Após protestos da torcida, Corinthians desiste da contratação de Juninho

Do UOL, em São Paulo

  • Mauro Jefferson/Ceará

    Atacante Juninho, de 19 anos, tem histórico de problemas disciplinares

    Atacante Juninho, de 19 anos, tem histórico de problemas disciplinares

O Corinthians informou na tarde desta quinta-feira que desistiu da contratação do atacante Juninho, jogador que estava no Ceará e chegaria ao clube paulista por empréstimo até o fim do ano que vem. O atleta, cujos direitos são do Sport, é indiciado por agressão. A reviravolta aconteceu após a manifestação de torcedores nas redes sociais.

"Considerando as inúmeras manifestações de torcedoras e torcedores contrários à eventual contratação de Juninho, informamos que ele não fará parte de nosso quadro de funcionários. O momento exige que o congraçamento de mentes em torno da causa feminista se sobreponha a quaisquer outras considerações", disse o presidente Andrés Sanchez em nota oficial.

Juninho, de 19 anos, tem um histórico de problemas disciplinares, além do envolvimento em um caso de polícia. Ele foi detido em outubro de 2017 por agressão a uma ex-namorada, com a qual esteve por cinco meses. Ela o acusa de tê-la trancado em um apartamento, no qual a teria espancado e ameaçado com uma faca. Segundo seu testemunho, Juninho teria dito que suas alternativas eram continuar com ele ou morrer. O jogador pagou R$ 10 mil em fiança e aguarda julgamento em liberdade.

Na última terça-feira, o Sport anunciou a transferência de Juninho ao Corinthians por meio de uma nota em seu site oficial. De forma imediata, torcedores iniciaram uma campanha contra a vinda do atleta no Twitter - a hashtag criada foi um dos assuntos mais citados na rede social naquela noite. Pouco antes, o próprio clube lembrou os 12 anos da Lei Maria da Penha e orientou torcedoras a denunciar abusos e violência.

O fato gerou uma divisão no Corinthians. O diretor do departamento amador, Nei  Nujud, e o gerente do setor, Yamada, eram a favor da contratação. Eles acordaram o negócio pessoalmente com Juninho e seus representantes na terça-feira. 

Na noite da última quarta-feira, o presidente Andrés Sanchez falou o UOL Esporte que uma reunião com as divisões de base do clube selaria ou não o acordo com o Sport e o atacante. 

Já na base do Corinthians, a avaliação de que ele é um jogador de bastante potencial é antiga. Em 2016, por ocasião da final da Copa do Brasil Sub-17 contra o Sport, e o interesse dos pernambucanos em contratar o centroavante André naquela ocasião, dirigentes corintianos chegaram a pedir Juninho, o principal nome do rival, como moeda de troca. O negócio não prosperou porque Tite quis a permanência de André.

No ano seguinte, Juninho explodiu como revelação do Sport na Copa do Nordeste, lançado por Ney Franco e anotou seis gols no time profissional, vice-campeão do torneio. Nos meses seguintes de 2017, caiu de produção e passou a ter problemas fora de campo, além dos treinadores Vanderlei Luxemburgo e Nelsinho Baptista, como por exemplo pelo excesso de peso. Cedido ao Ceará para jogar o Brasileirão, não vingou até o momento.   

Confira na íntegra o comunicado assinado por Andrés Sanchez:

Ao entabular negociações com o atleta Juninho, o Corinthians visava não só atrair um promissor talento futebolístico, mas também encetar um processo de ressocialização dele. Sabedor de antecedentes desabonadores no seu passado, acreditamos que um jovem devidamente orientado teria condições de mudar de banda e, em vez de frequentar o grupo dos que tratam como corriqueira a agressão à mulher, pudesse se tornar um exemplo de evolução moral.

Ou seja, o episódio deveria representar um passo avante naquela que é bandeira sagrada do Timão: lutar contra qualquer forma de discriminação, abominar a violência, aliar-se aos mais fracos. Entretanto, considerando as inúmeras manifestações de torcedoras e torcedores contrários à eventual contratação de Juninho, informamos que ele não fará parte de nosso quadro de funcionários. O momento exige que o congraçamento de mentes em torno da causa feminista se sobreponha a quaisquer outras considerações.

Ademais, estaremos aumentando a importância do enfrentamento pelo Corinthians de um tema sensível como esse em um ambiente sabidamente machista como o futebol. Atuaremos no sentido de difundir por todas as instâncias do Clube essa doutrina para evitar ocorrências como essa e formaremos parcerias com instituições que também cuidem da ressocialização dos agressores homens para que a violência contra a mulher acabe no Brasil.

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