Caso Daniel: Em áudio, advogado sugere que Juninho queria ajuda de deputado

Adriano Wilkson, Karla Torralba e Napoleão de Almeida

Do UOL, em São Paulo

Em mais um áudio de Whatsapp que vem a público, o advogado criminalista Rafael Pellizzetti afirma acreditar que Edson Brittes, o Juninho Riqueza, esperava contar com a ajuda do deputado estadual Delegado Recalcatti (PSD) para se defender da acusação de ter matado o jogador Daniel.

Na gravação, Rafael Pellizzetti, que Juninho havia cogitado contratar para defendê-lo, dá sua versão de por que o suspeito acabou fechando com outro defensor. "O que ele deve achar é que o doutor Recalcatti pode ajudar ele agora neste momento. Então o doutor Recalcatti indicando advogado... aí fecha", diz Pellizzetti, dirigindo-se a Edenir Canton, policial civil conhecido como Gaúcho. Gaúcho está afastado de suas atividades porque também é acusado de homicídio.

Juninho acabou contratando Claudio Dalledone Júnior, que também defende o deputado Recalcatti no caso de 2005, o que contrariou Gaúcho. Em outras gravações, o policial aparece orientando Juninho a não recorrer a Dalledone para não ser preso.

O suspeito que, por orientação de Dalledone, confessou o crime, acabou de fato preso e permanece atrás das grades, assim como outras cinco pessoas.

O áudio é mais um elemento que aponta a relação entre o principal suspeito do assassinato de Daniel com o deputado do PSD, que por sua vez, também responde por homicídio em um processo de 2005.

Quando foi preso em junho de 2018 sob suspeita de porte ilegal de armas, Juninho tentou usar sua amizade com Recalcatti e outros policiais para se livrar da prisão, conforme consta em um boletim de ocorrência da época. O deputado também já foi fotografado em ao menos quatro ocasiões ao lado de membros da família Brittes, em festas e outros eventos sociais. Em um vídeo, o deputado faz uma saudação a Cristiana Brittes, mulher de Juninho, que também está presa, acusada de coautoria do homicídio de Daniel.

Procurada, a assessoria de imprensa do delegado Rubens Recalcatti afirmou que o deputado não tem qualquer envolvimento com o caso Daniel e que jamais conversou com Juninho sobre sua situação. A assessoria confirmou que o delegado é amigo de Edenir Canton, o Gaúcho, mas que encontrou Juninho em poucas ocasiões, assim como encontra "centenas" de eleitores. A gravação de vídeos e registros fotográficos fazem parte da rotina do deputado, afirmou sua assessoria.

Claudio Dalledone Junior, advogado de defesa de Juninho Brittes, afirmou que não há vinculação "efetiva" de Recalcatti com o suspeito de matar Daniel. "Os áudios em nenhum momento mostram qualquer vinculação efetiva do deputado. O que restou claro foi a intenção de captação de um cliente caso e [se] eventualmente existisse a intervenção do deputado, circunstância que não ocorreu."

Rafael Pellizetti não quis se pronunciar. 

A defesa de Edenir Canton não retornou a reportagem após questionamento sobre o áudio acima. 

Deputado e policial são acusados de homicídio no mesmo caso

Rubens Recalcatti, conhecido na política como Delegado Recalcatti, era suplente e assumiu o posto de deputado estadual pelo PSD, em 2017. O político responde processo pelo homicídio de Ricardo Geffer.

Geffer foi morto em 28 de abril de 2015 após uma abordagem policial, da qual o delegado Recalcatti fazia parte. A vítima era suspeita de ter assassinado João Dirceu Nazzari, ex-prefeito do Rio Branco do Sul (PR), em 12 de abril de 2015. Para os promotores, o homicídio de Ricardo Geffer foi uma execução.

Além de Recalcatti, outros sete policiais são acusados do assassinato de Geffer. Entre eles está Edenir Canton, o Gaúcho, antigo dono do Veloster preto usado por Edison Brittes.

Hoje o caso do homicídio de Ricardo Geffer está sendo analisado no Tribunal de Justiça do Paraná que avalia se o processo subirá para o STJ, já que um dos acusados é deputado, que teria foro privilegiado. Mas no entendimento do Ministério Público a prerrogativa não se aplica por se tratar de crime cometido sem relação com a função de deputado estadual.

O criminalista Claudio Dalledone Júnior também já defendeu o goleiro Bruno Fernandes, entre outros clientes famosos.

Sobre a morte de Geffer, Dalledone afirmou que Recalcatti agiu em legítima defesa durante a ação policial: "O caso aguarda uma definição judicial para sua tramitação regular na Justiça comum ou no Tribunal. Contudo saliento que detratou de uma ação legítima de revide ao ataque criminoso a uma equipe policial", disse. 

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