O intervalo foi de quase um ano, tempo suficiente para muita coisa mudar no Corinthians. A começar pelo primeiro dia de trabalho. As críticas deram lugar a muita festa e tentativas desesperadas de fotos. A dor pelo rebaixamento diminuiu e foi substituída pela esperança de uma temporada vitoriosa. Esperança que chega agarrada a Ronaldo.
Quem esteve no Parque São Jorge na última sexta-feira e no dia 3 de janeiro deste ano viu dois "mundos" distintos. Na apresentação do time para a última temporada o clima foi tenso e ofensivo. Os jogadores recém-rebaixados se tornaram vilões. Desta vez a presença de Ronaldo e a boa campanha na Série B deixaram a torcida eufórica. E a diretoria não perdeu a chance de usufruir disso.
A expectativa para o primeiro treino do
Fenômeno com o uniforme alvinegro foi aproveitada pelos dirigentes. Todos os sócios (agora com direito a voto nas eleições, em fevereiro) presentes no Parque São Jorge tiveram acesso à arquibancada. Já os torcedores "comuns" ficaram do lado de fora do estádio Alfredo Schurig, recorrendo a árvores e ao aperto nos portões de acesso.
Cada movimento de Ronaldo foi merecedor de vibração por parte dos torcedores, que não se contentaram com o espaço reservado na arquibancada coberta, driblaram os seguranças e desceram para o corredor entre os vestiários e o gramado. Não satisfeitos com o "avanço", pediram para que os jornalistas tirassem fotos de seus celulares.
Tudo merecia foto para os corintianos, encarando o dia como um evento histórico. "Ô careca, vem aqui pra gente tirar foto", disse um torcedor para um membro da comissão técnica. O importante era registrar tudo que aconteceu neste dia 26. Tietagem não faltou.
Mano Menezes e Felipe, por exemplo, pararam na grade após leve corrida no gramado e atenderam inúmeros pedidos de fotos e autógrafos. O goleiro, inclusive, foi um dos principais alvos da insatisfação da torcida há quase um ano. Na oportunidade, ouviu torcedores o acusando de mercenário, devido à demora na renovação do contrato.
Simultaneamente, na sala de imprensa a diretoria apresentou Túlio e Jorge Henrique, vindos do Botafogo. Um ano antes, as novidades mostradas pós-rebaixamento no dia da apresentação foram Valença, Rafinha e Lima, coadjuvantes do elenco de Mano Menezes durante a temporada.
Mas nada tirava o principal foco dos torcedores: Ronaldo. Os seguranças, reforçados em relação a 2008, tiveram bastante trabalho. Além de montarem um "cercado" para manter a torcida longe do Ceproo, eles ainda tiveram que lidar com crianças chorando e pai brigando para tirar uma foto para o filho. "Eu também queria uma foto para o meu filho", respondeu o segurança.
Entre empurrões e cotoveladas, todos buscavam um canto qualquer para tirar foto de Ronaldo. Com uma barriguinha saliente, ele foi quem correu por mais tempo, recorrendo sempre à água e à toalha. Na TV em sua frente, assistiu a um programa de humor e a um jogo de futebol.
Antes, ele havia feito trabalho específico de fisioterapia no joelho esquerdo, operado no início do ano. Isso tudo sempre acompanhado de Bruno Mazziotti, seu fisioterapeuta particular antes do acerto com o Corinthians e contratado pelo clube após a chegada do atacante.
O primeiro dia do
Fenômeno no Parque São Jorge foi marcado pela relação de idolatria com o restante do elenco. Alguns, como Dentinho e Fabinho, brincaram mais com o centroavante, mas os demais, freqüentemente, eram vistos só observando os passos de Ronaldo. "No dia-a-dia o Ronaldo vai se tornando mais humano, a amizade vai aparecendo e o tratamento fica diferente. Mas por enquanto ele é nosso ídolo mesmo", resumiu o volante Túlio.
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