Após carta relatando medo de facções em prisão, TJ-RJ solta corintianos

Aiuri Rebello e Bruno Braz

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

  • Armando Paiva/AGIF

    Torcida do Corinthians entra em confronto com a Polícia no Maracanã.

    Torcida do Corinthians entra em confronto com a Polícia no Maracanã.

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) mandou soltar nesta terça-feira (17) os 27 corintianos que ainda estavam presos no Complexo Penitenciário de Bangu, acusados de envolvimento em briga com PMs e torcedores do Flamengo no Maracanã após jogo entre os dois times em 23 de outubro. A decisão foi tomada quatro dias depois de alguns dos torcedores presos terem divulgado uma carta onde relatavam medo de serem mortos em meio a guerra de facções que se alastra desde a virada do ano nos complexos penitenciários do país.

Os corintianos estavam presos sem julgamento, de maneiro preventiva, havia mais de 80 dias. O juiz Marcelo Rubiolli, do juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares de restrição ao grupo de torcedores do Corinthians. Fora da cadeia, os corintianos terão de comparecer ao juízo da Comarca de domicílio para informar e justificar as suas atividades até o fim do processo criminal, que segue aberto.

Na ocasião da prisão, a PM carioca mandou as mulheres e crianças saírem, após o jogo, e manteve detidos na arquibancada 3.000 corintianos para identificação. Ao todo, 31 deles foram presos. No grupo, estão alguns que comprovadamente não estavam na confusão. Câmeras de segurança mostram eles em outros pontos da arquibancada na hora da briga ou mesmo fora do estádio, mas seguem presos.

No dia seguinte, a Justiça transformou a prisão em flagrante dos torcedores em preventiva. Na decisão da juíza Marcela Caram, constavam imagens de TV de apenas quatro dos 31 presos. Os outros foram reconhecidos por quatro policiais. Desde então, dois deles haviam conseguido habeas corpus e um menor foi solto pela Vara da Infância e da Juventude, ao constatar que ele não participou da briga. Em meados de dezembro, mais um corintiano foi solto.

A denúncia do Ministério Público contra os torcedores é de tumulto em eventos esportivos, lesão corporal, dano ao patrimônio público, resistência, corrupção de menor e associação criminosa. Se condenados, as penas podem chegar a 21 anos de prisão.

Torcedores ficam proibidos de assistir aos jogos do Corinthians

Os torcedores ficarão proibidos de comparecer aos jogos e outros eventos esportivos do Corinthians, seja o clube mandante ou não da partida, em todo o território nacional. Nos dias de jogo, os réus deverão comparecer e permanecer nas delegacias de polícia distritais, uma hora antes e até meia hora depois do evento.

O magistrado determinou também a expedição dos alvarás de soltura. Com isso, os corintianos devem começar a deixar a prisão a qualquer momento. Na sexta-feira (13), o juiz já havia mandado "soltar" um grupo de dez corintianos que não estavam presos. 

São réus no processo: Alexandre Gomes da Silva Pereira;  Wagner Vinicius Ferreira, Eder Felipe de Oliveira, Rogério Aparecido dos Santos, Bruno da Costa Zacharias, Edilson Feliciano da Silva Filho, Willian Santos Gomes, Jabes Naan Pinheiro de Sousa, André Ricardo David dos Santos, Gustavo Inocêncio Meira Rosário, Kauan Gentil, Anderson Zanqueta da Silva, Sidnei Barbosa Silva , Wesley Alves da Silva,  Edson Rodrigues ,  Eduardo Ramos Veronez, Victor Hugo Souza de Oliveira, Michael Ricci Alves de Godoy, Isaias Aparecido da Mota, Elton Santana Rodrigues Borges, André Luis Tavares da Silva, Rodolfo da Silva Barreto, Jamary Mauri Ribeiro Neto, Tiago de Lima Rodrigues, Vinicios Cassimiro Fernandez de Souza, Lidiomar Feitosa da Silva, Renan Leal Salgado, Fabio Barbosa Tome, Leandro da Silva Coelho e Lucas Uanderson Silva Santos.

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