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Caso Daniel


Bate-boca de advogados e Brittes mais magro marcam audiência de caso Daniel

Dimitri do Valle e Karla Torralba

Do UOL, em São José dos Pinhais (PR) e São Paulo

18/02/2019 21h21

O primeiro dia de audiência de instrução do caso Daniel nesta segunda (18) contou com três depoimentos das 77 testemunhas arroladas de defesa e acusação ouvidas e momentos de tensão no fórum de São José dos Pinhais, no Paraná.

Lucas Mineiro, Eduardo Purkote e uma testemunha sigilosa falaram à juíza Luciani Regina Martins de Paula. Os depoimentos sobre o caso de assassinato do ex-meia serão retomados na terça-feira, a partir das 9 horas. 

Os réus: algemados e Juninho Riqueza mais magro

Mais magro, Edison Brittes vai à audiência de instrução - FRANKLIN FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO
Mais magro, Edison Brittes vai à audiência de instrução
Imagem: FRANKLIN FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO
Passava-se do meio dia quando os réus presos começaram a chegar ao fórum de São José dos Pinhais. Algemados nas mãos e nos pés, eles foram conduzidos pouco a pouco para dentro da sala de audiência. Mãe e filha, Allana e Cristiana Brittes chegaram juntas e com roupas parecidas: calça cinza, blusa branca e chinelo. 

Edison Brittes Júnior estava visivelmente mais magro em relação ao homem visto nas redes sociais e nos primeiros dias de detenção, em novembro passado. Juninho Riqueza tentou encobrir o rosto, mas foi fotografado pelos fotógrafos presentes no local. 

O casal Cristiana e Edison Brittes - Reprodução/Facebook
O casal Cristiana e Edison Brittes
Imagem: Reprodução/Facebook
O advogado da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, foi questionado diversas vezes por jornalistas sobre a condição mental de seus três clientes e limitou-se a dizer que apenas responderia questões técnicas. Sobre a perda de peso de Juninho, o profissional alegou ser devido às circunstâncias de estar preso e do desgaste emocional pelo caso. 

David Vollero, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva também chegaram algemados e sob escolta policial. 

Tensão: bate-boca entre advogados de defesa e acusação

Desde o primeiro depoimento do dia, de Lucas Mineiro, os advogados Cláudio Dalledone Júnior, da família Brittes, e Nilton Ribeiro, assistente da promotoria, estranharam-se dentro da sala de audiência, e o tom de voz subiu. Do lado de fora do fórum, os dois se explicaram. 

"Ele está falando alto e a juíza interrompeu. Temos excessos do assistente de acusação. Ele está se exaltando, porque as coisas estão fugindo do controle", disse Dalledone à imprensa após a audiência.

Nilton rebateu dizendo que a defesa dos réus quer "tirar o foco". "Ao meu ver, a defesa está tentando jogar fumaça para desviar o foco, mas o crime é bárbaro e hediondo. As testemunhas dizem que Daniel pediu 'socorro, por favor não me matem'", relatou. 

Emoção: Mãe de Daniel quer olhar para réus 

Eliana, mãe de Daniel, fala com a imprensa - GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Eliana, mãe de Daniel, fala com a imprensa
Imagem: GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Eliana Correa, mãe de Daniel, chegou a São José dos Pinhais ontem acompanhada da irmã Regina e ficou muito emocionada ao falar com a imprensa. Ela ainda não depôs, mas acompanha tudo de perto. 

"Até hoje eu não vejo televisão, mas eu me preparei para esse momento aqui, eu vou conseguir. Eu tenho pena dele (Edison Brittes), ele é um infeliz", comentou Eliana. 

Regina pediu ao advogado de defesa da família Brittes para que respeite a memória de Daniel. "Somos a voz do Daniel. Eles calaram a voz do Daniel, mas não vão calar nossa voz. A pior coisa que tinham para fazer eles já fizeram. Eu peço ao Cláudio (Dalledone) que ele respeite a memória do nosso sobrinho, ele tentar denegrir a imagem do Daniel e está nos fazendo sofrer mais", ressaltou. 

Âncora questiona advogado dos Brittes

Eleandro Passaia e Cláudio Dalledone Júnior - Dimitri do Valle/UOL
Eleandro Passaia e Cláudio Dalledone Júnior
Imagem: Dimitri do Valle/UOL
Em mais um momento de tensão, o encontro entre Cláudio Dalledone Júnior e Eleandro Passaia antes mesmo da audiência começar. O apresentador do Tribuna da Massa, da afiliada do SBT no Paraná, arrolado como testemunha de defesa de Edison Brittes, questionou o advogado do motivo de tê-lo colocado na lista de testemunhas. 

"Te trouxe para te resguardar. Você não disse que tem documentos e provas?", rebateu Dalledone. "Posso acreditar em você"?, disse o apresentador no diálogo. 

Segundo o advogado dos Brittes, Eleandro Passaia mostrou notícias falsas sobre seu cliente e terá de esclarecer tudo à juíza. Ele foi arrolado como testemunha de defesa, porque o advogado acredita que seu depoimento ajudará Juninho Riqueza. 

Manifestantes na porta do fórum

Um pequeno grupo de manifestantes se reuniu na porta do fórum de São José dos Pinhais para pedir justiça a Daniel. Entre os pedidos do público, pena máxima aos réus. 

Próximos passos: 

A juíza Luciani Regina Martins de Paula retoma a partir de 9h desta terça-feira a audiência de instrução do caso Daniel, que vai decidir se os réus irão a júri popular por participação em diferentes níveis na morte do jogador, em outubro. 

Ao todo foram citados 77 nomes como testemunhas de defesa e acusação pelos advogados, promotor e assistente da promotoria. Em alguns momentos, os nomes se repetem por se tratar do mesmo caso. A audiência deve continuar pelo menos até quarta (20). 

Entenda o caso:

Daniel Correa foi morto no dia 27 de outubro de 2018 depois da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes. Após celebração em uma boate de Curitiba, todos seguiram para a casa da aniversariante, onde o jogador foi espancado antes de ser levado dali de carro para a morte. 

Daniel foi degolado e teve o pênis cortado. Edison Brittes Júnior, pai de Allana, confessou o crime. No carro que levou o jogador para ser morto ainda estavam David Vollero, Ygor King e Eduardo da Silva, também presos acusados de participação no homicídio. 

Segundo Edison Brittes, conhecido como Juninho Riqueza, Daniel tentou abusar de sua mulher, Cristiana Brittes, e por isso iniciou a sessão de espancamento do jogador, ainda em sua casa. Cristiana e a filha Allana também estão presas. 

A polícia afirma que, além de ter matado Daniel, Edison Brittes ameaçou testemunhas do crime e fez com que todos os presentes na casa limpassem o local para apagar as provas de que Daniel esteve ali. 

A sétima ré denunciada à Justiça é Evellyn Perusso, ficante de Daniel na noite anterior ao crime. A garota, amiga de Allana, responde por falso testemunho e denunciação caluniosa.