Investigadores flagram membro da FPF com celular em campo em plena final

Danilo Lavieri e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

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    Dudu espera autorização para bater pênalti. Ao fundo, Verri usa celular à beira do campo

    Dudu espera autorização para bater pênalti. Ao fundo, Verri usa celular à beira do campo

A investigação do Palmeiras sobre a suposta interferência externa na final do Paulistão encontrou um membro da Federação Paulista de Futebol à beira do gramado com um celular na mão, o que é contra a conduta ideal, como mostra o item b, do inciso XVIII, do artigo 24 do livro de regras da CBF. Fotos ainda mostram que há contradição no depoimento dos envolvidos, especialmente na fala do diretor de arbitragem da entidade, Dionísio Roberto Domingos.

Cerca de uma hora depois da publicação desta notícia, inclusive, o Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo decidiu arquivar o inquérito, mas não citou em nenhum momento a irregularidade de o celular ter sido usado dentro de campo.

O UOL Esporte teve acesso a parte do documento elaborado pela Kroll, empresa que foi contratada para ajudar o clube na busca de provas que a atuação do árbitro ao anular o pênalti marcado em cima de Dudu foi irregular. Nele, três fotos tiradas em momentos diferentes mostram Marcio Verri Brandão com o aparelho na mão.

As duas primeiras exibem Verri durante o intervalo, mexendo no aparelho, trajando calça jeans, um paletó cinza e um sapato branco. Com a mesma roupa, ele aparece na última delas, já com o jogo em andamento. Na ocasião, Dudu está com a bola na marca de pênalti no primeiro plano, com o funcionário da Federação à beira de campo olhando para seu aparelho, em segundo plano.

Reprodução
Verri usa celular no túnel do Allianz Parque, a metros de distância do campo

Em depoimento dado no Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, na última semana, o diretor de arbitragem da FPF, Dionísio Roberto Domingos, disse que "achava que Verri era apenas um segurança" dos árbitros e reforçou que não é permitido o uso de celular durante a partida.

Um documento publicado pela própria FPF em seu site, no dia 19 de maio de 2016, mostra que Verri faz parte de uma Comissão Estadual de Arbitragem da entidade, cujo presidente, à época, era Ednilson Corona.

O relatório da Kroll ainda mostra os fatos em ordem cronológica. De acordo com a investigação, a TV Globo exibiu o replay do lance às 17 horas, 31 minutos e 42 segundos. Cinco segundos depois, Verri foi flagrado olhando para seu celular à beira do campo.

Ainda de acordo com o documento, Paulo César de Oliveira, comentarista de arbitragem, disse na transmissão que não houve penalidade às 17 horas, 31 minutos e 49 segundos, quando Verri já estava à beira de campo e perto de Dionísio. Por fim, às 17 horas, 31 minutos e 56 segundos, Dionísio anda na direção de um dos auxiliares e estabelece contato visual a partir das 17 horas, 32 minutos e 14 segundos. Um vídeo exibido pela TV Palmeiras mostra o contato da dupla.

Palmeiras entrará com pedido próprio de impugnação: saiba os próximos passos

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo finalizou, nesta segunda-feira, o inquérito 293/18, que apura a possibilidade de interferência externa na arbitragem na final do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e Corinthians. Depois disso, o caso segue para a procuradoria do tribunal, que decidirá se oferece ou não denúncia – independentemente disso, o Palmeiras pedirá, ele próprio, a impugnação da partida até quarta-feira.

As imagens obtidas pela investigação da Kroll foram incorporadas no inquérito de forma bruta, ainda sem tratamento e edições feitas pela empresa. Serão adicionadas à impugnação que será protocolada as versões já trabalhadas de forma a identificar sinais de interferência.

Pelo andamento processual, o inquérito finalizado é enviado à procuradoria, que então decide se instaura processo e leva o caso adiante. Uma decisão pelo arquivamento do caso ou demora em tomar uma decisão poderiam impedir o Palmeiras de discutir na Justiça Desportiva o mérito do caso – a ação do alviverde reduz esse risco.

Com o encerramento das investigações, o clube paulista teria dois dias para entrar com um pedido de impugnação da partida. Se optasse por esperar a procuradoria, e esta demorasse mais do que os dois dias para agir, o Palmeiras perderia o direito de entrar com a ação. Se a procuradoria decidir pelo arquivamento do inquérito, também poderia prevalecer o entendimento de que o caso já foi analisado e não deve ser revisitado. A medida palmeirense deve garantir que o mérito da questão seja discutido.

Ao contrário do que ocorre com os processos disciplinares comuns, o pedido de impugnação da partida segue um rito diferente: não passa por comissões disciplinares, sendo apresentado diretamente ao presidente do TJD e analisado pelo pleno (totalidade dos auditores). Em caso de recurso, ele deve ser remetido ao STJD, vinculado à CBF, e, novamente, ser analisado pelo pleno. Desta decisão ainda cabe recurso à Corte Arbitral do Esporte.

Caso a procuradoria decida por oferecer denúncia, correrão simultaneamente dois processos, o do Palmeiras e o dos procuradores do TJD.

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