Falta de limpeza, morte e leilão: 8 fatos do trágico ano da Portuguesa

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

  • Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Torcida da Lusa em jogo contra o Juventus no Canindé pela A2 do Paulistão.

    Torcida da Lusa em jogo contra o Juventus no Canindé pela A2 do Paulistão.

Ainda falta mais de um mês para acabar, mas 2016 já entrou para a história como o pior ano nos 96 anos existência da Portuguesa. Semana sim, semana não, o torcedor da Lusa tem sido surpreendido com notícias cada vez piores sobre o clube em todas as frentes: infraestrutura sob risco, diretoria omissa, elenco duvidoso, deserções, dívidas trabalhistas e desempenho abaixo da linha da crítica nos campeonatos foram alguns dos dissabores enfrentados pela torcida.

A impressão é que, para a Lusa, 2016 não acaba nunca. Até agora, não houve nenhuma boa nova sobre o time neste ano e motivo de comemoração recente, só mesmo o fato de não ter aparecido ninguém para arrematar o Estádio do Canindé em leilão promovido pela justiça trabalhista, na semana passada. Entre um dissabor e outro, o ano foi passando, o torcedor foi levando e os revezes foram sucedendo-se. A eleição da nova diretoria está marcada para o dia 5 de dezembro, e quem assumir terá muito trabalho pela frente na tentativa de levantar o clube histórico da zona norte de São Paulo.

Com 2016 próximo ao fim, listamos oito crises vividas pela Portuguesa neste ano. Será que ainda há tempo para acontecer mais alguma coisa? Confira:

1. Rebaixamento para a 4ª divisão do Brasileiro

Tiago Dantas
Torcedor protesta contra rebaixamento da Portuguesa na Avenida Paulista (21.12.2013).

Neste ano, a Portuguesa chegou ao fundo do poço no Campeonato Brasileiro. O time foi rebaixado para a quarta e última divisão da competição mais importante no calendário do futebol profissional. Foi uma campanha medíocre: em 18 jogos, a Lusa perdeu 12, empatou dois e venceu apenas quatro. Terminou em penúltimo lugar no Grupo B. Foi o quarto rebaixando em três anos.

2. Renúncias e time fica sem comando

A Portuguesa teve neste ano dois presidentes que renunciaram em meio à crise. Primeiro foi Jorge Manuel Marques Gonçalves, ainda no começo do ano em março, quando o time estava ameaçado de cair para a terceira divisão do Paulistão. Novas eleições e o rebaixamento para a quarta divisão do Campeonato Brasileiro depois, foi a vez de José Luiz Ferreira de Almeida desistir do cargo depois de seis meses de gestão. Os últimos quatro mandatários eleitos do clube renunciaram. Para fechar, o time também ficou sem técnico após a queda, situação que perdura até hoje.

3. Volante é afastado após flagra torcendo para o São Paulo

O volante Renan surpreendeu e revoltou a torcida da Portuguesa quando saiu a notícia, com fotos, dele torcendo para o São Paulo em uma partida no Morumbi, em março. O ex-atleta do tricolor paulista não foi perdoado pela diretoria e foi afastado do elenco.

4. Rotina de salários atrasados e falta de condições  

O elenco apresentou-se em novembro após a queda, e está há três meses sem receber salários. O time diz que está regularizando a situação, e enquanto isso atletas relataram a órgãos de imprensa que nem almoço tinha no Centro de Treinamento do clube na última semana.

5. Teve até morte de jogador da base na piscina

Reprodução
Lucas Santos era jogador do time sub-17 da Portuguesa

No dia 20 de outubro, em meio à crise, uma tragédia: o jogador da base Lucas Santos, de 16 anos, foi encontrado morto boiando na piscina do clube. Na tarde anterior, um churrasco havia sido promovido no local para comemorar o desempenho do time sub-17. Conclusões preliminares da investigação policial apontam que o jovem morreu de congestão.

6. Time foi suspenso por dívida, mas conseguiu reverter

Uma dívida de R$ 14 mil fez com que a Lusa ficasse suspensa na FPF (Federação Paulista de Futebol) e corresse o risco de não poder disputar a segunda divisão do Paulistão e a Copa São Paulo de juniores no ano que vem. A pendência, que fez ainda com que o time não tivesse voz ativa na organização dos campeonatos, foi sanada e o time confirmado nas competições.

7. Canindé vai a leilão, mas ninguém aparece para comprar

Apu Gomes/Folhapress
Estádio do Canindé, na zona norte de São Paulo.

Em meio à crise financeira e no departamento de futebol, dívidas e processos trabalhistas que se arrastam há anos na Justiça fizeram que com que o estádio do Canindé Fosse levado a leilão neste mês. Com um lance inicial de R$ 74 milhões, o leilão do estádio avaliado em mais de R$ 130 milhões não teve nenhum lance e deve ser remarcado.

8. Canindé está interditado por falta de limpeza

A última novidade ruim neste ano, até o momento, foi a interdição do estádio do Canindé por falta de condições sanitárias. Um mutirão feito por diretoria e torcedores até que tentou dar jeito na situação nos dois finais de semana anteriores à inspeção, mas não teve jeito e a Portuguesa está proibida de jogar em casa. O clube diz que está atrás de uma solução e vai resolver o problema antes da próxima temporada.

UOL Cursos Online

Todos os cursos