Domingos quer esquecer briga com D. Souza, mas não abandona fama de xerifão

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Divulgação/Ec Santo André

    "Vai encarar?" Domingos mantém o mesmo perfil de "xerifão" no Santo André

    "Vai encarar?" Domingos mantém o mesmo perfil de "xerifão" no Santo André

"O Domingos é meu amigo. Vai encarar?" 

São 32 anos de idade, quase 15 de carreira, e Domingos sempre conviveu com a fama de "xerifão". Justo ou injusto, o perfil de zagueiro viril por muitas vezes incomodou o hoje atleta do Santo André, que encara nesta sexta-feira, a partir das 19h (de Brasília), o Corinthians, pelo Campeonato Paulista. Mas, falem bem ou falem mal, continuem falando do Domingos; menos se recordarem da icônica briga com Diego Souza no Paulistão de 2009.

"Vi muito jogador cuspindo um no outro, agora vi até jogador passando a mão no outro. Isso sim é falta de respeito. Eu pensava comigo: 'se fosse o Domingos, o que iriam falar...". Os caras gostam de mim, não me esquecem [risos]", brincou, bem-humorado, o defensor em conversa exclusiva com a reportagem do UOL Esporte.

"Sempre falaram muito deste rótulo de violento, mas sempre tive a cabeça no lugar. Todos os treinadores sempre souberam da minha vontade de vencer; sempre me dediquei ao máximo e hoje é muito difícil encontrar quem se dedica ao máximo nos clubes. Meu máximo às vezes incomodava muito as pessoas", acrescentou o zagueiro, que até teve camiseta produzida pela Portuguesa para exaltar a fama de "xerife" (a frase estampada pelo clube lusitano na vestimenta é a que abre este texto).

A diferença do Domingos da atualidade para o que surgiu como revelação no Santos é "saber usar a força", segundo o próprio. O zagueiro, que busca retomar a carreira em solo brasileiro pelo time do ABC paulista, assegura que segue com o mesmo perfil de jogo; e que jamais vai mudar. 

"Se tiver que chegar, vou chegar. Não vai ter diferença para o Domingos mais jovem. Vou jogar do jeito que sempre joguei, já que meu forte é a marcação e não tenho motivos para mudar. Nunca entrei com maldade nos meus companheiros. Falavam que eu era maldoso, mas ninguém nunca viu eu dar uma cotovelada sem bola, um chute sem bola", disse.

Reprodução
Portuguesa fez camiseta comemorativa que exaltava o "xerifão" Domingos

De volta ao Brasil após cinco anos no Qatar – nos quais diz não ter sido expulso -, Domingos apenas tem um assunto como tabu. No Campeonato Paulista de 2009, o zagueiro se envolveu em uma discussão com o hoje são-paulino Diego Souza, que defendia na época o Palmeiras, e recebeu o cartão vermelho 22s após entrar no gramado do Palestra Itália.

Também expulso, Diego Souza se revoltou com a postura de Domingos e mobilizou até rivais na tentativa de acalma-lo. Não deu certo. O meia retornou a campo e agrediu Domingos, que caiu pela segunda vez em campo após uma ação do então palmeirense. Todo aquele "espetáculo" lamentável, atualmente, incomoda o zagueiro do Santo André.

"Nós nunca nos falamos depois daquilo. Nunca tive problema com ele, é um grande jogador. Não gosto realmente de falar sobre isso, porque aconteceu há nove anos. Nem eu e nem o Diego devemos ficar lembrando disso. É passado. O que passou, passou. É tirar experiência para a gente mudar e melhorar", comentou o zagueiro, que trata o cartão vermelho relâmpago e a provocação a Diego Souza como algo corriqueiro.

"Foi um lance normal. Isso aí é passado. Era um clássico; Diego no Palmeiras e eu no Santos, todo mundo de cabeça quente. Isso aí aconteceu no calor do jogo e acabou. Depois a gente passou por outros times e a carreira seguiu. Éramos mais novos. O mais importante é saber que o Diego Souza está bem e que eu estou bem", encerrou, sem citar mais o assunto.

Domingos e Diego Souza podem se reencontrar nas quartas de final do Campeonato Paulista, caso Santo André e São Paulo sejam os classificados do Grupo B para a fase de mata-mata do estadual paulista.

Robson Ventura/Folha Imagem
Domingos deixou Diego Souza "irado"; os dois podem se reencontrar nas quartas

Fim do feijão e farinha diário e vida nova "com Deus"

Hoje no Santo André, Domingos sonha em retornar ao Santos nesta reta final da carreira. No entanto, foi depois da passagem pela Vila Belmiro que a vida do zagueiro mudou (para melhor, segundo julgamento do próprio). O zagueiro, diante do incentivo da mulher Danuce, mudou hábitos alimentares e se apegou à religião – no caso, o protestantismo.

"Foi depois do Santos que me tornei. O Roberto Brum, lá para 2009, morava do lado da minha casa e me levava para a igreja. Até que eu ia, mas também fazia outras coisas. Era balada, bebida...atrapalhava um pouco. Depois que comecei a colocar Deus na frente de tudo, as coisas começaram a dar certo", relatou.

"Depois que acabou o contrato com o Santos, fui para o Qatar e fiquei muito tempo lá, graças a Deus. A partir dali tudo começou a dar certo", acrescentou o jogador.

No Qatar, onde a religião ganhou espaço de fato na vida de Domingos com a mulher e os dois filhos e um enteado ("é meu filho também", diz o jogador), a mulher também tratou de tornar o zagueiro um jogador mais preocupado com o lado físico. Hoje, saladinha é ingrediente básico na mesa do adversário corintiano desta noite.

"Era feijão e farinha todo dia. Adoro. Também carne e ovo quase sempre. Tive que dar uma segurada em tudo isso lá no Qatar. Quando cheguei lá, estava com 90 kg, 7 kg acima do ideal. Era um dos únicos profissionais do elenco, então tinha que sempre correr para estar em alto nível. Procurei comer muita salada e continuo assim. É muita saladinha", explicou.

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