Jogadores viajam a outro país e até bancam salão pelo corte perfeito

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Risca é marca registrada do cabelo de Balbuena

    Risca é marca registrada do cabelo de Balbuena

A risca e o cabelo raspado nas laterais já viraram marcas no zagueiro Balbuena. Vaidoso, um dos capitães do Corinthians faz questão de sempre visitar o cabeleireiro antes de cada partida. "Ele é bem vaidoso, nunca vai para uma partida sem cortar o cabelo", explica Manias Black, responsável por cuidar dos cabelos dos jogadores do time alvinegro.

Arquivo pessoal
Willian pedia para Seu Elias ir de Belo Horizonte a São Paulo para cortar o cabelo

A preocupação com o cabelo não é exclusiva de Balbuena. Tem jogadores que confiam tanto em um cabeleireiro que nem se arriscam em novos lugares. Romero só corta o cabelo quando vai ao Paraguai. Já Willian Bigode, atacante do Palmeiras, pediu para que seu cabeleireiro de confiança fosse de Belo Horizonte para São Paulo para o primeiro corte em outra cidade.

"Quando o Willian saiu do Cruzeiro, tive que ir uma vez para São Paulo antes de ele arrumar um cabeleireiro lá", relembra Elias Torres, o Seu Elias. "Tive que arrumar um aluno meu de São Paulo para cortar o cabelo dele. Dei quase um tutorial para o rapaz. Ainda assim, sempre que o Willian vem para Belo Horizonte me encontra para cortar o cabelo".

Apadrinhamento parecido aconteceu com Neymar. Antes de ser apresentado pelo PSG no meio do ano passado, o atacante fez questão que o cabeleireiro Nariko Hairstyle viajasse do Brasil para a França para cuidar de seu cabelo antes do evento.

Jogadores do São Paulo ajudaram a construir salão

Arquivo pessoal
Jucilei ajudou na construção do salão de Vagner

Vagner Silva se tornou amigo do zagueiro Breno por meio das redes sociais. O jogador gostou dos cortes postados por ele e decidiu levá-lo ao Centro de Treinamento do São Paulo. Breno não está mais lá – foi emprestado ao Vasco -, mas Vagner se prepara para completar quase três anos visitando periodicamente os jogadores são-paulinos. "Mas toda vez que ele (Breno) está em São Paulo, ele me chama e vou na casa dele cortar".

Em uma dessas idas ao São Paulo, Silva comentou com o volante Jucilei que não tinha um salão próprio. O jogador reuniu os companheiros de equipe e decidiu fazer uma "vaquinha" para ajudá-lo.

"O Breno já estava no Vasco nessa época. O Jucilei tomou a iniciativa com o Junior Tavares, o Douglas (Chapecoense) e o Wellington (Vasco). Um passou para o outro e todo mundo ajudou", conta Silva, que hoje possui um salão em Guaianases, zona leste de São Paulo.

Cabelo de Neymar já passou por várias mãos, mas ele define o corte

Apesar de ter feito com que Nariko viajasse do Brasil para a França, Neymar já colocou seu cabelo nas mãos de diversos cabeleireiros. Acostumado a constantemente mudar o visual, o brasileiro vai para a cadeira com a ideia clara de qual penteado deseja.

Arquivo pessoal

"Cortei do Neymar quatro vezes. Cada vez que a gente se encontrou foi um cabelo diferente. Os caras são sempre muito certos do que eles querem. O Neymar não te dá muitas opções, é mais o jeito dele: corta assim e pronto", relembra Seu Elias, que também cortou o cabelo de Messi na Copa do Mundo. "Naquela época ele não era muito vaidoso, só pediu para manter o corte que já estava".

Nilson Iriri é responsável pelo cabelo de boa parte dos jogadores do Rio de Janeiro. O encontro com Neymar aconteceu quando o atacante ainda jogava na seleção brasileira sub-20. E o pensamento era um só: "avacalhar na minha mão não pode", brincou. "Ele já vinha com o cabelo alisado, então eu não relaxava o cabelo todo, só passava o produto onde estava crespo".

Arquivo Pessoal
Nilson Iriri era responsável pelas tranças de Vagner Love

Além de alisar os cabelos de Neymar, Iriri cuidava de outro penteado que ficou famoso no meio do futebol: as tranças de Vagner Love. Foi justamente por causa do ex-atacante de Corinthians, Flamengo e Palmeiras que ele aprendeu a fazer o penteado.

"O Rogerinho, do Grupo Revelação, deu meu telefone para o Vagner Love. Quando comecei a fazer as tranças, meu nome deslanchou mais. Fazia do Love, do Carlos Alberto (ex-Fluminense), do Arouca...".

A fama percorreu todo o Rio de Janeiro – "corto de gente do Botafogo, do Flamengo, do Vasco, do Fluminense" – e foi parar na Itália. Oriundo das categorias de base do Fluminense, o meia Gerson fez uma promessa com Iriri: caso a Roma, seu atual time, chegue à final da Liga dos Campeões, levará o cabeleireiro para a Europa para cuidar do corte de todos os jogadores. "Por falar nisso, a Roma joga hoje?".

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