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17/03/2010 - 07h03

Hepatite C é desconhecida para a maioria dos portadores

Aurélio Nunes
Em Salvador

Cerca de 90% dos 170 milhões de pessoas em todo o mundo infectados com o HCV desconhecem que contraíram a hepatite C. O caráter silencioso da doença, cujo período de incubação varia entre 10 a 30 anos, e o fato de 80% dos portadores do HCV não desenvolverem mesmo os sintomas mais leves, como fadiga, perda de apetite e icterícia (cor amarelada na pele e olhos), são as principais explicações para o fenômeno.

A hepatite C é a maior causa de cirrose e transplante de fígado no Brasil. O compartilhamento de seringas, de aparelho de barbear, de alicate de unha e de outros aparelhos perfurocortantes estão entre as principais causa de contaminação.

Para descobrir se é portador do HCV, o paciente deve submeter-se ao teste anti-HCV, que indica apenas se o organismo desenvolveu os anticorpos da hepatite C, ou seja, se houve contato com a doença. Como 15% a 30% dos infectados são capazes de eliminar o vírus espontaneamente, o resultado positivo no anti-HCV indica a necessidade de outro exame, o anti-HCV RNA, para saber se efetivamente a doença foi contraída.

Se mais uma vez o resultado for positivo, será necessário fazer uma biópsia do fígado para descobrir o estágio de avanço da hepatite C. "Se a doença não estiver em evolução o paciente pode aguardar cinco anos sem qualquer tipo de intervenção, desde que ele não consuma álcool e controle o peso", diz Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. A obesidade e o alcoolismo são fatores de risco para doenças hepáticas.

PRINCIPAIS TIPOS DO VÍRUS DA HEPATITE

A O vírus é transmitido pela ingestão de alimentos contaminados ou fezes e causa uma infecção aguda que se cura espontaneamente, geralmente com evolução benigna
B pode ser transmitida através do contato sexual, do sangue contaminado e de mãe para filho durante a gestação ou parto. Pode provocar cirrose e câncer de fígado
C É geralmente assintomática e silenciosa. A principal via de transmissão é através do contato com sangue contaminado

O tratamento só é recomendável se a hepatite C estiver em evolução e pode ser ministrado até mesmo em casos de pacientes com cirrose hepática. O medicamento mais indicado é o Interferon Peguilado, substância injetável aplicada uma vez por semana de 24 a 48 semanas, combinado com 4 a 5 comprimidos diários de Ribavirina pelo mesmo período. O preço do tratamento, que pode chegar a R$ 6 mil mensais, é custeado pelo SUS.

"A chance de cura varia entre 40% a 95% e depende de uma série de fatores, que incluem idade, controle do peso, abstinência etílica e o estágio em que a doença foi descoberta", explica o médico. Para os pacientes que não respondem ao tratamento, caso do ex-jogador Nilson Gomes, novos medicamentos em fase de testes estão sendo aguardados e devem elevar o percentual mínimo de cura para 60%.

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