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Thiago Motta deixa cargo de técnico da base no PSG e expõe crise interna

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Brasileiro naturalizado italiano Thiago Motta comandou sub-19 do PSG Imagem: Divulgação

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, de São Paulo

2019-05-15T04:00:00

15/05/2019 04h00

A carreira de Thiago Motta como treinador de futebol foi parcialmente interrompida após discussões internas no Paris Saint-Germain. O brasileiro entregou o cargo nas categorias de base do clube e, de quebra, deixou explícita uma crise de bastidores relacionada à gestão no time principal. O ex-jogador já oficializou a decisão e está consciente de que não deverá ter oportunidades para seguir em outra função no PSG.

A saída de Thiago Motta acontece por conta de diversos problemas com o diretor de futebol do PSG, o português Antero Henrique. O dirigente vem colecionando atritos no clube, sendo também desafeto do treinador do profissional, o alemão Thomas Tuchel. O cartola ainda chegou a irritar os brasileiros do elenco (Neymar, Daniel Alves, Thiago Silva e Marquinhos) pelo insucesso no mercado de transferências, segundo apurou a reportagem.

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Prestigiado no PSG como jogador, Thiago Motta se aposentou pelo clube na temporada passada e ganhou a oportunidade de iniciar a carreira como treinador no comando do time sub-19. A temporada foi ruim, sem títulos conquistados e com eliminação em fase classificatória na Liga dos Campeões da categoria. Para o brasileiro naturalizado italiano, as desavenças com Antero Henrique refletiram diretamente nos resultados.

Segundo apurou o UOL Esporte, Thiago Motta se revoltou durante a temporada com a quantidade de jogadores do time sub-19 levados ao profissional para treinos e presença no banco de reservas, mesmo que com chance quase nula de aproveitamento. A avaliação é de que isso aconteceu justamente por conta da falta de reforços assegurados pela cúpula do clube francês. Em alguns jogos na base na temporada, o técnico brasileiro chegou a contar apenas com 13 relacionados.

De acordo com o jornal francês Le Parisien, o treinador brasileiro ainda considera que Antero Henrique faz pressão para os jovens do clube assinem longos contratos com o PSG mesmo sem garantias de utilidade para o profissional.

"Sim, estou deixando o cargo de treinador. Eu aprendi muito por aqui, não só dentro de campo. Só que o mais importante de tudo é tomar uma decisão pensando no bem do PSG", disse Thiago Motta ao Le Parisien.

O treinador brasileiro apenas esperava o fim da temporada para oficializar a decisão. Ele nem compareceu a uma recente reunião com Antero Henrique sobre o futuro da base do PSG.

O atrito entre Thiago Motta e Antero Henrique ainda demonstra a força do português no clube. Seu bom relacionamento com o presidente, Nasser Al-Kelahifi, o deixa inabalável no cargo de diretor, ainda para certa surpresa da imprensa francesa.

"O Antero Henrique não se dá bem com muitas pessoas no clube e é bastante incompreensível ele ficar no cargo. O Thiago Motta tem maior vínculo com o PSG e é um verdadeiro conhecedor de futebol. É extremamente lamentável, pois é um rapaz inteligente e sobretudo um verdadeiro conhecedor do futebol que poderia ter contribuído muito para o PSG", comentou Stéphane Bitton, repórter da rádio francesa Europe 1.

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