Mesmo sem ritmo de jogo, o Brasil estreou com vitória na Liga Mundial masculina de vôlei. Neste sábado, na ensolarada Caracas, a equipe sofreu para vencer a Venezuela por 3 sets a 1, com parciais de 25-19, 32-34, 25-22 e 37-35, em duas horas e três minutos.
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Jogadores do Brasil comemoram ponta na complicada vitória sobre a Venezuela |
O jogo marcou o início de um novo ciclo para a seleção. O Brasil, atual campeão olímpico, mundial e da Liga, atuou pela primeira vez sem Maurício, Nalbert e Giovane, que deixaram a equipe. Giba, com uma virose, e Gustavo, que ganhou uns dias de folga depois de conquistar o título do Campeonato Italiano, também não jogaram.
O Brasil também mostrou neste sábado que a lição aprendida com a derrota para a Venezuela nas semifinais dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, ainda não foi esquecida. A seleção jogou de forma séria e objetiva e conseguiu a vitória contra um adversário que, apesar de ser inferior tecnicamente, soube aproveitar o bom entrosamento conseguido em três meses de treinos.
Já o Brasil sentiu a falta de ritmo. Depois de um primeiro set tranqüilo, a seleção passou a errar bastante, principalmente no saque. Ao todo, o Brasil errou 23 serviços.
"No início de temporada é normal que se erre muito. Não somos um time alto e nem temos bons saltadores, como Cuba e Venezuela, então temos que arriscar bastante no saque. Temos que adquirir confiança, e ela só vem se continuarmos tentando", analisou o técnico Bernardinho.
Ernardo Gomez, o Harry, e Luis Diaz foram os jogadores da equipe venezuelana com mais destaque, com 19 e 20 pontos, respectivamente. Pelo Brasil, o que fez a diferença foi o jogo coletivo, com nenhum dos atletas tendo uma atuação muito superior à dos companheiros.
Os dois times voltam a se enfrentar neste domingo, às 13h (de Brasília). No outro jogo do grupo A, Portugal venceu o Japão por 3 sets a 0, com parciais de 25-22, 27-25 e 25-22. Apenas o campeão do grupo vai disputar a fase final, em Belgrado, na Sérvia e Montenegro.
O jogoA seleção brasileira foi bem recepcionada pelo público no grande ginásio Poliedro. Na apresentação,
os jogadores receberam até alguns aplausos. O "carinho" da torcida foi retribuído com um bom voleibol no primeiro set. Murilo, que assumiu o lugar de Giba, marcou o primeiro ponto do Brasil na Liga Mundial de 2005.
NOVO CAPITÃO |
A burocracia foi a maior adversária do levantador Ricardinho em sua estréia como capitão da seleção brasileira. "Não é diferente do que faço normalmente. A dificuldade maior foi como assinar a súmula e o que fazer antes da partida. Agora já sei como é", brincou o jogador.
Até o ano passado, o capitão da seleção era o ponta Nalbert. Com a decisão do jogador de trocar a quadra pela praia, a vaga ficou aberta. Bernardinho fez um pouco de mistério sobre quem seria o escolhido, mas na quinta-feira, data da viagem do Brasil para a Venezuela, decidiu que Ricardinho seria o novo capitão.
Ricardinho tinha dois concorrentes pela vaga, Giba e Gustavo, e como nenhum dos dois viajou para a Venezuela era tido como a escolha óbvia. Agora, mesmo com a volta dos companheiros, acredita que vai continuar com a faixa de capitão.
"Acho que ele (Bernardinho) optou por um capitão do início até o final. E ele sabe que o Giba e o Gustavo também são líderes dentro da quadra", disse Ricardinho. |
O técnico Bernardinho não promoveu nenhuma surpresa, começando com Ricardinho, André Nascimento, André Heller, Murilo, Rodrigão e o líbero Escadinha. A seleção estreou também um novo uniforme, sem mangas, das cores amarelo e verde.
Em pouco tempo a seleção conseguiu abrir uma boa vantagem. Um ace de André Nascimento, por exemplo, fez com que o Brasil colocasse 7 a 2 no marcador. A diferença conseguida pela seleção brasileira calou o Poliedro. Os venezuelanos só se manifestavam quando o Brasil ia sacar ou quando eram incitados pelo animador de torcida.
Em quadra, o Brasil continuou aproveitando o bom momento. A equipe abriu sete pontos de vantagem (16-9) após um ataque de centro de Rodrigão. A diferença aumentou para nove pontos depois de dois erros consecutivos da Venezuela. Com uma vantagem tão grande, o Brasil apenas administrou o marcador, fechando a parcial em 25 a 19.
No segundo set, o Brasil deu a impressão de que iria continuar o domínio. A seleção chegou a abrir três pontos de vantagem (6-3), mas com um erro de saque de André Nascimento a situação começou a mudar.
O Brasil passou a errar bastante. Numa falha de defesa de Escadinha, a Venezuela empatou (8-8). E os donos da casa foram à frente do marcador com um ataque de Harry vencendo um bloqueio triplo (9-10).
A virada fez com que a torcida se animasse e entrasse no jogo. E a Venezuela continuou aproveitando os erros do Brasil. Com um ataque de Rodrigão para fora, abriu três pontos de vantagem (9-12).
O Brasil esboçou uma reação e encostou no marcador (13-14), mas continuou errando bastante. A Venezuela voltou a ficar três pontos na frente (15-18) e Bernardinho resolveu mexer no time, colocando Anderson e Marcelinho nos lugares de André Heller e Ricardinho.
A seleção melhorou e chegou a empatar a partida (22-22). Depois, Brasil e Venezuela desperdiçaram muitas chances para fechar o set. Os venezuelanos tiveram a bola da parcial em cinco oportunidades, e os brasileiros em quatro (a melhor delas perdida com um erro de Dante que levou Bernardinho à loucura). Apenas no sexto set point a Venezuela conseguiu fechar, aproveitando um erro de Murilo para fazer 34 a 32.
ESTATÍSTICAS |
| Venezuela | Brasil |
Pontos | 109 | 120 |
Ataques | 59 | 67 |
Bloqueios | 7 | 7 |
Saques | 5 | 5 |
Erros do adversário | 38 | 41 |
O Brasil continuou errando no começo do terceiro set. Entretanto, a Venezuela em nenhum momento conseguiu desgarrar no placar. Assim, o time brasileiro se achou em quadra e voltou a comandar as ações.
O terceiro set também foi o mais vibrante de todos. Quando o Brasil passou à frente (10-9), com um ponto de André Heller, Escadinha puxou uma comemoração intensa. O troco veio com Harry, que deu uma "rebolada" após superar o bloqueio brasileiro logo em seguida.
Aproveitando uma boa passagem de Murilo no saque, o Brasil abriu três pontos de vantagem (14-11). Bernardinho então colocou em quadra o jovem João Paulo, de 21 anos, destaque da Superliga jogando pela Unisul. E em sua primeira partida pela seleção, ele deu início ao ponto que culminou o final do set, em 25 a 22, definido em um bloqueio de André Heller.
O equilíbrio se manteve no quarto set. A Venezuela conseguiu abrir dois pontos de vantagem (8-10) após um erro de arbitragem, que marcou bola fora em um ataque de João Paulo que caiu nitidamente dentro da quadra.
O Brasil só conseguiu virar no final da parcial, quando um ataque meio sem jeito de André Heller fez 19 a 18. Depois de abrir dois pontos (20-18), a seleção cometeu uma seqüência incrível de erros, que colocou a Venezuela de novo no jogo, com 23 a 21 a seu favor.
Bernardinho pediu tempo e deu uma bronca na equipe, que reagiu e conseguiu fechar a parcial em 37-35, depois de desperdiçar seis match points. André Nascimento, com um ace, marcou o ponto final da partida.
"Hoje jogamos mais ou menos", reconheceu Bernardinho. "Foi uma boa vitória, mas temos que melhorar muito", falou o treinador.
Para o levantador Ricardinho, apesar dos erros apresentados a partir do segundo set, a vitória tem que ser comemorada.
"Tivemos um pouco de erro de saque, mas estou muito feliz porque não é fácil vencer uma equipe forte como a Venezuela", disse o novo capitão da seleção brasileira.
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