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C. Alberto voltou a jogar futebol pelos filhos e por 'ter muito cara ruim'

Arquivo pessoal/Carlos Alberto
Meia Carlos Alberto e os dois filhos Imagem: Arquivo pessoal/Carlos Alberto

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos (SP)

2019-02-16T04:00:00

16/02/2019 04h00

5 de julho de 2017 a 3 de fevereiro de 2019. Mais de um ano e meio. Este foi o tempo que Carlos Alberto, ex-Corinthians, Fluminense, Vasco e tantos outros, ficou longe dos gramados. Ele não entrava em campo desde um duelo válido pela Copa Libertadores, contra o Santos, quando ainda atuava pelo Athletico Paranaense. No domingo retrasado, o meia de 34 anos estreou pelo Boavista-RJ, seu novo clube, e pôde sentir o gostinho de jogar uma partida oficial novamente. Tudo bem que o resultado, 3 a 0 para o Botafogo, não foi dos melhores, mas, para Carlos Alberto, o placar do jogo, desta vez, ficou em segundo plano.

"Foi contra o Botafogo e parecia que eu estava começando a minha carreira de novo", conta Carlos Alberto em entrevista ao UOL Esporte. Mas por que tanto tempo parado? O meia explica que já estava com a ideia de pendurar as chuteiras, mas um pedido mais do que especial o fez repensar a decisão. Os dois filhos - Lucca, de 9 anos, e Davi, de 6 - queriam vê-lo jogar.

GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADÃO CONTEÚDO
"Eu fiquei um ano e meio parado. Joguei a Libertadores com o Athletico Paranaense e, na verdade, não tinha expectativa de voltar ao futebol, já estava naquela ideia, cuidando da minha vida, dos meus negócios, já pensando no pós-carreira, mas a gente nunca domina as emoções. Então, esse período está sendo bom porque eu consegui ficar perto dos meus dois filhos, coisa que não fazia há muito tempo por causa do meu trabalho. Como eu separei da mãe deles há alguns anos, perco muita coisa da formação deles, e isso estava me incomodando. E também foi um pedido dos meus filhos para eu voltar, me senti movido por isso. É a oportunidade de eles ainda verem o que posso fazer", disse o meia.

"Todos os pais dos amiguinhos deles, entre meus amigos, são jogadores que jogaram comigo. E naquelas coisas na escola... Sentiram falta do pai jogando", conta. Além do pedido especial dos meninos, Carlos Alberto diz não ter dúvidas de que ainda pode jogar em alto nível, e faz até uma comparação entre o seu futebol e o que vem sendo apresentado por aí: "É uma parada que me faz feliz, me dá prazer. Também tem muito cara ruim jogando. A verdade é essa".

"Vou de bicicleta treinar"

Carlos Alberto acertou com o Boavista ainda no fim do ano passado. E a escolha pelo novo clube, localizado em Saquarema (RJ), não foi em vão. Além de seguir no Rio de Janeiro, lugar pelo qual é apaixonado, ainda conseguiu dar um salto em algo essencial para ele: qualidade de vida.

Eduardo Peralta / Boavista SC
Imagem: Eduardo Peralta / Boavista SC
"Tive propostas de outros lugares para jogar outros estaduais, mas para eu sair da minha cidade, no conforto, e ir jogar no interior, com todo respeito do mundo às outras equipes e outros lugares, é difícil. Então surgiu a oportunidade aqui, e o Boavista é em frente ao meu condomínio, vou de bicicleta treinar. Estou dando qualidade de vida, as pessoas não entendem isso. 'Ah, poderia estar jogando num clube maior', mas não quero. Quero jogar nesse".

Com o título da Liga dos Campeões no currículo, conquistado pelo Porto-POR, em 2003/04, Carlos Alberto hoje não abre mão de estar ao lado de quem mais ama. E pretende continuar assim, ao menos por enquanto. "Eu já fiz coisa pra caramba, e tem coisa que a gente tem que priorizar. E eu também penso na minha vida particular, me faz repensar a vida. Eu tenho que estar perto de quem eu amo porquê, de uma hora para outra... Sabe como é", afirma.

Eu sou muito [família]. Na verdade, a família é a única coisa que me faz repensar tudo na minha vida. Carreira, futebol, dinheiro, nada importa, só se a minha família está bem".

E por falar em família, Carlos Alberto teve, ao deixar o futebol de lado por um tempo, a oportunidade de ficar ainda mais perto de seu irmão, Fernando (ex-Fluminense, Flamengo e São Paulo), que precisou desistir da carreira por conta de um AVC.

"Ele está muito bem. Ele parou de jogar futebol porque teve um AVC, isso mexeu muito comigo. Isso aí foi uma oportunidade de eu estar mais perto dele também, de estar ajudando. Eu só tenho o Fernando de irmão, sou eu e ele", acrescenta Carlos Alberto.

E o futuro? "Me vejo, sim, num time grande"

Marcelo de Jesus/UOL
Imagem: Marcelo de Jesus/UOL
Apesar de estar feliz no Boavista, o meia não esconde que ainda se vê jogando em um clube maior. Porém, tem consciência de que tudo vai depender de suas atuações no Carioca.

"Até o Campeonato Carioca vou ficar aqui. Agora, se depois eu estiver motivado, vejo o que faço. Mas me vejo, sim, num grande time. Agora é difícil falar em cima de algo que não aconteceu, vai depender do que eu fizer nesse campeonato e, se lá na frente for tudo bacana, quem sabe. Eu não sei, então prefiro falar do hoje, mas claro; as portas estão abertas", completa.

Pelo Campeonato Carioca, o Boavista volta a campo no dia 23 de fevereiro, quando recebe o Madureira em Bacaxá, Saquarema (RJ).

RELEMBRE GRANDE ATUAÇÃO DE CARLOS ALBERTO PELO VASCO, EM 2013

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