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Caso Daniel


Casa dos Brittes onde Daniel foi espancado está fechada e com mato alto

Theo Marques/UOL
Imagem: Theo Marques/UOL

Karla Torralba e Theo Marques

Do UOL em São Paulo e em São José dos Pinhais (PR)

2019-03-01T04:00:00

01/03/2019 04h00

No início da manhã do dia 27 de outubro de 2018, a casa da família Brittes, em São José dos Pinhais-PR, foi palco do espancamento de Daniel Correa, jogador do São Paulo, encontrado, morto, longe dali naquele mesmo final de semana. Os moradores da casa estão presos há quatro meses. Desde então, o local está fechado.

A reportagem do UOL esteve no endereço que um dia foi cadastrado como Juninho Riqueza House (casa do Juninho Riqueza) no Google. Ali moravam Edison Brittes Júnior, o Juninho Riqueza em questão, Cristiana Brittes, Allana Brittes e a filha de 12 anos do casal.

A fachada continua a mesma: muro alto, portão fechado e duas estátuas de leões. Mas o silêncio impera e o mato está alto. A única movimentação por ali é do pai de Cristiana, Pedro, que, segundo vizinhos, vai à casa diariamente para alimentar os cachorros da família. 

A casa está fechada, mas poderia ser usada normalmente. Após os trabalhos da perícia na colheita de vestígios de sangue e análise dos restos incinerados de objetos no local, tudo foi liberado. De acordo com o advogado dos Brittes, Claudio Dalledone Júnior, o imóvel não possui pendência judicial e pode ser habitado, apesar de não ter ninguém morando por lá. 

O laudo da perícia sobre a casa descreve que objetos queimados em um recipiente para alimentar animais. "Na varanda do imóvel, mais precisamente sob a janela do quarto, observou-se um recipiente metálico próprio para alimentar animais. O interior deste objeto apresentava sinais recentes de queima, com fuligem e enegrecimento das paredes internas. Cumpre mencionar que os remanescentes desta queima não permitiram ao perito identificar os elementos que ali foram incinerados", fala o laudo. 

Theo Marques/UOL
Imagem: Theo Marques/UOL

A polícia acredita que a família Brittes e outras pessoas que ficaram na residência depois de Daniel ser morto ajudaram na destruição de provas limpando a casa e queimando objetos. Quando a família deu o 'after party' naquele endereço, o imóvel estava em reforma e havia material de construção espalhado pelo quintal da frente, que agora é tomado pelo mato - que cresce sem cuidados. 

As imagens feitas depois do crime e anexadas ao inquérito policial mostram a grama curta e diversas ferramentas de reforma. "A construção se encontrava em reforma, sendo observado no terço posterior do muro lateral esquerdo, em frente ao portão metálico de acesso à construção, a aplicação recente de cimento, bem como poeira de obra disposta sobre o piso. Na dependência situada atrás do portão de acesso a residência, verificou-se peças e materiais de construção, bem como alguns móveis empilhados e protegidos por filmes plásticos", diz o laudo da perícia que foi feita na casa. 

Daniel foi à casa dos Brittes para participar do 'after party' depois de comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes na boate Shed, em Curitiba, na sexta à noite, dia 26. O jogador começou a ser espancado quando o pai da garota, Edison, o viu na cama com sua mulher, Cristiana Brittes, na suíte do casal. 

Edison Brittes Júnior afirma que Daniel tentou estuprar Cristiana e por isso atacou o jogador, que foi espancado por várias pessoas na residência e levado de carro para uma estrada, onde foi degolado e teve o pênis cortado. 

Edison, Cristiana, Allana, David Vollero, Eduardo Henrique da Silva e Ygor King estão presos por participação no assassinato em diferentes níveis. Apenas Allana Brittes não é acusada de homicídio. Evellyn Perusso responde em liberdade por falso testemunho.