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Técnico do Paraguai nega pressão e "não olha números" para pegar o Brasil

Eduardo Berizzo, técnico do Paraguai, concede entrevista coletiva - Omar Vega/Getty Images
Eduardo Berizzo, técnico do Paraguai, concede entrevista coletiva Imagem: Omar Vega/Getty Images

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

26/06/2019 20h38

Sem vencer na Copa América, o técnico do Paraguai não crê que os números possam refletir o rendimento de seu time. Classificado graças ao tropeço do Japão contra o Equador na última rodada, Eduardo Berizzo disse que "não olha" os números antes de encarar a seleção brasileira nas quartas de final.

"O que eu faço com os números? Não os olho", disse quando questionado sobre a falta de resultados de seu time.

"Geralmente as estatísticas não garantem nada, nem a favor nem contra. É teoria. A análise prévia da partida não descreve o jogo. É um trabalho jornalístico. Nós olhamos dentro do jogo, quantos acertos de passe, onde perdemos a bola, quando perdemos a bola, onde devemos pressionar. O número não serve. São marcas que temos que romper. Vamos enfrentar um rival perigoso, que vai nos exigir atitude e temos que fazer da bola uma arma para sair da pressão do Brasil. Ter profundidade, verticalidade. É isso que temos que fazer. Defender bem, atacar com qualidade, e ir de um a outro muito rápido", completou.

A razão para ignorar a estatística é clara. Berizzo venceu apenas uma vez nos últimos sete compromissos no comando do Paraguai. E as perguntas sobre críticas e pressão para perder o cargo deixaram o treinador desconfortável.

"Quando a gente se dedica a um trabalho público, estamos expostos a críticas. Pode ser ruim, pode ser boa. Se acreditarmos em tudo que se fala, fica complicado. Não seria inteligente. Sabemos lidar com isso, valorizar o que fizemos de bom, corrigir os erros", disse. "A análise precisa ser muito cuidadosa. Nosso grupo tinha duas seleções que poderiam ter nos eliminado (Argentina e Colômbia). E contra o Qatar, poderíamos ter vencido, mas era o campeão asiático. Se você olhar o jogo do Japão, dirá que nos classificamos "no rebote", mas se pensar no nosso empate contra a Argentina, verá que não foi assim", completou.

Berizzo não gostou do tom adotado pela imprensa local após o fim da primeira fase sem a conquista de uma vitória sequer.

"Antes da classificação você me perguntou se seria um fracasso. Hoje não me perguntou se foi um êxito. Temos que tomar muito cuidado com as avaliações exageradas, elas, sim, são um problema", disse se dirigindo a um repórter. "Não se constrói um time em quatro meses. Precisa de tempo, convicção no que você está fazendo. O caminho mostrará dificuldades, mas temos que estar convencidos de como jogar. Vejo os jogadores convencidos. Nos três jogos, vimos coisas interessantes. É um caminho que temos que passar. Apesar de não termos vencido, tivemos méritos para estar aqui. O que não nos parece bom é menosprezar o que fizemos até agora", acrescentou.

Paraguai e Brasil jogam nesta quinta-feira a partir das 21h30 (de Brasília) na Arena do Grêmio.

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