Corinthians e Palmeiras peitam autoridades em Paulistão dominado pela PM

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Vorley/AGIF

    Corinthians briga pelo direito de treinar diante de seus torcedores no sábado

    Corinthians briga pelo direito de treinar diante de seus torcedores no sábado

Em uma entrevista coletiva marcante, no dia 6 de fevereiro de 2015, o então presidente corintiano Mário Gobbi questionou Ministério Público, Federação Paulista, Polícia Militar e até o Palmeiras, que enfrentaria dois dias depois no Allianz Parque. Na época, as instituições tentaram, pela primeira vez de forma enfática, o clássico com torcida única. Gobbi prometeu: o Corinthians não jogaria se seus torcedores não pudessem estar lá e venceu a queda de braço na ocasião. O embate, de certa forma, se repete três anos depois. 

O posicionamento firme de Andrés Sanchez sobre o treino aberto à torcida, no próximo sábado, véspera de final entre Corinthians e Palmeiras no Allianz, confrontou pela primeira vez em alguns anos os dirigentes paulistas e as autoridades que tentam, para coibir a violência entre torcidas organizadas, controlar o mando das partidas - e agora até mesmo treinamentos - no estado de São Paulo.

Horas depois, na esteira do rival, o Palmeiras deixou de lado seu posicionamento recente nesta área e anunciou que também vai manter o plano de um treino aberto na véspera da grande final. O acúmulo de aglomerações contraria a orientação de PM e MP, que dizem não ser possível controlar a movimentação de duas torcidas ao mesmo tempo em São Paulo. Em entrevista ao Sportv, Paulo Castilho, promotor do Ministério Público, chegou a falar que a responsabilidade sobre qualquer incidente seria dos clubes, que sustentam, por sua vez, que podem promover eventos em seus estádios, sendo a segurança fora dos locais uma prerrogativa do poder público. 

É um impasse até certo ponto inesperado em um Paulistão que tem a marca da Polícia Militar e do Ministério Público na tomada de decisões importantes. Amparadas pela redução de violência com os clássicos de torcida única a partir de abril de 2016, justamente após episódio de violência entre organizadas de Corinthians e Palmeiras, as autoridades ampliaram a restrição para além dos quatro grandes neste ano. A Ponte Preta passou a ser impedida de receber as torcidas dos maiores times de São Paulo - e também teve os seus fãs proibidos de irem aos jogos contra essas equipes. Mas foi no mata-mata que a influência cresceu. 

PM influencia na tabela das quartas de final. E os treinos?

Divulgação/CBF
Paulo Castilho quer que Palmeiras ou Corinthians mudem treino aberto no sábado

Com Santos, São Paulo, Palmeiras e Corinthians entre os finalistas, a PM e o MP pressionaram e conseguiram a mudança de toda a tabela para a fase de quartas de final. Na avaliação do promotor Paulo Castilho, a convivência e a segurança entre torcedores organizados se tornou impossível, o que justificaria esse movimento que agora tenta controlar até a agenda de treinos dos grandes clubes na véspera da finalíssima.  

"Temos atuado muito forte na prevenção e combate à violência. Isso nos permitiu um aumento de público no estádio, de mulheres e crianças. Conseguimos reduzir em jogos de torcida única 72% de ocorrências na capital. Por isso, devemos agir com responsabilidade, serenidade e falando em prevenção a preocupação é que entre os treinos recebam aproximadamente 50 mil pessoas", declarou ao Sportv.

"Eles [corintianos e palmeirenses] usam a mesma linha do metrô, que liga a Barra Funda até Itaquera. Portanto, é inevitável que torcedores pertencentes de torcida organizada, que se portam de maneira violenta e ignorante, encontrem torcedores adversários. É imponderável, temos que agir preventivamente. Não temos por que correr este risco, porque temos um campeonato tranquilo, com vários clássicos, uma movimentação de mais de 200 mil torcedores sem nenhuma ocorrência", ainda disse o promotor. 

A afirmação de Castilho, entretanto, não é precisa. No início de março, um torcedor corintiano foi morto e outros 21 foram detidos por uma confusão que envolveu santistas antes de clássico entre as duas equipes no Pacaembu. O confronto ocorreu em Itaquaquecetuba, a 45 quilômetros da capital. Ao longo do período de vigência da torcida única, outros episódios de violência seguiram ocorrendo fora do estádio, todos ligados a organizadas. Nenhum capaz de fazer as autoridades reavaliarem se isolar rivais em dias de jogos ou treinos é mesmo a melhor solução. 

"O saldo é muito positivo para corrermos um risco desnecessário. Nossa preocupação é com o deslocamento dessas massas, sem nenhum controle", advertiu Castilho.

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