Liziero mostra que pode ser chave para São Paulo enterrar fantasma de 2018

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

  • Rubens Chiri/saopaulofc.net

    Garoto de 20 anos está na segunda temporada como profissional do Tricolor

    Garoto de 20 anos está na segunda temporada como profissional do Tricolor

Na estreia do São Paulo em 2019, o técnico André Jardine viu o time perder por 2 a 1 para o Eintracht Frankfurt e passou por aquele que foi um dos problemas do time no ano passado: a dificuldade de criação no meio de campo com Jucilei e Hudson juntos. O time foi mais travado no primeiro tempo, circulando a bola com mais lentidão. E no segundo, com a presença de Liziero, o cenário mudou.

O garoto de 20 anos foi usado na etapa final no time que tinha Willian Farias como primeiro volante e Araruna mais avançado, a seu lado. Essa formação deixou o setor mais móvel, realizando a transição para o ataque de forma mais rápida. E foi assim que o gol tricolor foi criado na partida de abertura da Florida Cup, em São Petersburgo, nos Estados Unidos.

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Liziero mostrou a atenção pedida por Jardine para recuperar a bola e já acelerar. A arrancada pelo meio clareou o lance, deixando Diego Souza em condições para dar a assistência para Nenê concluir. Foi um dos raros lances em que o São Paulo avançou de forma lúcida, prevalecendo pela técnica.

Na etapa inicial, em que pese a maior dificuldade do time escalado pelo Eintracht, o Tricolor demorou a colocar a bola no chão e criar. Mesmo quando recuperava a bola no meio, com campo para avançar, faltava mobilidade. A falta de ritmo contribuía, mas o problema é velho na parceria entre Jucilei e Hudson.

Hernanes dominava e só tinha Everton e Helinho pedindo bola, abertos pelos lados. O lateral-esquerdo Reinaldo passou a se apresentar, identificando a dificuldade. Hudson também percebeu a necessidade e por duas vezes se projetou ao ataque para dar opção - nas duas, porém, furou na hora de finalizar.

Ele e Jucilei muitas vezes ocupam a mesma faixa do campo, limitando a capacidade do time na hora da transição para o ataque. Um dos dois deveria sair mais, dar opção de passe, puxar a marcação e apoiar a criação do meio-campista mais avançado. Hudson, na teoria, é quem mais tem essa responsabilidade, mas seu jogo ofensivo está muito mais na imposição física e na ocupação de espaço do que na capacidade de construir com a bola nos pés.

É essa lacuna que Liziero pode ocupar. Basta lembrar que os melhores momentos do São Paulo na última temporada tinham o garoto criado em Cotia como titular. Primeiro, em uma fase mais conservadora de Diego Aguirre, como terceiro homem de meio, como foi no segundo tempo contra o Eintracht Frankfurt, durante o mata-mata do Campeonato Paulista.

Depois, na arrancada para a liderança do Campeonato Brasileiro, Liziero foi o segundo volante da equipe. Jucilei havia se machucado contra o Flamengo e abriu espaço para o jovem, deixando Hudson como o primeiro marcador. A boa sequência iniciada ali mostrava um time que saía muito rápido para o ataque e que tinha mais qualidade na saída de bola.

Liziero acabou perdendo espaço quando Jucilei se recuperou. E não mostrou mais o mesmo desempenho nas outras chances que teve - exceção feita aos jogos em que atuou com Luan. Ainda assim, foi o volante que mais contribuiu ofensivamente ao longo de 2018. Foram duas assistências e dois gols, contra apenas um gol de Hudson. Um perfil que pode ser muito mais útil para o ideal de jogo de Jardine e que pode ser potencializado pela presença de Hernanes.

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