Por que todos querem e ninguém está perto de levar Everton Ribeiro

Do UOL, em São Paulo*

  • REUTERS/Andres Stapff

    Everton Ribeiro em ação pela seleção brasileira durante partida pela Copa América de 2015

    Everton Ribeiro em ação pela seleção brasileira durante partida pela Copa América de 2015

Quando o empresário de Everton Ribeiro avisou que ele estaria disposto a voltar após dois anos nos Emirados Árabes, o mercado da bola se acendeu. Clubes como São Paulo, Cruzeiro e Flamengo manifestaram interesse no meia e outros tantos, como o Palmeiras, também viraram alvo de especulações. Uma semana depois, todos seguem longe de fechar negócio.

O problema é que o atual clube do meia não quer participar dessa novela. O Al Ahli pagou cerca de 15 milhões de euros pelo "Craque do Brasileirão" em 2013 e 2014 e tem contrato com Everton Ribeiro até janeiro de 2019. O brasileiro é uma das estrelas do time dos Emirados, que está no mata-mata da Liga dos Campeões da Ásia. Esportivamente, os árabes não têm interesse em perder o jogador. Em último caso, cobrariam bem caro por isso.

Dirigentes de clubes interessados e empresários com trânsito no Al Ahli falam em algo em torno de 7 milhões de euros pela liberação de parte dos direitos econômicos de Everton Ribeiro. O time de Dubai tem fama de ser duro em negociações deste porte e pretenderia, no mínimo, reaver o valor proporcional ao que investiu por quatro anos de contrato.

O peso do Al Ahli pode ser notado na diferença de tom entre Everton Ribeiro e seu estafe. "Nunca antes um clube brasileiro esteve tão próximo. [...] Neste momento estamos direcionados a outro projeto. Já me reuni com os representantes do clube e comuniquei a eles o desejo do jogador que é de sair", disse Robson Ferreira, empresário do meia, ao UOL Esporte, na quarta passada. "[A transferência] passa muito pelo clube aqui primeiro. Tenho mais dois anos de contrato. Chegaram algumas coisas, mas passa pelo clube", disse Everton Ribeiro no último fim de semana, à rádio Itatiaia.

Quem está mais forte na briga pelo meia?

A notícia de uma possibilidade, independentemente das dificuldades, mobilizou os cartolas. Ao menos três clubes manifestaram interesse no meia. O São Paulo consultou o estafe de Everton, mas se frustrou ao ouvir os valores. Ele ganha, por mês, cerca de R$ 1,14 milhão, valor proibitivo para o mercado brasileiro. Estaria disposto a reduzir os vencimentos para R$ 800 mil, mas a quantia ainda assim supera o teto salarial no Morumbi e a diretoria se considera fora do negócio.

O Cruzeiro fala em "portas abertas" ao velho ídolo, mas também não se empolga. A diretoria mineira tem problemas com o estafe de Everton Ribeiro, que cobra dos cartolas parte das luvas que ele deveria ter recebido em 2011, quando trocou o Coritiba pelo clube em que seria bicampeão brasileiro.

Quem mais avançou nas conversas foi o Flamengo. Rodrigo Caetano, diretor-executivo de futebol na Gávea, tratou a consulta a um jogador como Everton uma "obrigação" para alguém em sua posição. O clube entende que não há tempo hábil para uma negociação deste porte imediatamente – a janela atual fecha em 4 de abril. A ideia rubro-negra é se preparar para um negócio no meio do ano.

O salário não assusta. Atualmente, Diego e Guerrero ganham entre R$ 600 e 700 mil, valor no qual o clube acredita que pode chegar em uma negociação com Everton. A pedida do Al Ahli também poderia ser contornada se os árabes estivessem dispostos a ceder um pouco no valor e aceitassem pagamento parcelado. Neste cenário, a vontade do jogador seria fundamental para convencer os dirigentes de Dubai, como aconteceu com William Arão, Diego, Berrío e Conca, exemplos que de alguma forma venceram a queda de braço em seus clubes para chegarem à Gávea. 

O quarto clube na lista seria o Palmeiras, clube que sondou a situação do meia no início do ano passado. Alexandre Mattos, diretor de futebol alviverde, trabalhou com Everton Ribeiro nos tempos de Cruzeiro e é padrinho de casamento do jogador. O clube, no entanto, nega qualquer interesse na negociação. Ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, o presidente Mauricio Galiotte disse que foi consultado pelo estafe de Everton, mas está satisfeito com as opções que tem atualmente no elenco, citando Dudu, Guerra e Michel Bastos como exemplos.

Na avaliação palmeirense não há a necessidade de investir em Éverton Ribeiro neste momento por questões técnicas, como ressaltara Galiotte. Apenas circunstancialmente, em caso de lesões dos atletas da posição, por exemplo, o Palmeiras entraria na briga para negociar com o meia e amigo de Alexandre Mattos. O salário, neste caso, também não assustaria o dono do maior patrocínio do futebol brasileiro na atualidade - obviamente, valores seriam negociados e, provavelmente, reduzidos. Como grau de comparação, Miguel Borja, maior investimento da Crefisa no ano, possui vencimentos de 100 mil dólares (R$ 314 mil), quantia da qual a parceira ajuda com R$ 200 mil. 

*Reportagem de José Edgar de Matos, Pedro Lopes, Thiago Fernandes e Vinicius Castro

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos