confiança de Luxemburgo

  • Divulgação

    Ídolo da torcida rubro-negra, Léo Moura ganhou card especial preparado pelo marketing do clube

  • Buda Mendes/ UOL

    Léo Moura comemora o título brasileiro de 2009, um dos seis conquistados com a camisa do Fla

"O Neymar meteu aquele moicano e faz sucesso no mundo inteiro agora, mas eu que comecei com isso lá atrás. O pessoal tem que reconhecer e respeitar. Ele só deu uma força, ajudou a popularizar", brinca Léo, durante a entrevista exclusiva concedida ao UOL Esporte no CT da SM Sports, em Londrina (PR), onde o rubro-negro realiza sua pré-temporada.

O bom humor não chega a ser uma novidade no jogador, que só fecha o semblante quando lembra que o vínculo profissional com o clube do coração está chegando ao fim. Com contrato até o fim de 2012, o lateral-direito não gosta de falar do futuro, mas, em tom de despedida, não descarta uma saída do Flamengo e já faz até planos caso a vida longe da Gávea se torne uma realidade.

"É claro que eu não quero isso, nem a torcida, mas também preciso pensar na minha família. Talvez chegue a hora de ganhar dinheiro, de aceitar uma proposta financeira melhor. Quem sabe uma proposta do mundo árabe. Jogar mais uns dois, três anos por lá. Vou procurar bons contratos porque sei que o dinheiro não entra mais desse jeito depois que acaba a carreira", revelou o jogador, que também fez um balanço de sua carreira, comentou a amizade com Ronaldinho Gaúcho e disse que ainda é muito cedo para o Flamengo pensar em título da Libertadores.

UOL Esporte: Com 33 anos, em final de contrato e ciente de que sua posição exige muito condicionamento físico, o que esperar para o futuro?

Léo Moura: Ainda tenho um ano de contrato e não sei o que vai acontecer depois aqui no Flamengo. Ainda assim, acredito que posso jogar em alto nível por mais três ou quatro anos. Se não for aqui, que seja em algum lugar que eu possa garantir um bom futuro para a minha família.

UOL: E o que seria 'garantir um bom futuro' para a sua família fora do Flamengo?

LM: Eu tenho uma gratidão eterna e um amor muito grande pelo Flamengo. Por isso, não gostaria de projetar muito algo longe daqui. Mas tenho que aceitar essa ideia e penso em aceitar uma proposta financeira que possa dar uma tranquilidade para minha esposa e para a minha filha. É claro que eu não quero isso, nem a torcida, mas também preciso pensar nelas. Talvez chegue a hora de ganhar dinheiro, de aceitar algo melhor. Quem sabe uma proposta do mundo árabe. Jogar mais uns dois, três anos por lá, fazer o "pé de meia" e depois voltar tranquilo para o Brasil. Tem que garantir o futuro para não ter problemas depois. Mas eu também quero deixar claro para toda a torcida que eu vou tentar continuar aqui. Se não conseguir, acharem que não dá mais, aí penso em algo fora.

UOL: Enquanto essa proposta não chega, quais são as suas projeções para este último ano pelo Flamengo?

LM: Penso em muitas coisas, mas o grande objetivo é ganhar uma Libertadores. Sei que tenho uma história, ganhei Carioca, Copa do Brasil, Brasileiro, mas a Libertadores é especial. Nestes últimos tempos, com o pessoal de 1981, tive a oportunidade de ver o quanto isso marca a carreira de um jogador. É isso o que eu penso para este último ano de contrato, além de apagar a temporada que passou.

LÉO MOURA NO FLAMENGO

  • 368

    jogos

    disputou o jogador desde 2005

  • 39

    gols

    marcados pelo rubro-negro

  • 33

    anos

    Léo nasceu em 23/10/1978

  • 7

    temporadas

    O camisa 2 chegou em junho/2005

  • 6

    títulos

    Léo Moura ganhou um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil e quatro Campeonatos Cariocas

UOL: Você não gostou do último ano (2011) pelo Flamengo?

LM: Acho que estive bem longe do meu ideal, não fui o que eu tinha que ser. Procuro estar jogando sempre no meu limite, me doando ao máximo, e sei que não consegui fazer isso no ano passado. Tive uma lesão no joelho no meio do ano e os seis meses até o fim do campeonato brasileiro foram muito difíceis. Tentei muito, me dediquei, mas sabia que estava atuando bem abaixo do meu potencial. Por isso que botei na minha cabeça que preciso recuperar esse semestre que eu tive. Tenho condições e vou voltar a ser o Léo Moura dos outros anos.

UOL: Com estas atuações abaixo da média no final de 2011, existe algum medo pela cobrança do torcedor para 2012?

LM: Sei que torcedor é passional e costuma reagir ao que está acontecendo no momento, esquecendo até do passado de cada jogador. Mas também sei que eles se cobram de quem se pode esperar alguma coisa, de quem tem potencial. Estive presente nos últimos títulos, fui bem na conquista do Carioca do ano passado e acho que eles devem lembrar disso.

UOL: Além de todas estas conquistas, o que mais te marcou nestes sete anos de Flamengo?

LM: Todos os títulos foram inesquecíveis, mas os momentos ruins também não saem da cabeça. Brigamos contra o rebaixamento em alguns anos e isso marca demais. É difícil, você pensa em várias coisas, mas também ajuda a amadurecer. Se ganhei tudo depois daquilo, foi porque tirei lições daqueles momentos conturbados. Ainda bem que o saldo é positivo.

DUELO DE MOICANOS

Fernando Pilatos/ UOL
O Neymar meteu aquele moicano e faz sucesso no mundo inteiro agora, mas eu que comecei com isso lá atrás. O pessoal tem que reconhecer e respeitar. Ele só deu uma força, ajudou a popularizar.

Léo Moura brinca com o famoso penteado

UOL: Hoje, voltando a disputar competições internacionais, quais são as reais chances do Flamengo na Libertadores?

LM: É claro que vamos entrar e pensar em título, mas a coisa não é tão fácil. Existem outros grandes times, como Vasco, Corinthians, Santos, Boca, Peñarol, além dos clubes que jogam na altitude. Ainda é cedo para pensarmos em título. Como o Vanderlei fala, temos que procurar estar sempre disputando. Além disso, não estamos com o grupo completo ainda e isso acaba prejudicando a preparação. Temos um elenco forte, mas ainda faltam algumas peças, principalmente de reposição.

UOL: Além da falta de reforços, a falta de pagamento de direitos de imagem também prejudica o grupo?

LM: Por mais que todos falem, isso é uma coisa normal. Todo mundo quer receber o que tem direito, mas a nossa preocupação no momento é não deixar que estes outros assuntos interfiram no rendimento dentro de campo. Vamos evitar pensar nisso.

UOL: Esse discurso mais racional, evitando as polêmicas, combina com os cabelos brancos...

LM: Exatamente, a maturidade nos ajuda a evitar problemas (risos). Minhas preocupações agora são outras, como a minha família, minha filha, meus amigos. Com o tempo, vamos amadurecendo e mudando alguns hábitos.

UOL: Mas o moicano não mudou desde que você chegou. Vai manter?

LM: Claro! Enquanto estiver jogando, vou manter isso aqui. Virou uma marca minha. O Neymar meteu aquele moicano e faz sucesso no mundo inteiro agora, mas eu que comecei com isso lá atrás. O pessoal tem que reconhecer e respeitar. Ele só deu uma força, ajudou a popularizar.

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UOL: Falando em craque, como é a convivência com Ronaldinho Gaúcho?

LM: É um sonho para mim. Quando criança, a gente sempre pensa em jogar com os melhores do mundo. E o Ronaldo é uma pessoa da melhor qualidade. Importante para o grupo dentro e fora de campo. Brincalhão, sorridente, amigo de todo mundo. Está sempre dando conselho aos mais novos, incentivando. É um jogador que a gente sempre sonhou em ter no grupo e hoje está ali com a gente. Espero que o sucesso agora possa ser maior ainda dentro de campo. Sei o quanto ele tem vontade de fazer história pelo Flamengo. Temos uma grande oportunidade na Libertadores. Vamos tentar realizar esse sonho dele, meu e de toda a torcida. Espero poder falar no final da carreira que ganhei a Libertadores e joguei com o Ronaldinho.

UOL: O discurso parece cada vez mais de despedida. Essa é a sua ideia?

LM: Não posso falar isso pois ainda tenho um ano e muita coisa para fazer, mas sei que um dia isso tudo acaba. Penso em fazer um ano melhor que 2011, voltar a ganhar títulos e marcar meu nome cada vez mais. Sempre coloquei abertamente a vontade de encerrar a carreira aqui, mas se tiver que ir para outro lugar, vou sem problemas. O que importa é a consciência tranquila e o dever cumprido pelo Flamengo.

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