Madri elege River e se divide entre medo e alegria na final da Libertadores

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Madri

  • João Henrique Marques/Colaboração para o UOL

    Torcedores de Boca Juniors e River Plate se dividem entre temor e euforia em Madri

    Torcedores de Boca Juniors e River Plate se dividem entre temor e euforia em Madri

O madrileno José Tomás ouve o recado da mulher: "Não inventa de ir nesse jogo perigoso de domingo". Recomendação que pouco importa para quem está entusiasmado com a final da Libertadores perto de casa, em Madri. A situação vivida pelo casal retrata o clima na cidade para receber o clássico argentino River Plate x Boca Juniors no domingo, às 17h30 (de Brasília), no estádio Santiago Bernabéu. Há quem tema pela segurança no dia do jogo por conta do histórico violento das torcidas argentinas, mas a maioria se empolga para falar sobre a decisão.

No clima de euforia é fácil perceber uma clara preferência pelo River Plate para os madrilenos. Os motivos são futebolísticos pelo fato de o River ser o clube formador do argentino Alfredo Di Stéfano, morto em 2014 aos 88 anos, um dos maiores ídolos da história do Real, e pela proximidade de Diego Simeone, o treinador do Atlético de Madri, que já dirigiu o River em 2008 e tem um filho de 16 anos atuando por lá nas categorias de base. O bom relacionamento entre River Plate e Real Madrid fez até o time argentino realizar os treinamentos nas instalações do clube merengue. O Boca utiliza o CT da seleção espanhola, o Las Rozas.

"A verdade é que vamos ao jogo por sermos amante do futebol. É como vocês verem um Barcelona x Real Madrid no Maracanã. Mas está claro que aqui o River tem o maior vínculo e basta ver que pela cidade é mais fácil encontrar gente vestindo a camisa deles", destacou o madrilenho Jorge Sarabia.

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Na euforia do jogo, são poucas palavras de temor. Há a discrepância no discurso dos argentinos ao promover o duelo na cidade: "Os barrabravas - torcidas organizadas dos clubes marcadas pela violência - vão estar por todos os lados. Eles entram de alguma forma, não adianta impedir", diz o fanático pelo Boca, Guillermo. "Não é assim. Só de vir para Madri, o jogo ganha outro tipo de torcedor. Pessoas mais consciente de que estão viajando para conferir o espetáculo", retrucou o amigo ao lado.

João Henrique Marques/Colaboração para o UOL
São mais de 30 mil argentinos esperados no palco da final. Quase 10 mil deles vindos da Argentina entre sexta-feira (7) e domingo (9), o dia do jogo. Aos poucos, a cidade vai se enchendo, tornando tarefa fácil encontrar na rua um fanático por um dos clubes.

"Comprei tudo essa semana. Só acertei as datas com meu chefe e ele entendeu o momento especial. Minha primeira vez na Europa e quero aproveitar vendo o título do meu time", conta o economista Lorenzo, morador de Buenos Aires e fanático pelo River.

A torcida do River Plate passou a impressão de ser maioria ao redor do Santiago Bernabéu nesta sexta-feira. Cada vez mais grupos eram formados para cantar em apoio ao clube, mas a cada interferência provocativa de um torcedor do Boca Juniors risadas eram ouvidas: "Só estamos aqui, pois vocês são chorões. Mas vai ser gostoso comemorar o título neste estádio", disse o torcedor do River ao fã do rival.

Segurança

A Polícia Nacional de Madri não fala em número de policiais envolvidos na segurança da partida. A informação passada é de que se trata de quantidade maior do que a trabalhada em dias de clássicos entre Real Madrid e Barcelona, quando cerca de 1.500 policiais são mobilizados ao redor da cidade. A cidade busca passar ilesa em um teste de fogo.

Graves incidentes entre as torcidas nas partidas entre River x Boca são comuns na Argentina. Em Madri, a ação policial está prevista para ser grande já no sábado, principalmente, no centro da cidade. No domingo duas áreas de "fan zone" para concentração serão montadas e também terão vigia rigorosa.

Por conta do apedrejamento ao ônibus do Boca Juniors que provocou a transferência da final da Libertadores de cidade, uma escolta volumosa dos veículos que levam os times ao estádio está programada. Só que todas as fontes oficiais até o momento não precisam números.

"O que podemos dizer é que não vamos mudar o trajeto de um dia de jogo normal do Real Madrid e que estamos aqui garantindo eficiência no controle de acesso dos times aos estádios", disse ao UOL Esporte a porta-voz da Polícia Municipal de Madri, Noelia Canizares.

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