Garoto que viralizou por usar camisa de plástico de Messi revela drama

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Unicef/Divulgação

    Afegão Murtaza Ahmadi exibe camisa autografada que ganhou de Lionel Messi

    Afegão Murtaza Ahmadi exibe camisa autografada que ganhou de Lionel Messi

O garoto afegão Murtaza Ahmadi  viralizou em 2016 por usar uma camiseta feita com uma sacola plástica branca e azul com o nome e o número de Messi, simbolizando o uniforme da seleção argentina.

A história rodou o mundo e durante uma excursão do Barcelona no Qatar, Murtaza e Messi se conheceram. O craque argentino deu de presente à criança duas camisetas autografadas e uma bola.

Atualmente, Murtaza e sua família não moram mais em Jaghori, distrito na província de Ghazni, no Afeganistão. Por conta de um avanço do Taleban – movimento nacionalista islâmico que se difundiu, principalmente no Paquistão e no Afeganistão -, a família teve que deixar a região que por 17 anos foi considerada a mais segura e pacífica do país.

Reprodução/Instagram
Murtaza viralizou em 2016 por usar uma camiseta feita de saco plástico
Com o avanço dos talibãs, mais de dois terços da população teve que se refugiar em outras províncias, incluindo a família de Murtaza. Hoje, eles estão em Cabul, capital do Afeganistão, impossibilitando o menino de fazer o que ele mais gosta: jogar futebol.

"Aqui não tenho uma bola e não posso jogar futebol ou sair de casa", disse a criança à agência de notícias EFE.

O garoto se emocionou ao lembrar que deixou os presentes recebidos das mãos de Messi na sua antiga casa.

"Nós os deixamos para trás [os presentes] em Jaghori. Não pudemos trazê-las porque deixamos a casa durante a noite, e minha mãe me pediu que deixasse a bola e as camisetas", explicou Murtaza.

O encontro com Messi foi um sonho para a criança e os presentes recebidos também. Porém, a família sofreu com o filho mais novo ganhando os holofotes do mundo inteiro, após o encontro com o camisa 10 do Barcelona.

"Depois de que Murtaza conheceu Messi no Qatar, a situação ficou muito complicada e vivíamos com medo, porque as pessoas a nossa volta pensavam que Messi tinha dado muito dinheiro a nós", revelou seu irmão Humayoon Ahmadi, de 17 anos.

"Temíamos que sequestrassem ele, praticamente fechamos Murtaza em casa e não os enviamos para a escola durante dois anos", completou.

Com esses problemas, a família de Murtaza optou pelo exílio no Paquistão, com a esperança de alcançar os Estados Unidos. Porém, o pedido de asilo foi contestado e tiveram que voltar ao seu povoado.

Mesmo após dois anos do encontro com Messi, a criança afegã não esquece uma promessa feita pelo argentino.

"Messi me disse que quando eu fosse um pouco maior, ele ia ajeitar as coisas na minha vida", revelou.

Além disso, Murtaza confessou que fez um pedido ao jogador: "Me leve com você, aqui não posso jogar futebol, aqui só tem 'daz-dooz' (a criança imitando os barulhos de explosões e tiros)".

"Cada vez que ele escuta alguma bomba ou o som de um disparo, ele corre para se esconder embaixo do meu xador (vestimenta feminina que sobre o corpo todo com exceção do rosto)", disse Shafiqa, mãe do menino.

Só em 2018 mais de 300 mil pessoas se tiveram que se deslocar dentro do país e vivem em condições difíceis. Eles se apoiam na ajuda do Governo e das ONG’s (organizações não governamentais).

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