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PF prende Nuzman e seu braço direito; MPF fala em enriquecimento de 457%

Mauro Pimentel/AFP
Carlos Arthur Nuzman chega à Polícia Federal após ser preso no Rio de Janeiro Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Do UOL, em São Paulo

05/10/2017 06h38

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (5) no Rio de Janeiro um mandado de prisão temporária de cinco dias contra o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Rio-2016 Carlos Arthur Nuzman na segunda fase da Operação Unfair Play. O dirigente foi detido durante a manhã em sua residência no Leblon e levado para a sede da PF da cidade em um desdobramento de investigação sobre suspeita de compra de votos na eleição que escolheu o Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016.

Além de Nuzman, outro mandado de prisão foi expedido contra Leonardo Gryner, diretor geral do comitê da Rio 2016 e braço direito de Nuzman no COB. Ele foi detido em sua residência nas Laranjeiras e também foi encaminhado para a sede da PF.

No pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público Federal, Nuzman é acusado de tentativa de ocultação de bens. Também é apontado um aumento de patrimônio de Nuzman de mais de 457% entre os anos de 2006 e 2016.

Como exemplo, o Ministério Público citou uma chave apreendida na primeira fase da operação que poderia corresponder a um cofre na Suíça, considerando que estava guardada junto a cartões de visita de agentes que trabalham como serviço de locação.

"Ele só veio a declarar a existência de 16 barras de ouro, 1 kg cada uma, que mantinha no exterior, à Receita Federal, por meio de retificação da DIRPF, na data de 20 de setembro de 2017, ou seja, após a deflagração da Operação Unfair Play", diz o comunicado do MP.

Reprodução/MPF
Imagem: Reprodução/MPF

“Existe uma situação de ocultação dos recursos em poder do representado e em outros países, o que dificulta o rastreio desses recursos e consequente recomposição dos danos ao erário. A atitude adotada em momento seguinte à deflagração da Operação Unfair Play demonstra obstrução das investigações sobre a ocultação patrimonial. Além disso, documentos apreendidos na residência de Nuzman demonstram que grande parte de suas contas é paga em espécie: um engendro característico do sistema de lavagem de capitais”, detalham os procuradores.

O Ministério Público ainda informa que, pelas provas colhidas, “Carlos Nuzman e Leonardo Gryner foram os agentes responsáveis por unir pontas interessadas, fazer os contatos e azeitar as relações para organizar o mecanismo do repasse de propinas de (ex-governador do RJ) Sérgio Cabral diretamente a membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional), o que foi efetivamente feito por meio de Arthur Soares (o “Rei Arthur”)".

Rei Arthur é o apelido pelo qual é conhecido Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, apontado nas investigações como nome ligado a holding Matlock Capital Group, que seria responsável pelo pagamento das propinas relativas à escolha da Rio-2016.

O Ministério Público ainda anexou no processo e-mails de Papa Diack, filho de Lamine Diack, ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF). Com Nuzman e Gryner copiados, era feita a cobrança de um pagamento em novembro de 2009.

Os procuradores ainda dizem que as prisões temporárias de Nuzman e Gryner são imprescindíveis "não só como garantia de ordem pública, como para permitir bloquear o patrimônio, além de impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória”.

Além dos mandados de prisão temporária, a PF cumpre seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, entre eles um na sede do Comitê Olímpico Brasileiro na Barra da Tijuca. Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Luciano Belford/AGIF
Leonardo Gryner chega à PF Imagem: Luciano Belford/AGIF

Outro lado

O advogado de Nuzman criticou a prisão do dirigente. "É uma medida dura e que não é usual pelo menos dentro dos padrões do devido processo legal", disse Nélio Machado em entrevista a repórteres na saída da casa de Nuzman. Ele já entrou com um pedido de habeas corpus em 17 de setembro, mas que ainda não foi julgado.

A reportagem do UOL Esporte procurou a família de Leonardo Gryner, que não comentou a prisão do dirigente. Os familiares também não informaram se Gryner tem um advogado para defendê-lo.

Entenda a investigação

A operação, batizada de Unfair Play, é um desdobramento da Lava Jato e investiga compra de voto e pagamento de propina na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Ela foi deflagrada há exatamente um mês com mandados de busca e apreensão contra Nuzman.

O presidente do COB é apontado como suspeito de intermediar a compra do voto do representante do Senegal no Comitê Olímpico Internacional para a escolha da cidade do Rio de Janeiro. Para os procuradores, Nuzman é "figura central nas tratativas".

Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carro da Polícia Federal durante operação no Rio de Janeiro Imagem: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo
Na denúncia apresentada pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Federal do Rio, Nuzman é tratado como uma peça que, sem ele, a "engenhosa e complexa relação corrupta" não teria ocorrido. Não há, no documento de 129 páginas divulgado pelo MPF, qualquer menção de que o presidente do COB tenha enriquecido ilicitamente ou tenha ele recebido propinas.

O MPF ainda promete investigar "movimentações suspeitas" nas contas do COB. Uma análise de um relatório de inteligência financeira do COAF mostra que, entre janeiro de 2014 e abril de 2015, foram sacados R$ 1,4 milhão em espécie das contas do COB.

A investigação contou com a colaboração do MP francês. Inicialmente, os procuradores franceses apuravam caso de doping no atletismo. A partir da denúncia de um antigo opositor de Nuzman no COB, o MP da França descobriu existência de um esquema de compra de votos, acionando a Polícia Federal brasileira para cooperação na investigação.

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