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Clone? Rival de Anderson Silva no UFC 234 vê brasileiro como ídolo

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Especialistas apontam Israel Adesanya como um 'clone' de Anderson Silva no MMA, mas nigeriano prefere outro olhar: 'Sou um fã de Anderson há muitos anos' Imagem: @stylebender/Twitter

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

07/02/2019 04h00

O UFC 234, no dia 10 de fevereiro, deve marcar mais um ponto importante da trajetória de Anderson Silva no MMA. Em duelo pelo peso médio (até 84 kg), o veterano brasileiro, de 43 anos, irá enfrentar o nigeriano Israel Adesanya, de 29. Caso vença, Anderson já indicou que deve tentar o cinturão da categoria para, aí então, se aposentar.

No entanto, do outro lado, terá um adversário duro: em 15 lutas no MMA, Adesanya conquistou 15 vitórias. E mais do que isso: terá como rival um admirador.

"Eu espero que Anderson apareça como em seus velhos dias, no auge de sua forma", disse o nigeriano, que mora desde a adolescência na Nova Zelândia, em entrevista por telefone ao UOL Esporte. "Sou um fã de Anderson há muitos anos", completou.

Uma vitória de Israel Adesanya na luta, que acontecerá em Melbourne (Austrália), pode até aposentar Anderson Silva. Mas o rival não vê o brasileiro como um lutador à beira do fim de sua trajetória profissional.

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Pelo contrário. "Anderson pode lutar, e acho que a luta vai ser uma luta dura", previu o lutador, 14 anos mais jovem que seu adversário.

Em 18 de dezembro, durante entrevista coletiva, Anderson Silva falou sobre a luta. Fez elogios ao Adesanya - segundo ele, "um grande lutador" - e disse que o nigeriano não deve ser visto como seu sucessor no MMA, muito embora o adversário seja considerado por muitos um "clone" do brasileiro.

"Acho que ele é muito talentoso, é jovem, tem um futuro brilhante pela frente neste esporte", disse o brasileiro. "Acho que Israel não é uma nova versão minha. Mas acho que essa luta será interessante, porque acredito que será a primeira vez que terei um rival com o mesmo estilo. É um bom teste para minhas habilidades em artes marciais."

Israel Adesanya adotou discurso parecido. Em tom elogioso, dispensou as provocações. Questionado, o nigeriano até admitiu a possibilidade de alguma trash talk, mas talvez apenas na entrevista coletiva antes da luta.

"Não sei o que pode acontecer", afirmou. "É parte do show, como você disse".

Derrota no Brasil

Ao longo de sua carreira, Anderson Silva treinou lutas como muay thai, boxe, jiu-jitsu e taekwondo. Israel Adesanya, por sua vez, se especializou em boxe (foram seis lutas profissionais entre 2014 e 2015, com cinco vitórias - um nocaute - e uma derrota) e kickboxing.

No kickboxing, a carreira foi mais longeva. Entre 2011 e 2017, lutou 80 vezes, com 75 vitórias (48 nocautes), cinco derrotas (um nocaute) e um empate.

Curiosamente, duas das raras derrotas, inclusive um nocaute, aconteceram diante de outro brasileiro: o paulista Alex Pereira. Em 2016, eles se enfrentaram na primeira edição do Glory of Heroes, em Shenzen (China), e o brasileiro - que faz parte do staff de treinamento de Anderson Silva - levou a melhor na categoria até 85 kg.

A revanche veio no ano seguinte, na sétima edição do evento chinês. Desta vez, a luta aconteceu em São Paulo, e o brasileiro nocauteou o rival.

"Eu venci a luta, mas os juízes deram a ele a vitória", lembra Adesanya. Já na segunda luta, o nigeriano lembra que estava "batendo nele" até ser surpreendido com um golpe de esquerda.

Agora, o jovem nigeriano tem a chance de vencer seu ídolo Anderson Silva no UFC. No entanto, garante que não fez uma preparação diferente para o combate. "Treinei com bons caras que podem ajudar, um pouco de boxe", explicou. "Mas nada mudou."