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11/03/2009 - 13h41

Médico que operou Ronaldo celebra recuperação e prevê êxito de paciente

Denise Mirás
Em São Paulo
Foi como titular do Departamento de Ortopedia, Traumatologia e Cirurgia Plástica do Hôpital Pitié-Salpêtrière de Paris, que, em abril de 2000, o professor Gérard Saillant operou o joelho direito do atacante Ronaldo, no primeiro momento dramático da carreira do atacante que hoje enverga a camisa do Corinthians.

RONALDO: AMIZADE COM SAILLANT
Jack Dabaghian/AP
Ronaldo e Saillant em 2000, depois
da primeira cirurgia de joelho do craque
Jacques Demarthon/AFP
Em 2003, com o médico, Ronaldo recebe prêmio na Academia Francesa de Esportes
Nelson Coelho/AFP
No último final de semana, gol no clássico marcou a mais recente recuperação do astro
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Dois anos mais tarde, a estrela do futebol nacional homenageou o cirurgião na final da Copa de 2002, em Yokohama, no Japão, de onde saiu consagrado como campeão mundial. Em fevereiro de 2008, o jogador brasileiro teria de passar por outra cirurgia, agora no joelho esquerdo, e aos 31 anos, por causa do mesmo problema: ruptura total do tendão patelar. O doutor Saillant também supervisionou essa cirurgia, que inicialmente seria feita apenas pelo doutor Eric Roland.

Agora, foi como um dos diretores do Instituto dos Distúrbios do Cérebro e da Medula, que está sendo implantado em Paris, e também como médico-chefe da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que o doutor Gérard Saillant - aos 64 anos completados agora em março e um apaixonado por esportes - acompanhou a volta de Ronaldo ao futebol, "um caso raro e excepcional", agora defendendo o Corinthians, com um primeiro gol no clássico com o Palmeiras. E o cirugião já espera muitos outros gols do amigo nos próximos meses.

O senhor viu o jogo da volta do Ronaldo aos gramados?
Doutor Saillant -
Vi, sim, alguns lances do jogo pela televisão. Mas também vi que ele marcou seu primeiro gol no seu primeiro jogo contra o Palmeiras - o que é de muito bom agouro.

Pelo que o senhor viu, o Ronaldo também lhe pareceu confiante em sua movimentação, sem medo de uma nova contusão? O senhor acredita que essa confiança tenha vindo pela ótima recuperação daquela cirurgia ainda de 2000, no joelho direito?
Doutor Saillant -
Conhecendo o Ronaldo, estou certo de que está muito confiante, sem nenhuma apreensão relacionada aos joelhos. Pelo acompanhamento do pós-operatório da segunda cirurgia, sua recuperação foi ainda mais rápida que da primeira. Ele já tinha essa experiência do trabalho de recuperação.

O caso do Ronaldo, de recuperação depois dessas duas operações nos joelhos, é considerado raro no esporte mundial?
Doutor Saillant -
O caso de lesão bilateral do tendão patelar é, sim, raro e excepcional, não apenas dentro do futebol mas de todos os esportes.

O senhor acredita que a boa recuperação se deve principalmente ao fator genético ou à personalidade do Ronaldo e à sua determinação de retomar sua carreira como jogador profissional?
Doutor Saillant -
A boa recuperação dele é devida essencialmente a sua vontade, a sua paciência. Mas ele também conta com músculo de "excelente qualidade", o que lhe permite voltar relativamente rápido.

Nestes 13 meses de recuperação da cirurgia do joelho esquerdo, o Ronaldo manteve contatos com o senhor, para orientações quanto à reabilitação?
Doutor Saillant -
Vi o Ronaldo regularmente em Paris, juntamente com o doutor Eric Rolland, para avaliar tanto a situação pós-operatória como para programar sua reabilitação. O planejamento foi totalmente respeitado, tanto por ele como também por seu fisioterapeuta e pelo clube com o qual ele assinou contrato.

O senhor faz aniversário em março. Pessoalmente, foi um presente a volta de Ronaldo ao futebol profissional? O senhor sentiu mesmo uma certa emoção?
Doutor Saillant -
Quando vejo um atleta, qualquer um que seja, conhecido ou não, voltar a trabalhar no nível em que se encontrava depois de uma intervenção importante, sempre é uma satisfação muito grande para o próprio atleta, mas também, e igualmente, para toda a equipe que trabalhou com ele, seu cirurgião mas também os enfermeiros, os fisioterapeutas, os preparadores físicos.

Eu estava em Yokohama, no Japão, quando o Ronaldo marcou seus dois gols na final da Copa do Mundo (o Brasil foi campeão e a Alemanha, vice). Foi uma emoção para todos e também para mim-foi uma emoção muito forte. Espero, e estou certo, que o Ronaldo nos dará as mesmas emoções nos próximos meses, porque é um atleta, mas igualmente um grande campeão e um amigo.

*Para esta entrevista colaborou o médico Edmond Barras, chefe do Serviço de Cirurgia da Coluna Vertebral da Beneficência Portuguesa, que foi colega de residência de Gérard Saillant no Salpêtrière, em Paris

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