Legado do jogo limpo: como Carille repete Tite e faz Corinthians ser leal

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Jogadores corintianos se cumprimentam em vitória sobre o Sport

    Jogadores corintianos se cumprimentam em vitória sobre o Sport

O princípio da lealdade foi levado às últimas consequências pela equipe de Fábio Carille no último sábado. Mas, ao se tratar de Corinthians, há algo a ser ressaltado: essa é uma máxima do trabalho diário desde os tempos de Tite e presente em treinamentos e conceitos que norteiam a comissão técnica. 

Diante do Sport, os números impressionaram pelo longo período sem fazer faltas dentro da partida: 54 minutos. E depois dessa infração, no início do segundo tempo, só mais uma foi cometida pelo Corinthians. Dentro do clube, há uma certeza sobre isso tudo. Não se trata de coincidência.

Os números gerais do próprio Campeonato Brasileiro aferidos pelo Footstats confirmam que, se não bastasse a liderança em pontos, público e diversos aspectos do jogo, o Corinthians de Carille também está à frente na questão disciplinar.

- Menor número de faltas cometidas: 10,9 em média por jogo, contra 13,7 do Cruzeiro, segundo colocado.  
- Menor número de amarelo: 1,8 por jogo em média. 
- Bem colocado em expulsões: só está atrás de São Paulo, Atlético-MG e Vasco, que não tiveram vermelhos. Teve um só, o volante Gabriel. 

Os aspectos que explicam o jogo limpo

Ag. Corinthians
Marquinhos Gabriel em treinamento: canelas à mostra

Tite sempre destacou que deveria ser dessa forma e incentivou a conduta no dia a dia. Por mais que os treinamentos em alta intensidade sejam uma marca do trabalho mantido por Carille, os comandantes sempre defenderam a presença de um auxiliar como árbitro nessas atividades. Um aspecto serve para inibir as entradas mais duras. Ninguém treina com caneleira, o que fomenta em cada jogador corintiano a disputa sem colocar em risco a lesão de um companheiro.

O aspecto tático também tem interferência nesse processo. As comissões técnicas do Corinthians, seja nos tempos de Tite, Mano Menezes ou hoje com Fábio Carille, creem que o bom posicionamento defensivo também fomenta o jogo limpo. Raramente um jogador precisará fazer a falta caso seja driblado, porque o companheiro mais próximo estará apto a fazer a cobertura, um movimento exaustivamente treinado e sincronizado.  

Nos tempos de Tite, se criou uma cultura de incentivo ao desarme limpo dentro das atividades. Nos 'rondos', os treinamentos baseados nos antigos 'bobinhos', o jogador só sai da roda quando consegue roubar a bola do companheiro.  

Em determinadas zonas do gramado, como a lateral defensiva, o Corinthians também dificilmente dá o "bote" sobre o adversário que tem a bola dominada. Nessas áreas do campo, onde normalmente o defensor tem a companhia do ponta para fechar a marcação, a instrução é apenas fechar os espaços do rival - se o corintiano parte para o bote ao desarme, corre o risco de ser driblado ou de fazer uma infração que pode ser perigosa. Fábio Carille, auxiliar técnico por oito anos, sabe cada detalhe de tudo isso. 

Gabriel é um exemplo de crescimento nos trabalhos

Marcello Zambrana/AGIF
Gabriel passou a competir com mais lealdade

As correções individuais que fazem parte do trabalho diário da comissão técnica completam essa preparação. Jogadores com históricos de alto número de faltas cometidas normalmente são alertados das técnicas a serem utilizados para reduzir o índice, o que inclui, por exemplo, a maneira adequada para dar um carrinho.

Não funcionou com Willians, no ano passado. Mas funcionou com o hoje gremista Edílson, apesar de um ou outro deslize. E tem funcionado, acima de todos, com o ex-palmeirense Gabriel. 

Em entrevista concedida em abril, o volante explicou como havia reduzido seu ímpeto para cometer faltas a partir dos trabalhos com Carille toda a comissão técnica. Ele, apesar de ser o mais marcador do time, hoje é o terceiro corintiano no ranking de infrações, atrás de Rodriguinho e Jô. 

A consequência do jogo limpo está no número de suspensões. Em um campeonato tão longo, o Corinthians chegou na metade com apenas quatro jogadores suspensos por acúmulo de amarelos. Gabriel, Arana, Fagner e Rodriguinho foram os mais advertidos. 

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