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Caso Daniel


Policiais acusados de homicídio serão testemunhas de Brittes em caso Daniel

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

25/01/2019 04h00

A defesa de Edison Brittes Júnior, que confessou ter assassinado o jogador Daniel, incluiu dois policiais civis afastados entre as testemunhas que serão ouvidas pela Justiça em fevereiro na audiência que decidirá se os sete réus no processo da morte do atleta irão a júri popular.

O advogado da família Brittes Claudio Dalledone Júnior arrolou Edenir Canton e Helder Soares Padilha entre as 17 testemunhas de defesa de Edison Brittes Júnior, o Juninho Riqueza. Os dois são policiais civis e respondem processo por homicídio, que corre em segredo de justiça no Paraná. 

Edenir Canton e Helder Soares Padilha são acusados do homicídio de Ricardo Geffer em abril de 2015. Outros seis policiais também respondem pelo crime, que para a promotoria se tratou de uma execução. Geffer era suspeito de ter assassinado João Dirceu Nazzari, ex-prefeito de Rio Branco do Sul (PR), em 12 de abril de 2015. 

Juninho Riqueza em foto com Edenir Canton e Helder Padilha - Reprodução
Juninho Riqueza em foto com Edenir Canton e Helder Padilha
Imagem: Reprodução
Edenir Canton também aparece em um áudio vazado após a morte do jogador aconselhando Juninho sobre escolha de advogado de defesa. Na ocasião, ele conversa com Rafael Pellizzetti, outro advogado e que também foi convocado para testemunhar em fevereiro no caso Daniel. 

Entre as testemunhas de Edison também está o gêmeo Eduardo Purkote, o qual chegou a ser preso durante o inquérito policial, mas que não foi denunciado pela promotoria.

Com a convocação das testemunhas, a defesa de Edison Brittes Júnior diz que quer esclarecer a relação de seu cliente com as pessoas citadas e traçar um perfil da família Brittes. Além de Juninho, a juíza do caso Luciani Regina Martins de Paula ouvirá Cristiana e Allana Brittes, presas pela morte do jogador. 

A Justiça vai inquirir ainda os outros três réus presos, Eduardo da Silva, David Vollero e Ygor King, além de Evellyn Perusso, a qual responde em liberdade. 

Testemunhas de acusação, de defesa e os próprios réus serão ouvidos na ocasião. A audiência está marcada para os dias 18, 19 e 20 de fevereiro, no Fórum de São José dos Pinhais. 

Em contato com a reportagem, o advogado Rafael Pellizzetti não quis se manifestar sobre sua chamada para testemunhar. 

A defesa de Edenir Canton não respondeu ao UOL até o fechamento desta matéria. Sobre o vazamento dos áudios, o advogado do policial afastado, Samuel Rangel, disse manter o que já havia falado através de nota na ocasião, quando negou a troca de mensagens com Brittes e se dispôs a comparecer perante às autoridades em caso de intimação. 

A reportagem tentou contato com a defesa de Helder Soares Padilha no caso de homicídio, mas não conseguiu. Ele também não foi encontrado para comentar a convocação para testemunho sobre o caso Daniel. 

Ricardo Dewes, advogado de Eduardo Purkote, afirmou que seu cliente está à disposição da Justiça "para contribuir com a verdade sobre o caso".