Ídolo histórico ofereceu Balbuena de graça, mas Grêmio não quis

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Alan Morici/Framephoto/Estadão Conteúdo

    Balbuena, que ganhou apelido de General, fez gol da vitória contra o Flu no domingo

    Balbuena, que ganhou apelido de General, fez gol da vitória contra o Flu no domingo

Os quatro gols nas últimas cinco semanas ampliaram o destaque do zagueiro corintiano Fabián Balbuena. Um dos principais jogadores do líder do Campeonato Brasileiro, o defensor poderia estar do outro lado da briga pelo título. 

Sim, Balbuena poderia ter sido jogador do Grêmio, e justamente pelas mãos de um histórico jogador gremista da década de 1990. Ídolo dos gaúchos, o zagueiro paraguaio Rivarola, compatriota do hoje defensor corintiano, foi pessoalmente ao Estádio Olímpico em janeiro de 2013 para oferecer o jovem destaque ao presidente Fábio Koff e ao diretor executivo Rui Costa.

"Eu e meu amigo, Odair dos Santos, compramos o jogador e fomos trabalhando. Trabalhávamos no gerenciamento dele e, na época, a gente queria dar de graça ao Grêmio. Sem pedir nada, só pelo salário. Sabíamos que ele iria adiante. Eu joguei na posição, tinha certeza disso", conta Rivarola ao UOL Esporte - com a camisa gremista, ganhou ele Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Brasileiro, Libertadores e Gaúcho entre 1995 e 97. 

Com 21 anos na época e em uma equipe pequena do Paraguai, Balbuena tinha cinco convocações pela seleção principal no currículo. "Eu sempre me pergunto porque não aceitaram. (...) Eles não aprovaram e fiquei meio triste porque sabia que o Balbuena ia chegar no que já demonstrou. Depois disso, ele foi jogador no Rúbio Ñu-PAR, no Nacional-PAR, e nós vendemos 50% para o Libertad-PAR", cita sobre os clubes em que Fabián foi atuar. 

Segundo fontes da direção gremista na época, Balbuena ainda era um jogador muito jovem e que não despertou tanto interesse. Em 2013, o Grêmio utilizou outros nove zagueiros: os experientes Werley, Cris, Gabriel e Rhodolfo, além dos jovens Saimon, Bressan, Rodrigo Sabiá, Gerson e Grolli. No fim daquele mesmo ano, o clube contrataria Pedro Geromel, que se transformou em referência do time e selecionável. 

Rivarola destaca as qualidades do 'general' corintiano

Arquivo pessoal
Rivarola hoje é empresário de futebol

"Ele chamava atenção pela seriedade, tinha muitas condições para jogar. Um cara que fala muito bem, que é muito bom para o grupo. Sempre era o capitão do time em que atuava mesmo muito jovem, e hoje é capitão do Corinthians", comenta Rivarola. Hoje, no elenco dirigido por Fábio Carille, há um rodízio de braçadeira entre diversos jogadores. O o paraguaio é, de fato, um dos que mais atuam na função. 

"Balbuena também tinha a parte tática muito boa e, hoje, com mais experiência ainda, é um dos melhores zagueiros do Brasil. Demorou um pouco a se adaptar, mas é normal. Também já fazia muitos gols, gostava de ir bem na área para os escanteios e bolas paradas", lembra Rivarola, que há três anos foi substituído na gestão de carreira de Fabián Balbuena por outro empresário, Renato Bittar. 

"Nós sempre conversávamos, sobretudo quanto ao extracampo. Ele tem a conduta que hoje se precisa no futebol, que é sério, responsável. Há muitos jogadores bons, mas o caráter ajuda. Eu sempre passava conselhos a ele", conclui Rivarola. 

Balbuena cresceu em 2017 e decolou ao lado de Pablo

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Entre os jogadores pelos quais a torcida corintiana tinha reservas pelas dificuldades no Brasileirão 2016, Balbuena mudou totalmente de realidade neste ano. Com a defesa mais bem organizada por Fábio Carille e o crescimento de toda a equipe, confirmou uma previsão interna: ao lado de um parceiro experiente e que complementasse suas qualidades, elevaria sua produção. Foi o que ocorreu com a contratação de Pablo.

Descrito por Fábio Carille como um zagueiro com conhecimento tático acima da média quanto à linha defensiva, uma espécie de vocação entre jogadores paraguaios, Balbuena também menciona uma mudança importante para seu crescimento. Saiu do lado esquerdo para o direito no miolo da zaga, e ali se sente mais à vontade. E, adaptado ao Corinthians, também é hoje um jogador de importância destacada dentro do vestiário

Nas últimas semanas, o Corinthians blindou o zagueiro do interesse de equipes italianas - o Genoa-ITA apresentou uma oferta por escrito de 3 milhões de euros (R$ 11 milhões), mas o presidente Roberto de Andrade vetou a saída e prometeu rever o contato dele. Uma contratação que o Grêmio não topou fazer naquele momento, mas que anos depois é considerada sucesso no Parque São Jorge. 

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