Repórteres relatam ofensas machistas que ouviram de palmeirenses; assista

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

A final do Campeonato Paulista, que terminou com título do Corinthians após vitória sobre o Palmeiras, também ficou marcada por ofensas de alguns torcedores a repórteres que trabalhavam na cobertura do clássico no Allianz Parque.

Mariana Pereira, repórter da Rádio Trianon e editora do site Esportudo, conta que se dirigiu para o lado esquerdo do campo quando os 90 minutos terminaram – o procedimento é orientação da Federação Paulista de Futebol, que não permite a entrada de jornalistas de rádio no gramado até o fim das premiações.

"A gente ficou muito próximo dos torcedores. Eles jogaram vários objetos, isqueiros, copos d'água e de cerveja... E xingando bastante, bastante. Nessa hora não tinha policiamento nenhum, demorou para aparecer. Nós ficamos bastante acuados. No momento em que me virei para esse grupo de torcedores para filmá-los, eles começaram a me hostilizar mais ainda", relatou ao UOL Esporte.

O vídeo (que pode ser visto no topo desta matéria) mostra alguns torcedores do Palmeiras gritando xingamentos para os jornalistas, em especial para as mulheres – um dos homens, que veste boné e óculos espelhados, chega a segurar os órgãos genitais e gritar "chupa aqui, vad... do ca...".

Membros da segurança do estádio acusaram outros jornalistas de terem mostrado o dedo médio para os torcedores; ou seja, os funcionários que prestam este serviço ao estádio disseram que a torcida teria sido provocada. A repórter Ana Thaís Matos, da Rádio Globo, estava perto de Mariana e dos demais colegas no momento dos xingamentos e da acusação.

Quando Ana tentou argumentar com um segurança do Allianz Parque, que já discutia com o repórter Gustavo Zupak, também da Rádio Globo, ela o ouviu dizer que não a responderia porque já estava conversando com um homem. "Falei: você é machista. E ele: sou mesmo", relatou a jornalista.

As duas não souberam dizer à reportagem se o segurança trabalha diretamente para o Palmeiras ou apenas para o estádio – mas, de acordo com as duas, o clube se mostrou indignado e se comprometeu a identificar o homem.

Quando uma funcionária da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp) questionou sobre a suposta provocação aos palmeirenses, Mariana desabafou.

"Eu falei que não, que não fiz isso, porque infelizmente já estou acostumada a ser chamada de p... e de vagabunda em estádios de futebol. Se eu fosse parar para mostrar o dedo do meio para cada torcedor que me fala isso, eu já teria sido expulsa da Aceesp há muito tempo", contou a repórter.

O caso acontece em meio às movimentações de mulheres do jornalismo esportivo: criada por profissionais de diferentes veículos, especialidades e regiões do país, a campanha #DeixaElaTrabalhar pede melhores condições para as repórteres.

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