RJ corta 95% da verba olímpica para limpeza da Baía de Guanabara

Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro

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O megaprojeto do governo do Rio de Janeiro para a limpeza da Baía de Guanabara visando à Olimpíada de 2016 foi drasticamente reduzido. O Estado cortou 95% da verba que havia prometido aplicar na despoluição do espaço para os Jogos de 2016. Com isso, já há ambientalista que não acredita que a meta de despoluir 80% da baía seja alcançada até a Olimpíada. O local receberá as competições olímpicas de vela.

A redução drástica dos recursos que seriam aplicados na despoluição da Baía de Guanabara para a Olimpíada foi confirmada no dia 16 deste mês, quando o orçamento dos Jogos foi enfim divulgado. O documento prevê que R$ 114,48 milhões sejam investidos em três ações relacionadas à limpeza da baía. Até janeiro, o governo sustentava que R$ 2,5 bilhões seriam usados na limpeza do local.

O valor foi informado pelo então secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc, pessoalmente ao UOL Esporte. Na época, Minc falou sobre o início do trabalho dos ecobarcos na Baía de Guanabara. Os barcos navegam pelas águas da baía e são capazes de recolher o lixo que flutua no espaço.

Segundo Minc, o recolhimento do lixo era um das ações estratégias do governo para evitar que barcos a vela enrosquem-se em detritos durante a Olimpíada. Além disso, uma série de projetos seriam realizados ou concluídos visando aos Jogos Olímpicos. Entre eles, a construção de UTRs (Unidades de Tratamento de Rios), de estações de tratamento de esgoto e recuperação da Enseada de Botafogo e da Marina da Glória.

A maior parte de tudo isso, entretanto, não foi incluído no orçamento da Olimpíada de 2016, ou seja, não há compromisso do governo do Rio de que isso será feito até o início dos Jogos. O orçamento inclui só o projeto dos ecobarcos, a instalação de ecobarreiras e a implantação de um tronco coletor de esgoto na Cidade Nova (veja orçamento abaixo).

Procurado pelo UOL Esporte, o governo do Rio de Janeiro informou que o fato de grande parte das ações prometidas não ter sido incluída no orçamento da Olimpíada não quer dizer que isso não será levado adiante. Segundo o governo, três projetos incluídos no Plano Guanabara Limpa já foram até concluídos. Por isso, não estão no plano de investimentos olímpicos.

O governo ressaltou, ainda que a limpeza da baía é "um projeto de longo prazo, iniciado antes da candidatura olímpica, e exatamente por isso não permaneceu ligado apenas ao legado dos Jogos" (leia resposta completa abaixo).

ORÇAMENTO PARA A LIMPEZA DA BAÍA VISANDO À RIO-2016
. Implantação de coletor tronco na Cidade Novo – R$ 96 milhões
. Ecobarreiras – R$ 6,48 milhões
. Ecobarcos – R$ 12 milhões
. TOTAL PREVISTO – R$ 114,48 milhões
. Promessa do governo – R$ 2,5 bilhões

Puxadinho ambiental

O biólogo Mario Moscatelli, coordenador do projeto Olho Vivo, monitora há anos a situação da Baía de Guanabara. Para ele, o plano do governo para a despoluição do local incluído na lista de projetos para Olimpíada de 2016 é "uma piada de mau gosto" e "não passa de um puxadinho ambiental". "Com esses recursos, não vamos resolver absolutamente nada", afirmou em entrevista ao UOL Esporte.

Moscatelli disse que ações incluídas no plano olímpico resumem-se basicamente a uma limpeza superficial da baía. Os grandes causadores do problema, como o grande despejo de esgoto nas águas da baía, não serão atacados. "Onde estão aos UTRs [Unidades de Tratamento de Rios] prometidas? E um projeto para a Marina da Glória? Os barcos da Olímpiada vão ficar ali."

De acordo com Moscatelli, mesmo que os R$ 2,5 bilhões fossem investidos pelo governo, ainda haveria risco de a baía não estar limpa. Sem os recursos, é impossível.

O COI (Comitê Olímpico Internacional) já afirmou que acompanha as ações para a limpeza da baía. Em visita ao Brasil no mês passado, o presidente da comissão do COI para a Rio-2016, Nawal El Moutawakel, afirmou que confia no cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo do Rio.

Leia a íntegra da resposta do governo do Rio:

Não houve redução de investimento. A redução em 80% da poluição continua sendo a meta do Governo do Estado. Cabe informar que se trata de um projeto de longo prazo, iniciado antes da candidatura olímpica, e exatamente por isso, não é um projeto que permaneceu ligado apenas ao legado dos Jogos Rio 2016. É preciso deixar claro que este é um legado de Estado, para a população, e não apenas para os Jogos.

É preciso esclarecer ainda que as competições esportivas dos Jogos Rio 2016, a serem realizadas na Baía de Guanabara, irão acontecer em uma área onde o principal problema é o lixo flutuante. Para garantir plena realização dessas competições, o Governo do Estado colocará dez ecobarcos para reforçar o recolhimento de lixo, sendo que três já estão em funcionamento e outros sete serão licitados até o fim de abril. Além disso, já foram instaladas 11 ecobarreiras na foz de rios e canais que deságuam na Baía. Destas, duas serão reconstruídas e outras três reformadas. Outras oito, ainda, serão implantadas.

Já dentro do Programa de Despoluição da Baía, será construído um novo coletor na Cidade Nova, que irá captar o esgoto sanitário de parte dos bairros do Centro, Tijuca, Praça da Bandeira, Catumbi, Cidade Nova, Estácio e Rio Comprido, direcionando para ETE Alegria. Com isso, será possível reduzir grande parte do esgoto que hoje é lançada no Canal do Mangue, proporcionando a melhoria da balneabilidade das águas.

Além das citadas acima, cujas informações foram em 16/04, durante a apresentação do Orçamento do Legado dos Jogos Rio 2016, outras ações que estão em andamento fazem parte do programa do Governo do Estado para a revitalização da Baía de Guanabara.

O Plano Guanabara Limpa abrange quatro pilares: esgotamento sanitário, tratamento de lixo, recuperação ecológica e restauração florestal. Em cada um dos temas há programas específicos, totalizando 12 iniciativas para sanear 80% da Baía de Guanabara. Tais ações começaram a ser realizadas de forma planejada e integrada desde 2007. Como resultado, houve um aumento de 160% do esgoto tratado na Baía de Guanabara, passando de 2.300 litros de esgoto tratado por segundo (em 2007) para 6 mil litros de esgoto por segundo com tratamento.

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