Raí assume responsabilidade sobre saída de Aguirre e nega problema com Nenê

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

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    Raí concedeu entrevista nesta segunda-feira e falou sobre a saída de Aguirre no SP

    Raí concedeu entrevista nesta segunda-feira e falou sobre a saída de Aguirre no SP

Raí deu a sua versão para a demissão do treinador do São Paulo Diego Aguirre, que fora anunciada no domingo (12) à noite. O executivo de futebol do clube concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira (12), no CT da Barra Funda, e apontou a queda de produção da equipe no segundo turno do Campeonato Brasileiro como fator preponderante para a decisão ser tomada. O dirigente negou qualquer problema de vestiário [a relação com o meia Nenê poderia ser o estopim para a saída do treinador].

"Entendo a surpresa de vocês com a decisão. Até porque não foi uma decisão fácil. Foi difícil. O mais fácil seria manter as coisas como são. Foi uma decisão difícil, encabeçada por mim. Quero deixar bem claro isso. A decisão da saída dele foi algo discutido, amadurecido internamente. Já tínhamos decido, ainda não compartilhado com ele, que pelo rendimento nas últimas dez rodadas o trabalho não surtiu efeito. Não teve reação. Foram partidas que nem a comissão técnica nem os jogadores satisfizeram. Estava difícil", afirmou Raí, que negou qualquer problema com Nenê.

"Dei todas as explicações que não tem nada a ver com uma pessoa. Foi uma sequência. É pensar em 2019. Entendendo que pode aumentar nossa chance de chegar ao G4 [com a saída de Aguirre]. Tiveram momentos em que o Nenê mostrou insatisfação. A gente reprova. Falamos com ele, cobramos. Dessa vez também. Foi mais leve, são mais suposições [de que Nenê não teria comemorado o gol com o Aguirre]. Ele saiu do jogo com o Corinthians, irritado, não satisfeito. Quando entrou no jogo estava com muita vontade. Não teve nenhum peso [a situação de Nenê com Aguirre]", completou Raí. 

Até o fim da temporada, quem vai ficar no comando será André Jardine, que era técnico das categorias de base até o ano passado e fora promovido em 2018 para auxiliar do profissional. No entanto, nem todos dentro do Morumbi entendem que a efetivação do gaúcho de 39 anos seja o caminho correto a seguir. Ex-jogador e ídolo da torcida, Raí encara Jardine como o nome ideal. Porém, o dirigente não o confirmou  no cargo em 2019.

"Jardine faz parte da comissão permanente. Óbvio que não [está descartado ele ser efetivado]. Ele faz parte e vai continuar fazendo parte da comissão permanente", afirmou Raí.

O campeão mundial de 1992 foi o grande incentivador da integração do treinador da base na equipe principal. Ele também apoiou o então auxiliar a viajar para a Europa, em outubro, para fazer intercâmbio e conhecer um pouco mais da cultura futebolística de outros países. No entanto, nem todo mundo pensa como Raí dentro do clube.

A demissão de Aguirre

Raí deixou muito claro que não havia ficado satisfeito com o desempenho do São Paulo no empate por 1 a 1 com o Corinthians, no último sábado (10). Apesar de jogar fora de casa, a equipe atuou todo o segundo tempo com um jogador a mais (Araos havia sido expulso no fim da primeira etapa).

Com a vitória do Grêmio sobre o Vasco, no domingo (11), o Tricolor paulista caiu para a quinta colocação (foi superado no número de vitórias pelos gaúchos) e viu a situação para buscar uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores ficar mais complicada (os quatro mais bem colocados no nacional se classificam nesta etapa do torneio continental).

No encontro da cúpula tricolor neste domingo, já com os resultados da rodada na mão, foi possível observar que o time tinha uma vantagem de 12 pontos para o sétimo lugar (Atlético-PR) - sendo que até sexto do Brasileirão se classifica para a Pré-Libertadores. Por isso, ficou claro que já era o momento para começar a se projetar 2019 e Aguirre não faria mais parte dos planos. 

O consenso entre os dirigentes foi de que nessas últimas rodadas o clube devia lutar pela quarta posição com o ânimo renovado por causa da entrada de Jardine, e estudar o que será feito no próximo ano sem a preocupação de perder o lugar na Pré-Libertadores.

O uruguaio tinha contrato com o clube até o fim deste ano, sem multa de rescisão [vai apenas receber o seu salário até o fim do ano]. Indicado por Lugano, Aguirre chegou a encantar a diretoria, que até esboçou uma conversa sobre a renovação de contrato há cerca de dois meses. Na ocasião, o treinador achou que não era o momento para discutir o assunto.

No segundo turno, o time perdeu desempenho. Depois de fechar a primeira metade do nacional na liderança, com 71,9% de aproveitamento, a equipe conquistou apenas 40,4% dos pontos possíveis na segunda parte do torneio. 

No total, Aguirre comandou o São Paulo em 43 partidas, com 19 vitórias, 15 empates e nove derrotas, com 55,8% de aproveitamento dos pontos.

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