Direto da praia: Turma do Quiosque aumenta poder no Vasco e gera desgaste

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Reprodução / Instagram

    Alexandre Campello (e) com a "Turma do Quiosque" (trio ao lado direito da mesa)

    Alexandre Campello (e) com a "Turma do Quiosque" (trio ao lado direito da mesa)

"Meu escritório é na praia". O trecho da música "Zóio de Lula", imortalizada pela banda Charlie Brown Jr., se aplica bem ao grupo que se vangloria por ter trazido Maxi López e Leandro Castan para o Vasco. Sem cargos oficiais na diretoria cruzmaltina, os vascaínos que se auto intitulam como "A Turma do Quiosque" garantem que das reuniões informais à beira-mar na orla da Barra da Tijuca (RJ) vieram as ideias de buscar a contratação da dupla.

Capitaneiam a confraria praiana Marcelinho, ex-levantador da seleção brasileira de vôlei; Gustavo Ferreira, o Gustavinho, ex-presidente da organizada Força Jovem, e Fernando Lima, o Zé Colmeia, ex-fisioterapeuta de Romário e espécie de "porta-voz" do grupo.

Ex-marido de Fernanda Gentil por trás

Por trás deles, porém, existe a pessoa que faz das ideias uma operação concreta: Matheus Braga, ex-marido da apresentadora da TV Globo Fernanda Gentil, empresário do grupo "Life Pro", e responsável por fazer a intermediação para trazer Maxi e Castan após o sinal verde dado pelo presidente do clube, Alexandre Campello.

Orgulhosos pelos resultados imediatos que o atacante e o zagueiro trouxeram ao Vasco, não se furtaram em se vangloriar nas redes sociais diversas vezes:

Campello ordena silêncio

O barulho feito na Internet encontrou eco entre os torcedores, causando certa popularidade, mas também muita resistência entre membros da diretoria, que luta para passar a imagem de uma gestão profissional.

O incômodo chegou a Campello, que mesmo mantendo uma relação próxima de amizade com o grupo, solicitou pessoalmente que parassem de falar em nome do clube. Apesar das sugestões ainda serem bem-vindas, o pedido é para que façam menos estardalhaço e evitem o vazamento de notícias.

Mesmo com todo o "confete" dos integrantes nas redes sociais e a clara influência, o presidente vascaíno refuta a tese de que a turma possui plenos poderes no departamento de futebol.

Bruno Braz / UOL Esporte
Local na Barra (RJ) onde a "Turma do Quiosque" debate reforços para o Vasco

O UOL Esporte tentou contato por telefone com Zé Colmeia desde a noite da última quarta-feira (5). Na primeira ligação, alegou estar ocupado, depois não atendeu mais e não respondeu as mensagens por celular. Em seu Twitter, deixou no ar que a "Turma do Quiosque" pode estar saindo de cena após a "chamada" que o grupo tomou do presidente.

Trânsito livre desde os tempos de Eurico Miranda

Reprodução / Facebook
Da esquerda para direita: Zé Colmeia, Eurico, Gustavinho e Marcelinho

A "popularidade" foi alcançada agora, mas a "Turma do Quiosque" tem trânsito livre em São Januário desde os tempos da gestão Eurico Miranda, inclusive dando pitacos no futebol também. Marcelinho, por exemplo, garante que a contratação do técnico Zé Ricardo, em 2017, teve o dedo do grupo. O treinador classificou o Vasco para a Copa Libertadores e atualmente comanda o Botafogo.

A frequência do trio na sala da presidência se repetiu com Campello em alguns jogos deste ano em São Januário, como na derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, quando o clube recepcionou o novo governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

O apelido do grupo, aliás, veio muito por conta de Eurico Brandão, o filho de Eurico Miranda e ex-vice de futebol do Vasco. No começo por críticas no Twitter, sempre se referindo a eles com esta alcunha - apesar da relação próxima, principalmente, com Zé Colmeia.

De uns tempos para cá, porém, Euriquinho se tornou uma espécie de aliado, saindo, inclusive, em defesa da turma após tomar ciência da "trava" que o grupo tomou de Alexandre Campello nesta semana:

Funcionário do quiosque não sabe quem é Maxi López

O UOL Esporte foi até o tão falado quiosque nesta quinta-feira (6). Situado próximo ao posto 5 da Barra da Tijuca, ele vivia uma calma tarde de primavera. Nenhum dos componentes da "turma" estava presente. E, para surpresa da reportagem, um funcionário do estabelecimento, que não tem apreço por futebol, disse nem sequer conhecer Maxi López.

"Quem é esse cara?", indagou, sendo informando de quem era a personalidade.

"Ah tá! Não sei quem é, não (risos). O Zé Colmeia está aqui direto mesmo", disse, fazendo questão de ressaltar uma outra celebridade que deu as caras por lá:

"Quem veio aqui outro dia foi o Bolsonaro", encerrou, se referindo ao futuro presidente do Brasil.

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