Bandeirinha de final diz que presença de diretor da FPF no campo é incomum

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Leandro Miranda/UOL Esporte

    Anderson José de Moraes Coelho (à dir.), auxiliar da final, em depoimento no TJD

    Anderson José de Moraes Coelho (à dir.), auxiliar da final, em depoimento no TJD

Segunda testemunha ouvida pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) no inquérito que apura se houve interferência externa na final do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e Corinthians, o árbitro assistente Anderson José de Moraes Coelho disse que a presença do diretor de arbitragem da Federação Paulista de Futebol, Dionísio Domingos, no gramado, "não era comum". O Palmeiras sustenta que Dionísio conversou com a equipe de arbitragem durante o intervalo entre a marcação do pênalti em cima de Dudu e a mudança de decisão do árbitro Marcelo Aparecido.

Segundo Anderson, Dionísio poderia estar em campo porque exercia, na final, a função de tutor de arbitragem. A posição foi criada pela FPF no ano passado e tem como objetivo preparar, antes do jogo, e avaliar, depois dele, a atuação da equipe de arbitragem. O auxiliar, porém, afirmou que Dionísio não costumava ficar na beira do campo e que não era comum ter dois tutores no mesmo jogo, como foi o caso.

"O que é comum é ter um tutor nas partidas. A presença do diretor, não. Tínhamos dois tutores nessa partida, o sr. Dionísio e o sr. José Henrique de Carvalho. Na partida, ele (Dionísio) era tutor. Durante o campeonato, em todas as partidas em que participei, havia só um tutor", afirmou o assistente.

Em imagens divulgadas pelo Palmeiras, Dionísio aparece saindo do túnel dos vestiários e se aproximando de Anderson durante a confusão causada pela marcação do pênalti. Segundo o assistente, não houve qualquer comunicação entre eles neste momento.

"Ele chegou perto de mim em um momento. Eu percebi que ele estava chegando perto porque ele chama minha atenção pela cor diferente na minha visão periférica. Eu olho para ele, volto meu rosto aos atletas, e é isso", declarou Anderson.

O outro árbitro assistente, Daniel Paulo Ziolli, depôs em seguida e também negou qualquer comunicação com Dionísio. Ele disse ainda que o diretor de arbitragem já havia atuado como tutor anteriormente em outras partidas.

Posteriormente, o próprio Dionísio prestou depoimento e reiterou que ele próprio havia se designado tutor do jogo, ao lado de José Henrique de Carvalho. "Pela importância da partida, nós entendemos que deveria haver dois tutores", disse o diretor, que negou ter passado qualquer informação a membros da equipe de arbitragem.

"Quinto árbitro" e delegado também negam interferência

O árbitro assistente adicional, conhecido popularmente como "quinto árbitro", Alberto Poletto Masseira, também depôs. Ele, que não pode participar dos processos de tomada de decisão da equipe de arbitragem e tem como função principal substituir algum bandeirinha que não possa seguir no jogo, negou contato com Dionísio ou com o quarto árbitro Adriano de Assis Miranda.

Confrontado com um vídeo que o mostra correndo em direção a Adriano durante a confusão, Masseira afirmou que não passou nenhuma informação a ele sobre o lance do pênalti naquele momento, e que tentou apenas tirá-lo do bolo de jogadores que se formava em sua volta - versão confirmada por Adriano em seguida. Masseira também negou que tenha recebido de fontes externas a informação de que o pênalti havia sido marcado incorretamente.

Leandro Miranda/UOL Esporte
Delegado do jogo, Agnaldo Vieira, durante depoimento no TJD

Já o delegado do jogo, Agnaldo Vieira, foi a primeira pessoa a ser ouvida. Ele negou qualquer comunicação com a equipe de arbitragem sobre o pênalti em cima de Dudu e disse que entrou em campo apenas para separar um tumulto entre atletas do Palmeiras e o quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda.

A defesa do Palmeiras exibiu um vídeo em que Vieira aparece entrando em campo e falando algo para Adriano, e questionou se ele havia proferido a palavra "canto" – fazendo referência à marcação de escanteio que o árbitro Marcelo Aparecido escolheu, voltando atrás oito minutos depois de ter marcado inicialmente pênalti de Ralf em Dudu.

Em resposta, o delegado disse que apenas mandou o quarto árbitro sair do meio da confusão. Ele também afirmou, após questionamento da procuradoria, que sua intervenção foi "fundamental" para evitar que o integrante da equipe de arbitragem fosse pressionado por jogadores alviverdes. Na hora do pênalti, segundo Agnaldo, ele estava posicionado em sua área reservada, entre os bancos de reserva das equipes.

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