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A volta dos clubes. É o momento de sabermos quem aproveitou bem a parada

Campeonato Brasileiro vai recomeçar neste final de semana - Alexandre Schneider/Getty Images
Campeonato Brasileiro vai recomeçar neste final de semana Imagem: Alexandre Schneider/Getty Images
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

13/07/2019 04h00

É hora de os times mostrarem o que trazem das férias. No meio desta semana, oito deles já exibiram a primeira amostra, obviamente insuficiente, do quanto aproveitaram a parada forçada pela Copa América. Na primeira rodada das quartas de final da Copa do Brasil, Palmeiras e Bahia não deram sinal de terem perdido o passo. Na vitória sobre o Inter, a marcação palmeirense manteve notória eficiência que vimos nas nove primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, com destaque, outra vez, para Gustavo Gómez.

No meio-campo, a competência de Felipe Melo na sua função defensiva tem permitido que Bruno Henrique participe mais da armação e vá ao ataque para finalizar; são estas, afinal, suas principais qualidades, e foi por causa delas que o Palmeiras o contratou. De resto, está claro que o time funciona melhor quando Bruno Henrique tem mais liberdade em campo. É claro que o ataque palmeirense, como já ficou demonstrado meses atrás, pode mostrar muito mais do que aquilo que se viu na quarta-feira. Não foi por acaso que, depois do jogo, Scolari reclamou dos erros de movimentação e de posicionamento de Deyverson, embora ressaltando sua costumeira dedicação. Nada que não se resolva com conversa e treino.

O Inter, por sua vez, teve problemas que devem ser vistos como circunstanciais, ou sejam, não são crônicos e nem indicam uma tendência, a não ser que Hellmann não encontre solução para suprir a saída do lateral Iago. Guerrero, vindo da disputa da final da Copa América, parecia cansado; naturalmente, precisará de poucos dias para voltar a jogar em seu nível normal. O importante é que Hellmann seja menos cauteloso e escale um meio-campo mais ofensivo; do contrário, Guerrero, mesmo recuperado, continuará tendo poucas oportunidades para resolver as coisas.

O Bahia voltou à lida já com uma pedreira pela frente: o Grêmio, em Porto Alegre. Pois o time do Roger Machado deu conta da tarefa. Gol em campo alheio não é mais critério de desempate na Copa do Brasil, mas não perder do tricolor gaúcho em seu estádio é, normalmente, um bom negócio. O trabalho de Roger no Bahia tem sido bem feito, está claro.

Já Renato tem experimentado aquele momento, comum no futebol, em que uma fase ruim parece, aos olhos de torcedores e cronistas, apagar conquistas recentes e até mesmo uma história formidável. E, no Grêmio, ninguém tem história e conquistas como as de Renato. É certo que o treinador tem insistido em escolhas discutíveis, particularmente no ataque. Ainda há tempo, porém, de Renato mudar de ideia ou provar, ao fim, que acertou de novo. Mas o Grêmio, com os jogadores que tem, deve jogar mais bola.

O Athletico Paranaense mostrou, no primeiro semestre, um problema crônico: só jogar bem em seu campo. A classificação na Copa do Brasil segue possível, e a disputa com o Boca Juniors, pela Libertadores, ainda vem por aí, mas é urgente para o time de Tiago Nunes aprender a jogar bem quando sai de Curitiba. O jogo contra o Athletico foi o primeiro em que Jorge Jesus dirigiu o Flamengo; logo, não é, nem de longe, suficiente para avaliações sobre a profundidade das mudanças que o treinador português fará no time. A prioridade no Flamengo, hoje, tem de ser resolver os problemas defensivos.

No clássico mineiro, o Cruzeiro ganhou sossegado, com a ajuda dos erros individuais dos atleticanos. Mano, ao escalar Pedro Rocha, bagunçou a marcação do Atlético-MG. A vitória não faz desaparecer o caminhão de problemas acumulados pela diretoria do Cruzeiro, mas dá alento para uma recuperação no Campeonato Brasileiro. O Atlético está bem na Série A (em nove rodadas, conseguiu o dobro dos pontos feitos pelo Cruzeiro), mas sua atuação contra o rival revelou que o time continua muito vulnerável, com marcação ruim no meio-campo e nas laterais. O desafio para Rodrigo Santana, agora, além de tentar grande virada na Copa do Brasil, é impedir que o resultado do clássico transborde para a campanha no Brasileiro.

Neste final de semana, começaremos a observar o que os outros doze clubes que disputam a Série A trouxeram do descanso e dos treinos. Não haverá mudanças extraordinárias, mas espero pelo menos que a maioria dos times jogue um futebol melhor do que aquele que vimos antes da Copa América.

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