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Caso Daniel


Âncora chamado a depor em caso Daniel diz que defesa quer calar imprensa

Eleandro Passaia, apresentado do Tribuna da Massa e testemunha de defesa do caso Daniel  - Dimitri do Vale/UOL
Eleandro Passaia, apresentado do Tribuna da Massa e testemunha de defesa do caso Daniel Imagem: Dimitri do Vale/UOL

Dimitri do Valle e Karla Torralba

D UOL, em São José dos Pinhais e São Paulo

18/02/2019 13h05

Testemunha de defesa de Edison Brittes Júnior, acusado de ter assassinado o jogador Daniel Correa, o apresentador Eleandro Passaia, disse que acredita que foi chamado a depor pelo advogado da família Brittes em uma "tentativa de colocar medo na imprensa". Passaia é âncora do Tribuna da Massa, programa da afiliada do SBT no Paraná. 

Eleandro Passaia é uma das testemunhas de defesa que falará à Justiça a partir de hoje (18), em audiência de instrução do caso Daniel, que definirá se os sete réus denunciados por participação no crime irão a júri popular. 

O apresentador é acusado de divulgar notícias falsas em seu programa pela defesa de Edison Brittes Júnior. Segundo o advogado da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, Passaia foi chamado a depor como testemunha de defesa para esclarecer as reportagens que divulgou em seu programa, mesmo sendo contra seu cliente. 

Antes da audiência começar, Passaia falou com jornalistas e chegou a fazer uma transmissão ao vivo para seu próprio programa de dentro do fórum de São José dos Pinhais (PR), aproveitando o momento em que a imprensa foi liberada a entrar na sala. 

"Eu imagino que existem duas possibilidades aí (para me chamarem). De colocar medo na imprensa, porque estamos divulgando todos os casos. O Edison Brittes, ele não é no imaginário popular uma boa pessoa, além do crime contra o Daniel, fizemos uma série de reportagens mostrando que existem acusações fortíssimas contra ele de se fazer passar por policial para realizar falsas blitz, de extorsão", disse o apresentador ao UOL

"Levamos tudo ao ar e ele ficou muito furioso falando que eu estava divulgando inverdades. Não falamos nada sem ter documentos em mãos. Fomos os primeiros a descobrir que a mãe dele o processa. Tudo isso levamos ao ar. Estamos mostrando não só o caso Daniel, mas outros crimes também. Então eu imagino que há uma tentativa de colocar medo e tentar nos calar e principalmente de me tirar do ar, porque durante esses três dias eu tenho que estar aqui no fórum. Eu não posso apresentar o programa. Nós não mostramos notícias que não fossem pautadas por documentos ou entrevistas. Não brincamos com inverdades. É um jornalismo investigativo e sério", ressaltou Passaia antes de entrar no fórum.

A reportagem do UOL presenciou o momento que Passaia e o advogado de defesa da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior se encontraram. Na ocasião, Passaia questionou o advogado sobre o motivo de tê-lo arrolado como testemunha. Dalledone disse ao apresentador que "trouxe você aqui para te resguardar". O apresentador, por sua vez, rebateu falando "não vou amolecer". 

À imprensa, Cláudio Dalledone disse que seu cliente Edison Brittes Júnior prestará todos os esclarecimentos à Justiça. Ele também defende Cristiana e Allana Brittes. "É o momento de esclarecimentos de muitos fatos. Havíamos condicionado que ele falaria tão logo chegassem os laudos e exames. Estamos prontos a esclarecer", falou. 

A audiência de instrução ouvirá testemunhas de acusação, defesa e os próprios réus do caso Daniel. Edison Brittes Junior, Cristiana Brittes, Allana Brittes, Ygor King, David Vollero e Eduardo da Silva estão presos. Evellyn Perusso responde em liberdade por falso testemunho

Entenda o caso:

Daniel Correa foi morto no dia 27 de outubro de 2018 depois da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes. Após celebração em uma boate de Curitiba, todos seguiram para a casa da aniversariante, onde o jogador foi espancado antes de ser levado dali de carro para a morte. 

Daniel foi degolado e teve o pênis cortado. Edison Brittes Júnior, pai de Allana, confessou o crime. No carro que levou o jogador para ser morto ainda estavam David Vollero, Ygor King e Eduardo da Silva, também presos acusados de participação no homicídio. 

Segundo Edison Brittes, conhecido como Juninho Riqueza, Daniel tentou abusar de sua mulher, Cristiana Brittes, e por isso iniciou a sessão de espancamento do jogador, ainda em sua casa. Cristiana e a filha Allana também estão presas. 

A polícia afirma que, além de ter matado Daniel, Edison Brittes ameaçou testemunhas do crime e fez com que todos os presentes na casa limpassem o local para apagar as provas de que Daniel esteve ali. 

A sétima ré denunciada à Justiça é Evellyn Perusso, ficante de Daniel na noite anterior ao crime. A garota, amiga de Allana, responde por falso testemunho e denunciação caluniosa. 

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