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Palmeiras, Santos e SP: Cuca mais uma vez chega como "bombeiro" anticrise

Ale Cabral/AGIF
Terceiro grande Paulista pela frente, terceiro em crise: Cuca chega como "bombeiro" mais uma vez Imagem: Ale Cabral/AGIF

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

2019-02-16T04:00:00

16/02/2019 04h00

Cuca está de volta ao futebol paulista. Anteontem, o São Paulo anunciou a contratação do treinador, que assume somente em abril, ainda fora do prazo estipulado para a recuperação total da cirurgia cardíaca realizada em dezembro do ano passado. No terceiro grande clube do estado, novamente o técnico chega no papel de um "bombeiro" anticrise.

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De volta ao Morumbi depois de quase 15 anos longe, Cuca chega em um dos momentos mais críticos da história do São Paulo. A diretoria está pressionada, ainda mais depois do maior vexame do clube em uma edição de Copa Libertadores, e apoia no treinador o peso de alguém que pode corresponder de imediato.

Os resultados, se vierem a partir de 15 de abril - data prevista por Leco e Raí para o início do trabalho -, vão servir acima de tudo para diminuir o fogo de um efervescente dia a dia tricolor. Até lá, o elenco será comandado por Vagner Mancini, a começar pelo clássico deste domingo, às 19h (de Brasília), contra o Corinthians, em Itaquera.

Substituto de técnico demitido no vestiário

Sumido na China, Cuca decidiu retornar ao futebol brasileiro para dar uma cara a uma equipe sem identidade. O Palmeiras de Marcelo Oliveira, campeão da Copa do Brasil de 2015, apresentava um futebol muito aquém e era pressionado. O treinador vencedor da competição nacional caiu no vestiário, minutos depois de uma derrota para o Nacional-URU, no Allianz Parque.

Demorou a engrenar, mas quando engrenou...

O começo no Palmeiras foi difícil. A pressão cresceu a um nível quase insustentável, especialmente depois da goleada sofrida para o Água Santa, pelo Campeonato Paulista. Semanas depois, Cuca decretou que seria campeão brasileiro com a equipe alviverde. Promessa feita e cumprida: 22 anos depois, o clube alviverde chegou ao topo do campeonato mais tradicional do país.

Rubens Cavallari/Folhapress
Cuca comandou o primeiro Brasileiro do Palmeiras em 22 anos Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

Está em crise? Chama o Cuca!

A breve, mas vitoriosa passagem de 2016 sacramentou Cuca no imaginário de técnico ideal para o torcedor palmeirense. Tanto que, nem um ano depois, lá estava o treinador no comando para apagar uma temporada de crise. O clube não engrenou com Eduardo Baptista, apesar de um investimento ainda maior - só Miguel Borja custou mais de R$ 30 milhões.

Não rolou...

Convivência com Felipe Melo foi difícil

Desta vez, Cuca não conseguiu contornar os problemas. Os resultados não vieram e o trabalho aos poucos se desgastou; principalmente na relação com o volante Felipe Melo, uma das apostas da diretoria para 2017. A eliminação na Copa Libertadores para o Barcelona-EQU, no Allianz Parque, expôs fraquezas e tirou parte da aura de salvador. Em outubro, cinco meses depois da chegada, chegava ao fim o trabalho.

No litoral

No Palmeiras, Cuca chegou como solução para um time que não rendia - primeiro com Marcelo Oliveira e posteriormente com Eduardo Baptista. Este passado credenciou o treinador a ser buscado novamente pelo Santos quando se tornou insustentável o trabalho de Jair Ventura, que deixou a Vila Belmiro com um aproveitamento de aproximadamente 45% dos pontos.

Saúde interrompe passagem

O Santos cresceu com Cuca, que herdou reforços como Carlos Sánchez e Derlis González - ambos contratados, mas não utilizados por questão de tempo na época de Jair. Com o treinador, o clube alvinegro cresceu, afastou o perigo de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e chegou a sonhar uma vaga na Copa Libertadores deste ano. Porém, o problema cardíaco atrapalhou os planos e vetou a continuidade para 2019.

Bombeiro pela 4ª vez em SP

Esta questão de saúde, inclusive, vai adiar o início do trabalho de Cuca no comando do São Paulo. A boa imagem da primeira passagem pelo Palmeiras e de certa forma pelo que alcançou na Baixada Santista habilitaram o técnico de 55 anos para iniciar nova trajetória no Morumbi. A fama de "bombeiro" dos últimos anos no estado pesou, agora é ver se o sucesso será o mesmo.