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Atletas contra Trump: entenda a polêmica que envolve hino dos EUA e racismo

Mike Theiler/REUTERS
Declarações de Trump causaram reações fortes de nomes pesados do esporte americano Imagem: Mike Theiler/REUTERS

Do UOL, em São Paulo

26/09/2017 08h28

A história começou em 26 de agosto de 2016. Em um jogo despretensioso de pré-temporada do San Francisco 49ers, o quarterback Colin Kaepernick, que disputava uma vaga no time titular, ficou sentado quando o hino dos Estados Unidos foi tocado no estádio antes da partida. O gesto nem foi percebido por muita gente na hora, mas o caso ganhou relevância nos dias seguintes – especialmente quando Kaepernick explicou por que recusou se levantar como manda o protocolo.

"Eu não vou me levantar para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras. Para mim, isso é maior que futebol americano, e seria egoísta de minha parte olhar para o outro lado. Há corpos nas ruas, e assassinos impunes", disse o jogador na ocasião.

Pouco mais de um ano depois, o que começou como um protesto solitário reúne agora dezenas de atletas que se negam a ficar de pé durante a execução do hino americano para denunciar a brutalidade policial contra minorias raciais. Mas não foi só o apoio que cresceu: as críticas, que no início vieram de algumas poucas personalidades do esporte, agora são proferidas por ninguém menos que Donald Trump, o presidente do país.

Trump defende demissão de "filhos da p..."

Thearon W. Henderson/Getty
O precursor: Colin Kaepernick se ajoelha durante o hino dos Estados Unidos Imagem: Thearon W. Henderson/Getty

A polêmica foi reacendida na última sexta-feira (22). Em um discurso no estado do Alabama, Trump atacou os atletas da NFL, liga de futebol americano do país, que seguiram os protestos de Kaepernick.

"Vocês não iam adorar se um desses donos de times da NFL, quando alguém desrespeitasse nossa bandeira, falasse: 'Tirem esse filho da p... do campo agora mesmo. Fora! Ele está demitido!'. Se um dono de time fizer isso, ele será a pessoa mais popular do país", disse o presidente. Kaepernick, aliás, está sem clube desde o fim de seu contrato com os 49ers ao final da última temporada.

A declaração repercutiu com força na comunidade esportiva dos Estados Unidos e piorou uma relação que já não estava nada boa entre atletas negros e Trump. A tensão já havia crescido no mês passado causa de comentários do presidente após os conflitos raciais na cidade de Charlottesville, na Virgínia. Na ocasião, o político afirmou que havia "culpa dos dois lados" quando manifestantes da supremacia branca entraram em conflito violento com grupos antirracismo nas ruas.

Atletas reagem ao presidente

Reuters/Andrew Boyers
Protestos se espalharam pela rodada de domingo da NFL após fala de Trump Imagem: Reuters/Andrew Boyers

Se Trump esperava desencorajar os protestos na NFL, o resultado foi exatamente o oposto. No domingo (24), uma onda de manifestações tomou a liga de futebol americano: os jogadores de Seattle Seahawks, Pittsburgh Steelers e Tennessee Titans simplesmente não apareceram na hora do hino; os do Chicago Bears ficaram de braços cruzados. Vários atletas de outras equipes também protestaram – entre eles, Tom Brady, astro do New England Patriots e eleitor declarado de Trump.

O protesto continuou na noite dessa segunda-feira, quando o Dallas Cowboys, um dos times mais populares da liga, venceu o Arizona Cardinals. Antes da partida, os jogadores do Cowboys se ajoelharam e cruzaram os braços, sendo acompanhados pelo dono do time, Jerry Jones, que foi um dos sete proprietários de franquias da NFL que fizeram doações à campanha de Trump. Jones é tido como um dos dirigentes mais influentes da liga.

A própria NFL condenou os comentários de Trump e defendeu a liberdade de expressão de seus jogadores. Em comunicado assinado pelo comissário Roger Goodell, a liga afirmou que "declarações divisivas como essas demonstram uma lamentável falta de respeito".

NBA também entrou na briga

David Zalubowski/AP
Curry disse que não gostaria de visitar a Casa Branca por causa de Trump Imagem: David Zalubowski/AP

Não é só no futebol americano: a principal liga de basquete do mundo também está em pé de guerra com Trump. O armador Stephen Curry, estrela do atual campeão Golden State Warriors, afirmou que não gostaria de fazer a tradicional visita à Casa Branca que os vencedores da NBA praticam anualmente por "não apoiar o que o presidente representa".

A resposta de Trump foi usar o Twitter para "retirar o convite" para que Curry visitasse a sede do governo. Com isso, vários nomes de peso do basquete americano reagiram e atacaram Trump: LeBron James chamou o presidente de "vagabundo", Russell Westbrook disse que "discorda de tudo" o que o político diz, e a lenda Michael Jordan afirmou que "quem exerce o direito de se expressar pacificamente não deve ser demonizado".

Por que a polêmica no hino?

Nos EUA, há uma lei criada em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, chamada "código da bandeira" que indica que as pessoas devem ficar em pé e olhar para a bandeira dos EUA, caso exista uma no local, durante a execução do hino nacional. Os civis devem ficar com a mão direita sobre o coração, enquanto os militares precisam ficar em posição de saudação.

Porém, não há punição prevista por lei para quem não seguir o protocolo de etiqueta. A NFL já informou que não punirá os atletas pelos protestos feitos durante o hino.

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