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Pivô de escândalo na base do Corinthians viveu drama e quer voltar a jogar

Alyson Motta tem 19 anos e defendeu Internacional e Rio Claro após rescindir com o Corinthians, em 2017 - Acervo pessoal
Alyson Motta tem 19 anos e defendeu Internacional e Rio Claro após rescindir com o Corinthians, em 2017 Imagem: Acervo pessoal

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

21/05/2019 04h00

Alyson Motta jamais atuou como profissional do Corinthians, mas há três anos foi protagonista de um grande escândalo envolvendo o clube. Ele jogava pela categoria sub-15 quando teve parte de seus direitos econômicos vendidos a um empresário americano - a operação é ilegal e rendeu problemas ao clube do Parque São Jorge. Entre um e outro treino que faz por conta própria na cidade de Itapeva, 280 km distante da capital paulista, a promessa desabafa: "Eu sofri bastante, mas quero esquecer as coisas ruins."

O episódio teve uma série de complicações internas, como investigação e demissão de funcionários, e externas, como apuração policial e colocou em risco o futuro do próprio menino no futebol. A operação não poderia ter acontecido por uma série de razões, entre elas: Alyson não tinha contrato profissional, é proibida a venda de direitos de jogadores a pessoas físicas e ainda havia configuração de estelionato por parte de funcionários do clube.

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Hoje aos 19 anos, Alyson ainda não jogou nesta temporada e está em litígio com o Rio Claro, clube em que tem contrato até agosto de 2020. O jogador foi afastado do elenco de base corintiano logo após o caso ser divulgado, em maio de 2016. Pouco depois, um antigo empresário e o pai do jovem jogador se envolveram em briga, pois o familiar teria descoberto que o agente estava envolvido na negociata. Houve agressões.

Já com outro empresário, o menino acusou o Corinthians de assédio moral e buscou liberação na Justiça. Nessa época, Alyson Motta e sua família viveram dificuldades financeiras e o vínculo acabou não sendo quebrado judicialmente.

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Imagem: Reprodução/Facebook

Ele chegou a jogar novamente pelo Corinthians em 2017, mas acabou afastado outra vez por indisciplina e encerrou a trajetória. Depois foi para o Internacional e o Rio Claro, mas atuou pouco. Agora, espera os próximos desafios. "Pensei em parar de jogar, largar, porque eu e minha família que sofremos, e nós não tínhamos nada a ver. Aos poucos fui ouvindo amigos e a família e eu continuei. Nem queria ter saído do Corinthians, mas naquele episódio o clima ia ficar meio pesado, não teve como não sair. As pessoas falavam que meus pais estavam se aproveitando de mim. Mas era só um momento difícil", conta o jovem jogador.

Aos 16 anos, Alyson Motta chegou a sustentar a família com o salário que recebia na base do Corinthians, o equivalente a R$ 2,5 mil. O antigo empresário, com quem o pai brigou, pediu a devolução de um empréstimo que fez à família para pagar aluguéis de uma casa simples na Zona Leste de São Paulo. Hoje, três anos depois, a situação está normalizada. Apesar de a família ainda viver com simplicidade e o Rio Claro não estar em dia com o pagamento dos salários do garoto (o clube e um empresário anterior alegam que o menino ignorou notificações para se reapresentar após ausência em treinamentos), os pais voltaram a trabalhar. "Até conseguimos uma casinha aqui em Itapeva", comemora a promessa.

O plano de Alyson é retomar a carreira após quase cinco meses sem jogar. Ele começou na escolinha do Corinthians em Osasco, aos oito anos, e jamais passou tanto tempo sem atividade: "Eu não vejo a hora de voltar a jogar, não aguento mais ficar parado. Se não fosse pela minha família, eu já teria desistido. Ainda mais que sou muito ansioso. Mas espero que tudo dê certo logo. Eu quero deixar para trás tudo de negativo que envolve meu nome e ter uma imagem mais positiva."

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