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Coutinho cita críticas erradas pós-Copa e diz: temporada não é das melhores

Albert Gea/Reuters
Meia brasileiro Philippe Coutinho em ação na vitória do Barcelona sobre o Villarreal pelo Campeonato Espanhol Imagem: Albert Gea/Reuters

Do UOL, em São Paulo

2019-04-18T20:53:30

18/04/2019 20h53

A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2018 foi "um momento difícil" para Philippe Coutinho. Diante das expectativas criadas pela equipe comandada por Tite antes do torneio, o próprio meia-atacante admite que a expectativa era deixar a Rússia com o título.

Por isso, em entrevista ao comentarista Alê Oliveira para o canal de YouTube De sola divulgada hoje, Coutinho reconheceu que os jogadores precisaram ser mentalmente fortes após a queda diante da Bélgica nas quartas de final.

"Não só os torcedores, as pessoas esperavam, como a gente também. A gente sabia que o grupo era bem forte, tinha feito um grande trabalho antes da Copa. E nós, como todos, queríamos chegar à final, ganhar. Esse era o objetivo. Quando isso não acontece, é aí que vem o momento difícil, porque muitas pessoas criticam de uma maneira, do meu modo de ver, até errada. Falam coisas que às vezes não têm muito a ver com o futebol", disse o jogador.

"A gente que vive ali dentro tem que estar com a cabeça forte. Uma coisa que o professor Tite sempre fala é de ser forte mentalmente. Acho que, nesse momento, cada um foi para sua casa, e acho que cada um teve que ser forte nesse lado. Passei umas férias complicadas, difíceis, mas que a gente tinha que seguir. Acabar ali as férias, voltar para os clubes e começar tudo de novo para poder ter um novo objetivo, que seria 2022", completou.

Na entrevista, Coutinho deixou claro que tenta evitar ao máximo acompanhar repercussões nas redes sociais e na imprensa - tanto a brasileira quando a europeia - a respeito de seus jogos. Para ele, muitas vezes as avaliações são desproporcionais.

"Claro que não é bom, não é legal. Mas tem coisa que a gente acaba vendo (nas redes sociais), não tem jeito. Eu sou um cara que não procuro ver. Claro, na rede social, você acaba vendo também algumas coisas, mas a gente - não só eu - tem que seguir a vida, não dar bola para esses comentários", disse, equiparando também defeitos da imprensa no Brasil e na Europa.

"Acho que são parecidas. São duras nas críticas, mas sou um cara que procuro não ver isso. Quando você faz um bom jogo, falam muito bem. Tem que ter um meio-termo. Quando você faz um bom jogo, você não é Deus, e quando faz um mal jogo, você também não é o pior do mundo. Tem que ter esse meio-termo e ficar com a cabeça forte", avaliou.

Na Copa do Mundo de 2022, Coutinho estará com 30 anos. E mesmo assim mira estar novamente com a seleção brasileira nos gramados do Qatar.

"Está um pouco longe ainda, mas óbvio que o objetivo que eu tenho na cabeça é sempre evoluir, melhorar, para poder chegar na próxima Copa, poder estar bem e representar meu país. Esse é sempre o objetivo", disse.

Adaptação ao Barcelona

Na atual temporada, Philippe Coutinho fez 47 jogos e 11 gols pelo Barcelona (0,23 gol/jogo). Já na temporada 2016/2017, sua última completa pelo Liverpool, foram 14 gols em 36 jogos (0,38 gol/jogo). Os números são do site ZeroZero e reforçam a cobrança sobre o brasileiro por bons desempenhos como os demonstrados no período em que defendeu o clube inglês.

Contratado pelo Barça no começo de 2018, o próprio Coutinho coloca a adaptação ao jogo na Espanha como uma das principais questões para que seu estilo se apresente melhor. Assegurou, porém, que não falta vontade em campo.

"Acho que, em todo lugar, você precisa de um tempo para se adaptar. Eu estou aqui tem um ano e um ou dois meses, se não me engano, mas sempre com a mesma vontade de aprender, evoluir, crescer e vencer em campo", afirmou.

"Essa temporada não tem sido a melhor - ou uma das melhores - em ponto de vista pessoal, falando de mim. Mas é como eu falei: tenho sempre essa vontade dentro de mim de aprender. Cada jogo é uma oportunidade. Vivo bastante o momento, e o momento é de chegar agora essa semana, domingo tem jogo, não penso no próximo, nos que vem depois, para poder viver o momento, intenso, e mudar essa situação. Mas tudo vem com calma, trabalho, uma cabeça boa", acrescentou.

Questionado a respeito das diferenças de jogar na Inglaterra e na Espanha, Philippe Coutinho classificou o Campeonato Inglês como "mais intenso", "corrido" e "aberto", enquanto viu dificuldades para jogar na Espanha diante de rivais que se fecham para enfrentar o Barcelona.

"A diferença, acho, é que na Premier League é um jogo muito corrido, que para pouco, muito intenso. Para pouco com falta, então o jogo fica muito corrido, lá e cá, muito intenso. Isso foi a principal (coisa) que eu senti quando cheguei nos treinamentos, na minha adaptação lá", analisou.

"O jogo aqui é rápido, os times tentam jogar bastante, mas também quando joga com o Barça, os times se fecham muito. Fica meio difícil. Eles colocam todos atrás da linha da bola e ficam muito fechados. Essa tem sido a diferença, eu acho. O jogo lá mais intenso, corrido, de repente mais aberto; aqui, um pouco mais fechado por jogar com o Barcelona."

Embora insatisfeito com o próprio desempenho, Coutinho tem a chance de fechar a temporada com três títulos de expressão pelo Barcelona: o Campeonato Espanhol (o time lidera a competição após 32 rodadas), a Copa do Rei (é finalista, contra o Valencia) e a Liga dos Campeões da Europa (o Barça é semifinalista, enfrentando o Liverpool).

Para ele, as possibilidades são boas. "O Barcelona vem fazendo uma grande temporada, e claro que, para coroar isso, seriam os títulos. Todo mundo está focado para brigar por isso", declarou.

Carinho por Vasco e elogio ao Palmeiras

Questionado por um internauta se aceitaria jogar no Flamengo, o meia-atacante, revelado pelo Vasco, disse que a prioridade em um eventual retorno ao Brasil seria cruzmaltina.

"Nunca tive proposta do Flamengo. Na verdade, fui criado no principal rival, e tenho um carinho enorme pelo Vasco. Passei muitos anos lá. É um clube onde eu também estudei, fiz a parte da minha escola dentro do clube. Acho que isso são poucos os clubes que têm. Tenho um carinho enorme pelo Vasco. Minha preferência sempre seria o Vasco", disse.

Coutinho não descartou a chance de defender outro clube no Brasil além do Vasco, mas reforçou seu carinho pela ex-equipe. "Isso (defender outro time no futuro) ninguém sabe, né? Difícil dizer sobre o futuro - a gente nunca sabe o que pode acontecer. Mas como falei, minha preferência sempre seria o Vasco, pelo carinho que eu tenho pelo clube", completou.

No entanto, ao apontar o melhor time do Brasil na atualidade, em sua opinião, preferiu analisar resultados recentes. "Acho que o Campeonato Brasileiro é muito difícil, com muitos times de alta qualidade. Mas vou dizer o Palmeiras (como melhor time do futebol brasileiro), porque é o atual campeão. Não é fácil ganhar o Brasileiro", avaliou.

Confira ainda outros trechos da entrevista de Philippe Coutinho:

Lionel Messi

"Realmente, ele é diferenciado. Para mim, é um prazer enorme estar tendo a possibilidade de jogar ao lado dele, de ver ele dentro do vestiário, de ver as reações de um ídolo. Para mim, isso é um prazer enorme. Ver as jogadas que ele faz... Vocês veem nos jogos, mas a gente vê no dia a dia, nos treinamentos. Tudo que ele faz, faz de uma maneira que parece ser fácil. Isso nos encanta. Para mim, é um prazer enorme jogar ao lado dele."

Luis Suárez

"Suárez é um cara especial para mim. Quando cheguei no Liverpool, foi um cara que ajudou bastante na minha adaptação, tanto minha como da minha família. Aqui também, é um cara que tem me ajudado bastante, um cara com quem convivemos muitos momentos juntos, é um cara especial para a gente, para mim e para minha família."

Melhor dupla

"É difícil falar sobre isso, porque em campo somos 11. É sempre grupo o principal. Claro, joguei ao lado de grandes craques, tive a sorte: Messi, Suárez, Neymar, Salah, Firmino, entre outros. Se eu for falar, são muitos craques com quem tive a oportunidade de jogar. Isso de dupla, eu prefiro ficar com o coletivo."

Ídolos

"Meus maiores ídolos sempre foram meus pais. Dentro do futebol, como não jogaram bola, sempre foi o (Ronaldinho) Gaúcho. Sempre foi meu maior ídolo. Já encontrei ele algumas vezes, sempre um pouco nervoso quando chega do lado do cara. Mas a gente conversou algumas vezes e ele me tratou superbem. Deu umas dicas, tem que respeitar quando o ídolo está falando."

Jogar com Neymar na Europa?

"Jogar com o Neymar, como eu falei, é um grande prazer. É um grande craque. A gente jogou muito tempo juntos na base (da seleção brasileira). Ver o jogador que ele se tornou é especial. A gente vê: na base, o que ele fazia, é justamente a mesma coisa que ele faz hoje. Jogar ao lado dele sempre é prazeroso. Não teve essa oportunidade ainda (de se companheiro de clube), mas seria bom jogar ao lado dele."

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