Brigas, invasões e até arma: episódios violentos assustam o futebol europeu

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

  • Reuters/Peter Cziborra

    Mark Noble, jogador do West Ham, confronta com torcedor em Londres

    Mark Noble, jogador do West Ham, confronta com torcedor em Londres

Brigas nas arquibancadas, invasão de campo, ameaças a jogadores e, pasmem, um presidente de clube com um revólver na cintura. Situações lamentáveis que parecem vir dos campos de várzea ou quando o pior do futebol brasileiro se revela. Mas, neste fim de semana, essas cenas assustaram o "berço" do futebol moderno: a Europa.

No sábado, pelo Campeonato Inglês, o risco de rebaixamento do West Ham transformou o Estádio Olímpico de Londres em um barril de pólvora na derrota por 3 a 0 para o Burnley. Dois torcedores invadiram o gramado, e um deles entrou em choque corporal com o jogador Mark Noble. Nas arquibancadas, brigas e hostilidade aos dirigentes do clube, que precisaram deixar as tribunas.

O clima era tão tenso que o banco de reservas do Burnley foi usado para proteger crianças caso a situação saísse totalmente do controle dos seguranças (confira abaixo a postagem no Twitter). "Eu vi algumas famílias saírem [do estádio] porque os jovens estavam assustados", lamentou Sir Trevor Brooking, um dos maiores jogadores da história do West  Ham, em entrevista à BBC Radio 5.

No dia seguinte à confusão, a diretoria do clube londrino cobrou providências da LS185, empresa que administra o Estádio Olímpico e responsável pela segurança, e afirmou que só entrará em campo nas próximas partidas agendadas no local se houver reforço de policiais e garantias de que todos estarão a salvo de uma batalha campal. O West Ham é o atual 16º colocado do Campeonato Inglês, com 30 pontos, a apenas três da zona de rebaixamento.

A Inglaterra tornou-se um exemplo mundial de combate à violência no futebol. A guerra contra os hooligans e a obrigatoriedade de modernizar estádios para evitar novas tragédias como a de Hillsborough, que matou 96 torcedores do Liverpool em 1989, foram os embriões para o surgimento da Premier League, a versão moderna do campeonato nacional, a partir de 1992.

Há mais de 25 anos, os ingleses apostam em leis rígidas e conscientização coletiva, com estádios sem grades e arquibancadas próximas ao gramado, mas sob intensa fiscalização de câmeras e segurança patrimonial, para criar uma atmosfera única e segura para o futebol. O incidente no Estádio Olímpico de Londres não coloca o modelo em risco, mas é um alerta de que mesmo os planos bem-sucedidos podem ser vulneráveis.

'Acabou a paz' na França

François Lo Presti/AFP

Também com risco de ser rebaixado, o Lille passou por susto ainda maior no último fim de semana. Após o empate em casa por 1 a 1 com o Montpellier, centenas de torcedores invadiram o gramado em forma de protesto e ameaçaram jogadores. O volante brasileiro Thiago Maia, ex-Santos, contou ao ao canal francês RMC Sport que se livrou de tentativas de agressão.

Sem vencer há seis partidas, o Lille é penúltimo colocado do Campeonato Francês, com 28 pontos, faltando nove rodadas para o fim da competição. 

A atual temporada do futebol local tem acumulado ocorrências com torcidas, principalmente com vandalismo e uso de sinalizadores em partidas. Há uma semana, "ultras" do Olympique de Marselha quebraram cadeiras e depredaram banheiros do Parque dos Príncipes após derrota por 3 a 0 para o Paris Saint-Germain, pela Copa da França.

Revólver na cinta

Reprodução/Twitter

Para fechar o fim de semana de tensão na Europa, a mais surreal das cenas. Ivan Savvidis, presidente do PAOK, entrou em campo com um revólver na cintura e ameaçou a arbitragem após um gol anulado na partida contra o AEK, pelo Campeonato Grego. Seguranças e policiais evitaram algo pior em campo.

"Sua carreira como árbitro acabou", teria dito o dirigente ao juiz Georgios Kominis, segundo relato de Manolo Jimenez, treinador do AEK.

A Grécia é um dos países com mais incidentes violentos entre torcidas na Europa. O próprio PAOK, na atual temporada, perdeu três pontos (e depois recuperou-os na esfera jurídica) porque Óscar García, técnico do Olympiacos, foi atingido por um rolo de papel utilizado em máquinas registradoras durante partida entre os times, em fevereiro. 

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