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McLaren joga culpa em diretor, Hamilton quase chora e rivais criticam - 03/04/2009 - UOL Esporte - F-1
UOL Esporte Fórmula 1
 
03/04/2009 - 09h37

McLaren joga culpa em diretor, Hamilton quase chora e rivais criticam

Do UOL Esporte
Em São Paulo
A polêmica desclassificação de Lewis Hamilton do GP da Austrália, após ser acusado de ter mentido aos comissários sobre a ultrapassagem de Jarno Trulli, ganhou um novo rumo nesta sexta-feira. Pouco antes do segundo treino livre do GP da Malásia, a equipe inglesa anunciou a suspensão do diretor esportivo Dave Ryan pelo caso em Melbourne.

NOVAS DÚVIDAS NA McLAREN
Diego Azubel/EFE
Dave Ryan e Lewis Hamilton deixam sala de comissários na quinta
Roslan Rahman/AFP
Um dia depois, piloto inglês justifica ato e garante: "Não sou mentiroso".
DIRETOR É SUSPENSO
FERRARI DOMINA TREINOS
VEJA FOTOS DO TREINO
Ryan foi acusado pela escuderia de ser o responsável por "omitir informações" dos comissários sobre a conversa de rádio entre ele e Hamilton no GP da Austrália. Por conta dessa omissão, a FIA considerou que a McLaren agiu de "maneira prejudicial à conduta da prova levando evidências que deliberadamente iludiram a decisão dos comissários do GP" e cassou o resultado de Hamilton na abertura da temporada.

Um dia antes de suspender Ryan, a equipe havia garantido que não havia mentido no caso e defendeu os seus profissionais. Mas tudo mudou nesta sexta. "Eu estou muito, muito chateado. Ficou claro na conversa que tivemos com Dave na noite passada (de quinta-feira) que ele não deu as respostas completas e verdadeiras aos comissários. Consequentemente não tivemos outra alternativa hoje e suspendemos ele. É um dia muito triste para todos", lamentou o chefão da McLaren, Martin Whitmarsh, em coletiva realizada após o segundo treino livre desta sexta-feira.

O dirigente explicou que não deu qualquer recomendação para Ryan e Hamilton deturparem os fatos ocorridos na Austrália, mas também não acredita que os dois fizeram isso de forma intencional. "Qualquer um que conhece Dave sabe que ele não faria este tipo de coisa de maneira deliberada", disse o chefão da McLaren, que ainda não sabe qual será a punição aplicada ao diretor esportivo.

Whitmarsh, porém, reconheceu que Ryan não foi o único culpado pela situação. "Eu penso que Lewis não foi inteiramente verdadeiro, mas nós conversamos com Dave, ele está há muito tempo conosco e era responsável pelo que aconteceu. Acredito que eles tentaram lidar com o caso, mas fizeram de forma errada", avaliou.

Em seguida, Hamilton convocou os jornalistas para uma entrevista e foi de encontro às declarações de Whitmarsh, dizendo ter sido instruído por Ryan a dar as declarações que fez aos comissários na Austrália sobre o acontecimento com Trulli.

"Enquanto esperava para conversar com os comissários, eu fui instruído e ludibriado a mentir por um dos dirigentes da equipe, e foi o que eu fiz. Sinceramente peço desculpas aos comissários por fazê-los perder tempo. Eu mostrei quem sou nos últimos três anos e este não sou eu. Eu não sou um mentiroso, não sou uma pessoa desonesta, sou um integrante de uma equipe", desabafou o piloto, que se emocionou durante a entrevista.

"Lewis é muito novo para a F-1. Não sei se a história é real, mas ela é muito feia para a categoria, assim como foi o caso de espionagem."
BARRICHELLO COMENTA
OUÇA A ENTREVISTA
MASSA CRITICA FIA
NELSINHO LAMENTA
O atual campeão reconheceu sua falha no acontecimento e garantiu que o episódio não se repetirá. "Eu cometi um grande erro e estou aprendendo. Isso não acontecerá novamente. Errei, fui mal instruído e percebi o quanto errei", afirmou Hamilton, que disse ter apenas seguido ordens. "Agi como um funcionário da equipe. Se alguém da equipe me pede para fazer alguma coisa, eu geralmente faço. Não tive tempo de pensar no que estava fazendo. Mas não me senti muito bem fazendo isso", apontou.

O brasileiro Nelsinho Piquet saiu em defesa de Lewis Hamilton em relação à obediência das ordens da McLaren. "É lógico que se a equipe pede para você fazer alguma coisa, você confia mais na equipe do que nos comissários. É melhor estar ao lado da equipe que dos comissários", explicou. Porém, o piloto da Renault lamentou que novamente o inglês tenha se envolvido em polêmica fora da pista. "O piloto começa a ter este tipo de problema quando você se envolve neste tipo de confusão: mentir, conta uma coisa numa corrida, conta outra em outra. Se você for bem claro, e não se envolver, o piloto não tem que ter dor de cabeça", disse.

Em 2007, no GP do Japão, Hamilton já havia sido acusado por Mark Webber de provocar o acidente dele com Sebastian Vettel, então na Toro Rosso, que tirou os dois da prova em Fuji. Na ocasião, Vettel era o segundo colocado e Hamilton liderava. Rival de Hamilton desde os tempos da GP2 em 2006, Nelsinho evitou, entretanto, comentar o caráter do inglês. "Conheço ele da pista, não de conversa com os fiscais. Na pista, posso falar que ninguém é honesto, todo mundo vai tentar tirar um pedaço do outro", explicou.

Já o piloto Felipe Massa, da Ferrari, elogiou a punição a Hamilton, mas também criticou a postura da FIA no caso. "Se ele mentiu, tinha de ser punido mesmo. Mas as coisas deviam ter sido resolvidas lá na Austrália. E não aqui. Era tão fácil de você resolver, pegar o rádio e ver o que aconteceu, do que trazer para uma semana depois e as coisas ficarem chatas mais uma vez por um problema que poderia ter sido resolvido antes", lamentou.

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