Punições a F. Melo e Palmeiras põem em xeque lobby da CBF na Conmebol

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Corsi/FPF

    Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol

    Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol

O debate nos tribunais entre Peñarol e Palmeiras teve o time alviverde como claro perdedor. A derrota coloca em xeque a representatividade brasileira na Conmebol e volta a despertar entre os brasileiros a sensação de impotência quando há uma disputa na entidade sul-americana.

O episódio representa uma derrota importante para Reinaldo Carneiro Bastos. Ele é presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), diretor da CBF e membro do Comitê Executivo da federação continental. Como não pode contar com a ajuda in loco do presidente Marco Polo Del Nero, que não faz viagens para fora do país com receio de ser detido pelos escândalos de corrupção do futebol, ele é o único que faz lobby em defesa dos seus compatriotas.

Em entrevista ao UOL Esporte, Reinaldo reconheceu que a punição dada pela Conmebol foi desproporcional. "Não foi feita justiça no caso entre Palmeiras e Peñarol. A proporção das penas não foi correta", disse o cartola.

Felipe Melo, que foi acuado pelos uruguaios no meio da briga, sofreu seis jogos de punição. Os outros atletas do time uruguaio que começaram a confusão e agrediram Fernando Prass e Willian ficarão cinco jogos afastado. Além disso, o Palmeiras precisará jogar três partidas como visitante sem poder levar torcida. O Peñarol, por sua vez, atuará uma vez em casa sem abrir os portões para seus apoiadores. O time brasileiro se revoltou e soltou nota chamando o caso de "escárnio".

Aos clubes, Reinaldo alegou que a composição do Tribunal é decidida pelo Congresso da Conmebol e que o funcionamento do julgamento é estritamente técnico. Ele afirma que nem mesmo o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, pode interferir na decisão. O mandatário da FPF, no entanto, afirmou que ajudará o Palmeiras a recorrer.

O discurso vai contra a expectativa dos brasileiros, que há um ano decidiram abandonar o projeto da Liga Sul-Americana, que ameaçava a Conmebol politicamente com uma união entre dos clubes mais poderosos do continente. Em julho de 2016, o cartola convenceu os paulistas de que daria força e representatividade aos times do país nas decisões da confederação.

O dirigente conseguiu vitórias importantes, como o aumento da premiação aos clubes na Libertadores, mas falhou em um dos episódios que voltaram a deixar os brasileiros revoltados com a entidade sul-americana.

Ao comprar o discurso de Reinaldo, os paulistas se retiraram em bloco e acabaram com a única tentativa de combater o poder da Conmebol. Depois de verem Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos debandarem do grupo, os demais times do país ficaram sem o poder de barganha que esperavam. Romildo Bolzan Júnior, cartola gremista, foi até nomeado presidente, mas o grupo foi esvaziado.

Vale destacar que o atual presidente palmeirense, Maurício Galiotte era vice de Paulo Nobre quando o time tomou a decisão. 

A Liga já tinha sede definida para o Uruguai e trabalhava na criação de um estatuto. O grupo contava com a participação de times de todo o continente. Além da tentativa de recorrer, Reinaldo terá seu poder de lobby testado novamente no episódio da Chapecoense. O time de Santa Catarina corre o risco de perder pontos por escalar um atleta que estava em condição irregular.

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